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quinta-feira, janeiro 31, 2008

Eu estou habituada a trambolhões. Tenho dado muitos e, se fosse a queixar-me, teria assunto para um romance intitulado: Trambolhões, tropeções e arranhões! Mas hoje, ultrapassei tudo: - Trambolhei com o meu automóvel numa cratera!!
No meio da estrada, precisamente no momento em que eu, vinda do CCB, reparava no manto de prata que cobria o Tejo, exactamente quando estava a lembrar Camões e a imaginar o que diria se aparecesse uma tágide, pumba, caí num buracão! Além do susto, cair num buraco, coincidente com o choque na realidade, é doloroso, fiquei com o volante preso e não conseguia virar para a direita. Ainda se fosse para a esquerda, enfim, mas logo para direita que eu tanto prezo, é demais! Seguro, mecânico, e um ferro carunchoso doutra vítima da cratera presa na roda. Afinal, tudo se resolveu e o meu carrinho lindo, a minha amêndoa gigante como as minhas filhas lhe chamam, já está óptimo. Mas eu não estou. Fiquei irritada e revoltada. Estava uma manhã tão linda...

terça-feira, janeiro 29, 2008

Os meus últimos dias têm tido muito mais do que 24 horas. Hoje, foi um dia de tempo muito comprido: - aulas, preparar uma sessão de trabalho, tratar dos cães, do Dandy (não há leite para ele!!), correr tudo à procura de um suplemento, clube europeu, a Mariana com teste e mil dúvidas, ai Os Lusíadas..., roupa para passar, limpeza urgente no quarto da Joana, dança, textos semanais para entregar, monografia para ajudar , tipografia, textos do jornal para rever, ir à redacção para ajudar na primeira página. Agora, já passa das onze, já tomei duche, vim ver de mim. Queria um bocadinho para me lembrar que sinto, sou pessoa, mulher ainda por cima, preciso de me encontrar e me pensar!
Ouvi que foi embora o ministro da saúde, a da cultura também. Já vão tarde. Mas vão poucos. Bom seria terem dado boleia à senhora da educação e arrastarem o malfadado Valter Lemos!! E nem liguei muito, no meu dia comprido não houve tempo para vulgaridades!!

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Chama-se Dandy. Porque tem as crinas longas, corre solto, saltita e olha para mim, olhos de criança triste, tocando-me a alma. É o meu cavalo! Foi um presente. Presente querido, mais um bicho para me ocupar, para me fazer levantar cedo, para me ouvir nos momentos em que a vida mais me dilacera. O meu Dandy ainda não come. Dou-lhe biberão por um balde grande, tetina larga, e fico a vê-lo mamar enquanto o afago.
Dizem os entendidos que o Dandy se vai tornar num cãovalo... e eu ralada! Desde que ele cresça terno e cúmplice, pode até ladrar nos intervalos do relinchar feliz!!

