quarta-feira, novembro 30, 2005
Ficam estranhas as luzes brilhantes, de Natal, na minha alma de luto. Vejo os rostos iguais, os olhares vazios, os meus alunos ausentes de expectativas e não me apetece ornamentar o pinheiro, fazer o Presépio.
Natal devia ser época de Amor. E é tão época de desilusão...Queria acreditar que o Menino, feito doce e terna cumplicidade, nascia para mim.
Natal devia ser época de Amor. E é tão época de desilusão...Queria acreditar que o Menino, feito doce e terna cumplicidade, nascia para mim.
terça-feira, novembro 29, 2005
Para o mundo, hoje, a minha maior gargalhada de desprezo. Para ti, Amor, o eterno desejo de encontro. Para mim, apenas guardo as lágrimas que, salgadas, me corroem a alma.
sábado, novembro 26, 2005
O sol lavou a cara e, hoje, apareceu resplandecente. Acho que ele anda um bocado chateado com as pessoas. Todas. Então resolveu lavar-se, tentando dar-nos um bom exemplo. Duvido que resulte... Esta humanidade tem a porcaria entranhada na alma!
domingo, novembro 13, 2005
Chegou o frio. Veio embrulhado nas luzes do Natal anunciado, envolto no fumo das castanhas pretendendo ser o D. Sebastião. Encontrei-o firme, decidido, passeando na rua direita da minha cidade na tarde de São Martinho. Para o enganar, entrei numa taberna e bebi uma ginja. Ginjinha. Diminutivo doce... Ao pegar no copo, também ele copinho..., não resisti a tentar meter uma cunha ao frio para que congelasse, definitivamente, os meus sentires. O frio mostrou que não se vende.
Por isso, aqui estou, hoje, de novo envolta em mil sentires. Para me vingar tranquei a porta ao frio. Ele anda lá fora, límpido, sacudindo a nogueira e pondo gotinhas de humidade nos vidros da minha janela.
Por isso, aqui estou, hoje, de novo envolta em mil sentires. Para me vingar tranquei a porta ao frio. Ele anda lá fora, límpido, sacudindo a nogueira e pondo gotinhas de humidade nos vidros da minha janela.
domingo, novembro 06, 2005
Está chegando ao fim mais um fim de semana. Foi um tempo diferente. Feito de quebra-rotinas, elas mesmo rotineiras. Agora, noite a chegar de mansinho, volto para a minha solidão e espreito, com medo, o amanhã a chegar.
O meu país está um caos, o mundo está louco e eu queria, apesar de tudo, compreender os homens, as pessoas. Porque é que há tanta gente com falta de coragem para ser feliz? Porque é que há tanta gente que insiste em complicar a existência?
Se eu pudesse...
O meu país está um caos, o mundo está louco e eu queria, apesar de tudo, compreender os homens, as pessoas. Porque é que há tanta gente com falta de coragem para ser feliz? Porque é que há tanta gente que insiste em complicar a existência?
Se eu pudesse...
sexta-feira, novembro 04, 2005
Tenho uma bombonière (galicismo doce) cheiinha de mon chéri...Olho-a e resisto. Há a dieta, a norma, a necessidade de parecer menos mal aos olhos alheios. É chata a vida. Sobretudo, é incómoda a presença dos outros. Se eu fosse autêntica, coerente, exemplar, despejava a bombonière numa tarde. Assim, porque sou só mulher, vulgar, igual a muitas iguais, vou escondê-la para resistir à tentação.
É tão difícil resistir às tentações...
É tão difícil resistir às tentações...
quarta-feira, novembro 02, 2005
Um dia, vai deixar de ser assim. Um dia, vou partir. De vez.
Um dia, a minha história será contada no pretérito perfeito (ainda que transbordando de imperfeição). Um dia, eu vou puxar as orelhas à vida e fazê-la cumprir-se a meu gosto. Um dia, vou temperar a minha existência com chocolate quente. Do grosso, transbordando calorias.
Um dia.
Um dia, a minha história será contada no pretérito perfeito (ainda que transbordando de imperfeição). Um dia, eu vou puxar as orelhas à vida e fazê-la cumprir-se a meu gosto. Um dia, vou temperar a minha existência com chocolate quente. Do grosso, transbordando calorias.
Um dia.
Novembro. É um mês feio, cheio de fumo, de mãos sujas de castanhas, almas pegajosas de humidade. É um mês, também, por antítese?, prenhe de futuro a haver: - o Natal, o Ano Novo. Para mim, é mais um mês de evidências impossíveis de suportar.
Novembro. Chove na minha alma. Afogam-se as esperanças mais resistentes...
Novembro. Chove na minha alma. Afogam-se as esperanças mais resistentes...