terça-feira, dezembro 30, 2003
Uma história para o fim de ano!
Começou um novo ano, trezentos e sessenta e seis dias novinhos em folha, a estrear!, para que nós possamos dar-lhes uso como bem nos apetecer. Ou, talvez, como nos forem deixando as várias contingências do quotidiano...
Ela, mulher, vê a casa desarrumada, o abeto já sem enfeites, as travessas com restos de doces que lhe lembram pecados e gramas acumulados. Agora é preciso retomar a rotina, fazer-se à vida, pensar nas dietas, voltar a dobrar as meias dos rapazes – tarefa árdua porque as malditas insistem em perder-se umas às outras constituindo famílias desfeitas -, arrumar de novo gavetas e loiças boas. Esta é uma tarefa que sempre faz com prazer. Sabe-lhe bem pegar nos pratos bonitos, do serviço herdado, voltar a limpá-los, a colocá-los no imenso guarda-loiça que já morava na casa dos avós. No fundo, sente, é uma oportunidade para pôr ordem na desordem que, tantas vezes, constitui a sua vida. Ali, no velho guarda-loiça com portas de madeira entrançada, tudo resiste às fúrias dos tempos, tudo mantém, (apesar de algumas nicadas provocadas por apertos de horários), o sabor de famílias desaparecidas, de jantares de outros tempos, de mãos ternas de outras mulheres com, talvez, as mesmas preocupações. Será que a sua avó, e a bisavó, sofriam o mesmo que ela? Muitas vezes, tantas vezes!, esta dúvida assalta-a trazendo-lhe de volta as mulheres que a marcaram.
Da bisavó mal se lembra, era uma velhinha com voz doce que sabia histórias de guerra e de racionamentos; da avó lembra-se bem, vê-a ainda atarefada, sempre sorrindo, supervisionando o rechear do perú de Natal, a contagem rigorosa das passas de Ano Novo – doze em cada saquinho, fita dourada -, disponível ainda para um conselho, para um segredo, para uma cumplicidade. Para ela, na época, a família era tudo e tudo justificava. Nunca a ouvira reclamar contra peúgas fujonas, gravatas com nódoas, ou toalhas brancas manchadas de vinho tinto. Sabia sempre um truque, um segredo, que utilizava com a ternura que punha no beijo que dava aos netos quando eles invadiam a sala grande a correr e a gritar. A avó adivinhava os desejos do avô. Sabia-lhe os gostos, escolhia-lhe a roupa, falava com ele num silêncio cheio de magia. Hoje, com o velho serviço nas mãos e a saudade a complicar a tarefa, sentia-se uma neta tresmalhada. Como se fosse uma ovelha incapaz de manter unido o rebanho. Teria sido culpa dela? O que acontecera ao seu Amor, aquele homem que um dia lhe prometera o futuro, a quem ela garantira a eternidade? Ele tinha partido, ela ficara, no meio os filhos, então crianças, querendo perceber sem ousar perguntar.
Muitas noites, sozinha à beira de uma gripe infantil, de uma dor de barriga, de uma papeira, pedira à avó que interviesse e a ajudasse a aprender a sabedoria de um amor para sempre.
O tempo passara indiferente e cruel, vivera já muitas passagens de ano, rodeada de crianças, sozinha nas adolescências de discotecas e amigos, de novo com a casa cheia agora. Sempre nestas datas, nostalgia dos vermelhos? vapores do champanhe? olhares velados das muitas fotografias?, doía mais a ausência dele, do amor que, um dia..., jurara ser eterno.
Ano Novo. Já 2004, bissexto, a anunciar mil factos terríveis, outros tantos talvez óptimos, de certo mesmo apenas um dia de bónus!
Acabou de arrumar uma pilha de pratos rasos e voltou a ter vontade de acreditar. Agora não queria um sonho, ela que desde miúda se perdia em sonhos, mas uma verdade, uma concretização. A idade dos projectos passara, a fase agora era de realizações!
Em silêncio, enquanto empilhava os pratos de sopa, formulou os seus desejos para o Novo Ano: - Que um amor concreto e eterno surgisse mesmo; que as crianças, e egoisticamente pensava nas suas..., pudessem conhecer a magia do colo de uma avó; que experimentassem sempre a força de uma Mãe que as considerasse a primeira prioridade; saúde para todos, para todos mesmo.