sábado, janeiro 26, 2008

Tenho aqui juntinho a mim, acabado de chegar, o livro ACADÉMICA – A HISTÓRIA DO FUTEBOL que mandei vir da Almedina, em Coimbra. Vêm lá o meu Pai, o Dr. Armando Sampaio, o Dr. Amorim Afonso. Vem lá, em bom papel e com texto bem escrito, a história da Académica que é, também, uma História de Portugal. Peguei no livro e folheei-o com curiosidade e saudade. Acho que herdei as recordações do meu Pai, que ficaram minhas muitas das mil histórias que ele contava, sempre entusiasmado e feliz quando o assunto era Coimbra e a Académica. Não sei se, cientifica e legalmente, se podem herdar memórias, mas emocionalmente pode-se de certeza, porque as emoções são livres, e eu conheço Coimbra pela herança mágica que o meu Pai me deixou. No livro vêm fotografias, nomes que eu cresci conhecendo, factos que sei com mais rigor do que muitas das datas da História nacional que aprendi na escola. Mas, mais do que a ternura que eu sinto por Coimbra, mais do que a certeza de que o meu Pai haveria de ter gostado muito de folhear este livro fantástico, estas páginas fazem-me pensar no valor da amizade, na verdade das relações e na fé real em sonhos e projectos. A Académica, fundada por volta de 1837!, assentava na amizade verdadeira entre os alunos, os jogadores, os dirigentes e, em simultâneo, a relação estreita com a Universidade e a cidade de Coimbra. A Académica chegou a ganhar a Taça! Mas, muito mais do que isso, a Académica teceu vidas e criou laços eternos entre as pessoas. De que outra forma se poderia explicar o meu fascínio por uma cidade onde nunca vivi?! Foi o meu Pai, que sempre dizia ser Coimbra a sua segunda terra, que me ensinou a respeitar as suas velhas amizades, que, desde miúda, me levava às Reuniões de Curso onde eu sentia que a amizade era autêntica!
Lembro-me de, há uns anos, talvez já dezassete ou dezoito, ter ido a uma Reunião de Curso e ter levado as minhas filhas. A missa, sempre obrigatória, foi rezada pelo Sr. D. Eurico e, durante o almoço, um dos médicos, figura singular, num caloroso discurso, dizia –“ Vem Eurico! Despe as tuas vestes! Vem! Põe a capa que este Curso te oferece, despe as tuas vestes (…)”. A minha filha, então com quatro ou cinco anos, não mais esqueceu este discurso e, ainda hoje, por vezes lembramos a necessidade das pessoas despirem as suas vestes para aceitarem a capa da verdadeira amizade…
Olho o livro branco e preto e são mil imagens que desfilam diante de mim. Porque será que o espírito coimbrão, o espírito da velha academia, se perdeu, e, hoje, não é mais fácil encontrar a verdadeira amizade que ajudava a fazer Homens Bons, que moldava personalidades e formava caracteres? Folheio o livro e vejo gente nova a lutar por ideais. Onde estão os lutadores de hoje? Porque é que a verdadeira amizade se tornou rara, desconfiada, receosa de cumplicidades efectivas? Surgem-me imagens da minha escola, dos meus alunos, vejo-os a discutirem décimas na classificação dos testes, vejo-os a desconfiarem uns dos outros, vejo-os sem tempo para tudo aquilo que não signifique, de forma evidente e rápida, benefício próprio. Vejo-me a mim a desconfiar de quem me rodeia, a calar o que penso, a sorrir quando a revolta é demais, a dizer que sim quando discordo completamente, a desistir de projectos comuns e a pensar que devo preservar-me! Que horror! Preservar-me dos outros! Mas que mundo é este? Mas o que é que a realidade está a fazer com os afectos, com as partilhas, com os tecidos de emoções?
Não quero ser saudosista! Aliás, eu não queria nada voltar atrás! Mas quero, ou queria…, ser capaz de ter forças para confiar nos outros, para sorrir com verdade e para acreditar que ainda é possível existirem projectos comuns! Queria, muito!, ser capaz de incutir nos meus alunos o espírito que levava os jovens estudantes universitários de Coimbra a jogar futebol de graça, pela sua camisola apenas, para estarem juntos e ganharem por algo que era de todos! Hoje, o que encontro são jovens adeptos de grandes clubes, vencedores!, que discutem resultados sem sentirem a união por uma causa.
O livro chama-se ACADÉMICA – A HISTÓRIA DO FUTEBOL. Mas podia ser: Académica – A história da amizade!

terça-feira, janeiro 22, 2008

Ensino sempre aos meus alunos, naquela mania que tenho de partilhar gostos e sentires, que F. Pessoa viveu antes do tempo. Que o tempo dele ainda não existia, quando teve de respirar e ser gente. Hoje, olhando o Portugal que há, penso que, de facto, o tempo de Pessoa, esse tempo onde a inteligência faz sentido, a razão pesa e a idiotice é ignorada, ainda não chegou. Pior: - Começo a temer que não chegue nunca!!

domingo, janeiro 20, 2008


Chuva, humidade, água. Bristol! E Bath, fantástica!! Os banhos romanos, as ruas cheias de gente colorida, a surpresa curiosa nos olhares dos alunos. Cheguei de um mundo de diferenças, trago os pensares agitados, os sentires exaustos. Foi a viagem a Bristol.

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Sempre isto me acontece. Partida, com regresso marcado, faz-se de um misto de angústia e de esperança. Sei lá porquê, talvez apenas porque acredito em sonhos (tenho a certeza que se as fadas fossem à escola a educação em Portugal seria bem diferente!) sempre que parto, que deixo da vista o quotidiano, invade-me a esperança de que alguma coisa mude. Muda sempre o meu sono, de si instável, assaltam-me as insónias e, agora, de mala feita, sobra ainda tempo para me vir encontrar comigo. Gosto destes momentos de quase silêncio, só o vento lá fora me faz companhia, quando desfolho sentires e ouso impossíveis. Quando a minha alma lagóia faz acrobacias entre pensares e sentires.
Bristol. Quatro alunos, um desejo imenso de conhecer. Conhecer mesmo, fazendo pessoais as vivências, desenvolvendo competências.
Vou partir. E fica cá meia lagóia, um meio de mais de metade (a minha matemática sempre foi relativa), na escola, nos alunos que não levo e queria levar. Acho que é aqui que começa a minha angústia viajante: - na dor que o verbo deixar carrega. Always. Para ir acordando a língua da viagem...