Com cuidado, para não nicar mais nenhum dos velhos pratos, sorriu à ideia que, sem vergonha, a assaltava: - que 2004 ao menos lhe trouxesse uma solução para nunca mais perder as meias dos rapazes!!!
Começou um novo ano, trezentos e sessenta e seis dias novinhos em folha, a estrear!, para que nós possamos dar-lhes uso como bem nos apetecer. Ou, talvez, como nos forem deixando as várias contingências do quotidiano...
Ela, mulher, vê a casa desarrumada, o abeto já sem enfeites, as travessas com restos de doces que lhe lembram pecados e gramas acumulados. Agora é preciso retomar a rotina, fazer-se à vida, pensar nas dietas, voltar a dobrar as meias dos rapazes – tarefa árdua porque as malditas insistem em perder-se umas às outras constituindo famílias desfeitas -, arrumar de novo gavetas e loiças boas. Esta é uma tarefa que sempre faz com prazer. Sabe-lhe bem pegar nos pratos bonitos, do serviço herdado, voltar a limpá-los, a colocá-los no imenso guarda-loiça que já morava na casa dos avós. No fundo, sente, é uma oportunidade para pôr ordem na desordem que, tantas vezes, constitui a sua vida. Ali, no velho guarda-loiça com portas de madeira entrançada, tudo resiste às fúrias dos tempos, tudo mantém, (apesar de algumas nicadas provocadas por apertos de horários), o sabor de famílias desaparecidas, de jantares de outros tempos, de mãos ternas de outras mulheres com, talvez, as mesmas preocupações. Será que a sua avó, e a bisavó, sofriam o mesmo que ela? Muitas vezes, tantas vezes!, esta dúvida assalta-a trazendo-lhe de volta as mulheres que a marcaram.
Da bisavó mal se lembra, era uma velhinha com voz doce que sabia histórias de guerra e de racionamentos; da avó lembra-se bem, vê-a ainda atarefada, sempre sorrindo, supervisionando o rechear do perú de Natal, a contagem rigorosa das passas de Ano Novo – doze em cada saquinho, fita dourada -, disponível ainda para um conselho, para um segredo, para uma cumplicidade. Para ela, na época, a família era tudo e tudo justificava. Nunca a ouvira reclamar contra peúgas fujonas, gravatas com nódoas, ou toalhas brancas manchadas de vinho tinto. Sabia sempre um truque, um segredo, que utilizava com a ternura que punha no beijo que dava aos netos quando eles invadiam a sala grande a correr e a gritar. A avó adivinhava os desejos do avô. Sabia-lhe os gostos, escolhia-lhe a roupa, falava com ele num silêncio cheio de magia. Hoje, com o velho serviço nas mãos e a saudade a complicar a tarefa, sentia-se uma neta tresmalhada. Como se fosse uma ovelha incapaz de manter unido o rebanho. Teria sido culpa dela? O que acontecera ao seu Amor, aquele homem que um dia lhe prometera o futuro, a quem ela garantira a eternidade? Ele tinha partido, ela ficara, no meio os filhos, então crianças, querendo perceber sem ousar perguntar.
Muitas noites, sozinha à beira de uma gripe infantil, de uma dor de barriga, de uma papeira, pedira à avó que interviesse e a ajudasse a aprender a sabedoria de um amor para sempre.
O tempo passara indiferente e cruel, vivera já muitas passagens de ano, rodeada de crianças, sozinha nas adolescências de discotecas e amigos, de novo com a casa cheia agora. Sempre nestas datas, nostalgia dos vermelhos? vapores do champanhe? olhares velados das muitas fotografias?, doía mais a ausência dele, do amor que, um dia..., jurara ser eterno.
Ano Novo. Já 2004, bissexto, a anunciar mil factos terríveis, outros tantos talvez óptimos, de certo mesmo apenas um dia de bónus!
Acabou de arrumar uma pilha de pratos rasos e voltou a ter vontade de acreditar. Agora não queria um sonho, ela que desde miúda se perdia em sonhos, mas uma verdade, uma concretização. A idade dos projectos passara, a fase agora era de realizações!
Em silêncio, enquanto empilhava os pratos de sopa, formulou os seus desejos para o Novo Ano: - Que um amor concreto e eterno surgisse mesmo; que as crianças, e egoisticamente pensava nas suas..., pudessem conhecer a magia do colo de uma avó; que experimentassem sempre a força de uma Mãe que as considerasse a primeira prioridade; saúde para todos, para todos mesmo.
Com cuidado, para não nicar mais nenhum dos velhos pratos, sorriu à ideia que, sem vergonha, a assaltava: - que 2004 ao menos lhe trouxesse uma solução para nunca mais perder as meias dos rapazes!!!
O Ano Velho está a chegar ao fim. E depois? Eu até queria ser capaz de vestir o "faz de conta que acredito" e de festejar. Mas não sou! Irritam-me os festejos obrigatórios, as festas caras num país miserável, as aparências a tentar enganar os próximos, as gargalhadas e o glamour fingidos. Não espero nada de bom em 2004. Só um dia a mais, de bónus... é ano bissexto!
Quando passar o ano meio Mundo vai festejar, a horas diferentes, que felizmente aí ainda atacou a globalização, e o outro meio vai continuar a sofrer. Que emoção...
Quando passar o ano meio Mundo vai festejar, a horas diferentes, que felizmente aí ainda atacou a globalização, e o outro meio vai continuar a sofrer. Que emoção...
domingo, dezembro 28, 2003
Está tudo dolorosamente igual! A minha nogueira continua nua, os pássaros tremem de frio, o meu cão ladra por um grande osso, as crianças brincam com os brinquedos novos. Só eu estou diferente. Um dia alguém vai ter saudades minhas. Hoje, eu tenho saudades de Alguém...
quinta-feira, dezembro 25, 2003
Já passou. Relâmpago de trovoada de doces e fitas coloridas! Agora ficaram os embrulhos desfeitos, os brinquedos novos, as saudades já. Foi Natal. Neste mundo maluco, o Natal ainda faz sentido, apela à vontade de ser bom.
Se o Menino Jesus não nasceu, não interessa nada, vale a intenção...
Mas eu queria que Ele nascesse mesmo. De novo! Numa ideia feita de sonhos possíveis, de realizações plenas, de mundividências de ternura.
Queria...
Se o Menino Jesus não nasceu, não interessa nada, vale a intenção...
Mas eu queria que Ele nascesse mesmo. De novo! Numa ideia feita de sonhos possíveis, de realizações plenas, de mundividências de ternura.
Queria...
terça-feira, dezembro 23, 2003
Está quase-quase-quase a chegar o Natal! As ruas cheiram a vermelhos e dourados, as luzes brilham em mil janelas, as crianças olham gulosamente as montras, os ódios transformam-se em Boas Festas sociais. Há sorrisos no mundo, na alma das gentes.
Se calhar, depois fica tudo igual: - Cinzento, miserável, infeliz, feito de ódios-rancores-antipatias. Mas não faz mal! Enquanto dura... Vida doçura!!
Se calhar, depois fica tudo igual: - Cinzento, miserável, infeliz, feito de ódios-rancores-antipatias. Mas não faz mal! Enquanto dura... Vida doçura!!
segunda-feira, dezembro 22, 2003
Às vezes o pôr do sol é o fim do dia. Outras vezes, não! Surge como o início de uma noite desejada, milagrenta, cheia de promessas. Nessas alturas veste-se de cores intensas, vermelhos, laranjas, amarelos fortes. Então, eu fico com pena que ele acabe, que o pontinho verde surja... Era tão bom se o prazer fosse sempre anunciado! A expectativa, quase sempre..., supera o acontecimento. É assim também com o Natal!
domingo, dezembro 21, 2003
O tempo passa, o Natal aproxima-se depressa demais e apetece sonhar, ser criança, ignorar o mundo, pedir um presente! Eu queria um presente só para mim. Egoísta mesmo. Queria que o Menino Jesus (não gosto lá muito do Pai Natal da Coca-Cola) me trouxesse um embrulho enorme, laço vermelho farfalhudo, contendo uma história de amor perfeita: - Um homem apaixonado, casa linda, tudo em pleno!