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Gosto da chuva, do frio, de ficar aqui, no quentinho da minha salinha solitária, vendo o tempo chorar e praguejar lá fora. Gosto de cumplicidades. Destas, também!

sábado, janeiro 12, 2008

Não tenho voz. Não tenho paciência. Não tenho vontade de trabalhar. Tenho febre, tenho frio, tenho tristeza funda, tenho muito trabalho para fazer, tenho a casa a precisar limpa.
Porque será que os tenhos, para mim, são piores que os não tenhos? Para mim, até o Não é melhor que o Sim...

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Quase de partida, de novo. Agora, Bristol. Projecto de sonho (impossível?) que pretende aproximar as realidades das escolas desta Europa feita de tantas diferenças. Levo o João, a Ana, a Joana e a Inês. Vamos treinar a língua inglesa, conhecer outras realidades, visitar Bath e, parece..., participar num concurso de bowling!!! Nunca joguei bowling na vida e acho que, quando os ingleses cá vierem, vou pô-los a pegar uma vaca! Realidades diferentes é isso mesmo!! Ou não???

domingo, janeiro 06, 2008

O meu computador está a desfragmentar. Não sei lá muito bem o que é isso mas, pelos risquinhos coloridos que apresenta, percebo que está a fazer uma espécie de arrumação/ organização da cabeça dele. Está nisto há uma hora, deve ter uma cabeça muito desarrumada.
A mim apetecia-me ir para a cama ler "CAL", José Luís Peixoto, uma escrita forçada, cheia das marcas que a modernidade apregoa serem revolucionárias da escrita. Não aprecio, mas insisto em ler, esquecendo voluntariamente que ler é um acto de prazer, em nome da minha actualização profissional. Pois...
Mas o meu computador não me deixa ir para a cama porque nunca mais arruma, ou desfragmenta, o disco, ou a cabeça! Pensei aproveitar a onda e tentar desfragmentar a minha cabeça também. De caminho, os sentires. Mas desisti. Ia, com certeza, ficar acordada até de manhã...

sábado, janeiro 05, 2008

Não fumo, nunca fumei e até me incomoda bastante o fumo de quem insiste em fumar para cima de mim. No entanto, acho incrível a perseguição que o governo português está a fazer aos fumadores porque, creio, se o tabaco é uma droga mesmo, o dealer principal é o governo: - Vende-a, taxa-a, lucra com ela! Se querem de verdade acabar com o fumo, porque não acabam com o tabaco?! Se querem acabar com o excesso de velocidade, porque não impedem os automóveis de atingirem velocidades superiores a 120 km/h?! Estou farta de hipocrisias, de puritanos de trazer por casa, de gente com a mania da pureza!

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Os Reis Magos chegaram já ao Presépio de minha casa. Na era da internet, com as distâncias a deixarem-se vencer por um clic, não fazia sentido só chegarem dia 6. Por isso, arrumei tudo de novo na caixa dos sapatos que guardei no fundo do armário. Acabou-se o tempo festivo, as guloseimas, os exageros, a mesa sempre posta. Arrumei o Natal, limpei a minha casa, voltei à minha rotina solitária e boa. Não tarda vou sair, debaixo de chuva torrencial, muito vento e 4ºgraus de temperatura, para a dança que adoro. Vou ignorar por um bocado a angústia profissional que me invade, vou tentar não dar resposta ao desejo cada vez mais premente de fuga que experimento...

quarta-feira, janeiro 02, 2008

E dois já passaram. Não tarda muito será velho o ano novo. Com minúsculas, claro. Já se somam más notícias: - aumentos, encerramentos de mais serviços de saúde, reformas chorudas para ex-deputados com 50 anos de vida e um tacho bem pago, barbaridades (mais!) para a educação. Do champanhe ficou só a dor de cabeça, dos foguetes as lágrimas, da esperança o choque com a realidade.
Se as coisas estão cada vez pior, se vivemos mal, se as desigualdades se acentuam, se o nível de vida piora, se as escolas sofrem verdadeiros atentados ao bom-senso, se a saúde está a morrer, festejamos o quê?!

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