Como diz o outro "All I want for Christma's is you!" Que bom ser prosaica!!!
Como diz o outro "All I want for Christma's is you!" Que bom ser prosaica!!!
quarta-feira, dezembro 17, 2003
Vi hoje uma data de camelos no deserto. Descansando... E não é que tive visões? Não alucinações.... Vi, ali, de bossas e tudo, os nossos governantes! O Durão tinha pousado o saco, entre as bossas, e suava, e pedia clemência ao sol; a Manelita, a das contas (a da boca grande devia ter ficado num oásis distante), camela de cabelos em pé, rodava exigindo a todos que lhe dessem uns trocos. Tentava negociar grãos de areia. Sem êxito, coitada... Nem ali lhe ligavam! Mais ao longe, um grupo de canhotos. Um dos camelos, feio mas feio!, chorava porque estavam todos contra ele, e dizia, nem os camelos são de Ferro...
Por ali, descontraidamente, andavam umas cigarras ainda bem dispostas. Cantavam. Acho que anunciavam a vinda do Menino Jesus. Coitadas!!!
Por ali, descontraidamente, andavam umas cigarras ainda bem dispostas. Cantavam. Acho que anunciavam a vinda do Menino Jesus. Coitadas!!!
terça-feira, dezembro 16, 2003
Olhos encovados, barba e cabelos encrespados, voz cavernosa... Quem é?
Se dissesse "Quem ousa entrar no mar que é meu?" seria... Isso! O Adamastor!!!
Mas não disse... No entanto, estava num buraco fundo.
Se tivesse rodado, imundo e grosso, seria...Isso, o Mostrengo!!!
Mas não rodou, nem chiou. Era mesmo só grosso e imundo.
E também ninguém quis falar com ele. Bem feita!!
Se dissesse "Quem ousa entrar no mar que é meu?" seria... Isso! O Adamastor!!!
Mas não disse... No entanto, estava num buraco fundo.
Se tivesse rodado, imundo e grosso, seria...Isso, o Mostrengo!!!
Mas não rodou, nem chiou. Era mesmo só grosso e imundo.
E também ninguém quis falar com ele. Bem feita!!
O tempo passa sempre. E deixa cicatrizes fundas, umas mais do que outras. Para algumas, não há plásticas que resultem...
domingo, dezembro 14, 2003
Há sempre um novo dia. E se o dia novo surgir com cheirinho a déjà vue??? Será que já não há nada a estrear? Tem de haver! Por favor, alguém reinvente a novidade. É urgente!
sábado, dezembro 13, 2003
Lisboa já não é a cidade das sete colinas, do rio, dos Poetas, dos sonhadores. Agora, Lisboa é a cidade sem carácter, sem individualidade, igual a todas as outras cidades que crescem em mimetismos tristes e pobres. Agora, a calçada portuguesa é a buracada portuguesa... Hoje, a cidade está cinzenta, suja, cheia de gente e sem indivíduos. Eu queria saber como deixamos que matassem a nossa cidade.
Se Ulisses voltasse, decerto fugiria procurando um outro Porto.
Eu sei que o Mito é o "Nada que é Tudo" mas agora, em 2003, o Tudo já nem é Nada...
Vi o Tejo, envergonhado, triste, de um verde envelhecido e choroso.
Se Ulisses voltasse, decerto fugiria procurando um outro Porto.
Eu sei que o Mito é o "Nada que é Tudo" mas agora, em 2003, o Tudo já nem é Nada...
Vi o Tejo, envergonhado, triste, de um verde envelhecido e choroso.
sexta-feira, dezembro 12, 2003
O sol quer mesmo existir! rasga a chuva, surge imenso, veste de espanto brilhante os ramos nodosos da minha nogueira.
Eu queria um sol assim, dentro de mim, intenso, dando brilho à escuridão que veste os meus sentires magoados...
Eu queria um sol assim, dentro de mim, intenso, dando brilho à escuridão que veste os meus sentires magoados...
Favorecimentos a Universidades, corrupção, mais pedofilia. E se fosse possível esquecer o mundo? Vestir mesmo a farda da hipocrisia e fazer de actores num palco trágico-cómico? Assim, para o mundo, a minha gargalhada de desprezo.
Apesar de tudo, para Portugal, o meu riso de desilusão...
Apesar de tudo, para Portugal, o meu riso de desilusão...
quarta-feira, dezembro 10, 2003
Um dia, em breve, vou entrar num Hospital. Vou despir-me de mim, vestir a farda da humilhação que é a doença no meu País. Vou ficar sem nome, só uma designação, e o meu peito, que afagos bons!!, vai ser transformado em mama de nódulo ancorado. Depois... se houver história eu contarei. Antes, a história faz-se de dor e angústia; receio e temor; medo e susto; noites de insónia. Felizmente há um ecran, um teclado. Será que o meu outro-eu é a escrita? Ou será que o outro eu simplesmente não é. Não se faz. Não existe?
E a quem interessa isto?... O Menino Jesus ainda nem nasceu!!
E a quem interessa isto?... O Menino Jesus ainda nem nasceu!!
terça-feira, dezembro 09, 2003
Não param os dramas de pedofilia em Portugal. De repente desmascaram-se os diabos vivos, em passes de tragédia intensa, sem merecerem aplausos ou sequer vaias. Só o mais profundo desdém! O maior desprezo!
É o que dá viver num Portugal assim. Onde está o futuro a haver deste povo outrora grande?
É o que dá viver num Portugal assim. Onde está o futuro a haver deste povo outrora grande?
segunda-feira, dezembro 08, 2003
Hoje há nevoeiro. Mas chegou o sol com o DN que comprei! Vinha Pessoa, o Mito que é o nada que é tudo, os sentimentos pensados, o ser em construção (falhada?) a solidão, o onírico.
Pessoa!
Pessoa!
domingo, dezembro 07, 2003
Continua a chuva, na rua e nos meus sentires. Talvez seja assim viver-se, ou pelo menos existir-se. Será que faz sentido pensarmos no mundo, no Iraque, na fome, na miséria, nos Natais adiados? Será que ser egoísta só, praticando a indiferença, pode dar felicidade? Dizia o Gandhi que num mundo´onde a regra é olho por olho, ficaremos todos cegos. Será que é por isso que vivemos em profunda escuridão? Sinto o mundo das avessas, e penso no desejo imenso de um abraço forte. Oiço falar da guerra, e desejo a minha paz... Estarei talvez a ficar socializada?
Não é preciso responder. este é apenas o blog dos sentires!! Ah! A propósito, o programa de Português do 10º ano é uma porcaria!!!
Não é preciso responder. este é apenas o blog dos sentires!! Ah! A propósito, o programa de Português do 10º ano é uma porcaria!!!
quarta-feira, dezembro 03, 2003
Tenho medo. Medo do escuro, da dor, do mal que nem sequer bate à porta e vai logo entrando, abusador, sem limites. Se calhar tenho também medo da vida.
E gosto do sol, do mar, dos beijos que sabem a terra molhada, a maresia também...
E gosto do sol, do mar, dos beijos que sabem a terra molhada, a maresia também...
terça-feira, dezembro 02, 2003
Eu estava mesmo convencida que a vida se cumpria num fazer de pequenas coisas. Mas agora parece-me tudo tão imensamente grande!!! Quem será que estabeleceu as medidas?... Eu juro que não fui.
segunda-feira, dezembro 01, 2003
E o frio continua, no Alentejo que já não é de ninguém. No meio da serra, onde dantes a moura Maia encantava príncipes cristãos atrevidos, no espaço que era verde e corava de vermelho-paixão, timida vergonha de ousadas ternuras, nasce agora uma casa-prédio, sem telhado, varanda algarvia, caixote urbano. A Maia chora. Oiço-a de noite, embalada na minha nogueira, lamentando a beleza que os homens destroem. A Maia sabe de um espaço de outrora, de quando os sentires tinham espaço de ser, de quando a sua fonte corria. Os homens estragaram tudo. Os homens continuam a estragar tudo. Até quando?...