quarta-feira, agosto 31, 2005
Está a acabar-se o mês de Agosto. Agora, é preciso voltar a olhar a vida de frente, acabou o tempo de fingir existências felizes.
A vida são dois dias - dizem para me animar. Pois. Só que Agosto são 31...
A vida são dois dias - dizem para me animar. Pois. Só que Agosto são 31...
domingo, agosto 21, 2005
Afinal, parece que havia razões para decretar calamidade. Só que, vá lá uma pessoa perceber porquê..., o senhor Costa, que nem sequer é do Castelo nem vale ponta de uma ameia, estava à espera de saber se este ano se batia o record do perigo! E não é que se bateu?
O homenzinho hoje estava feliz, na sua pele de ministro de muito má qualidade, garantindo que, em 2005, houve três dias mais de risco máximo de incêndios do que em 2003/4.
Ah! Grande país que bate recordes!!!
O homenzinho hoje estava feliz, na sua pele de ministro de muito má qualidade, garantindo que, em 2005, houve três dias mais de risco máximo de incêndios do que em 2003/4.
Ah! Grande país que bate recordes!!!
quarta-feira, agosto 17, 2005
New York. E tudo se transforma! As ruas ganham novo colorido, as raças misturam-se, os cheiros confundem-se e os sonhos encolhem-se perante a surpreendente realidade. Sinatra vem de longe, de um mundo que é só dele, provocar passos de dança no passeio cosmopolita. Neva. Agora neva muito e os fumos abrem avenidas de odores que se cruzam sem se misturarem. Há muitas luzes, brilho, néons e montras tentadoras. Na esquina há miséria também. Por isso, dobram-se esquinas e olha-se em frente. É NY!!
sábado, agosto 13, 2005
CONTRASTES
Chama-se Beatriz. Um destes dias, no meio do campo guardando cabras, viu tudo encher-se de fumo. As cabras, conta ela, pensaram que era de noite e ficaram aflitas. Ela, mais esperta nos seus seis anos, percebeu o perigo do fogo e, a correr, trouxe as cabras de volta para casa. Chegou e viu tudo cercado de lume. Os pais, com baldes, gritos e mangueira, tentavam manter as chamas afastadas e a mãe disse-lhe que, a correr, levasse a avó para longe.
A avó da Beatriz, já velhota, mexe-se com dificuldade e, enquanto chegava à porta da rua, a Beatriz correu a salvar o periquito e a bola azul. Depois, pedindo à avó que se esforçasse para andar um pouquinho mais ligeira, a Beatriz levou os seus tesouros para longe de casa. Nos olhos grandes da menina as chamas teciam fantasmas e medos. Os gritos da mãe enchiam-lhe a cabeça e o medo fazia-a agarrar com mais força ainda a bola azul, a gaiola do passarinho e a mão rugosa da avó velhinha.
Quando voltou para casa, depois de ter deixado o periquito voar para longe do fogo, a Beatriz viu que a noite tinha ocupado o seu espaço. Em vez do verde da mata, das agulhas dos pinheiros, só havia cinzas, fumo, negro mais escuro que o luto eterno da velha avó. A Beatriz mora em Carrazedo de Cabogueiro, concelho de Vila Pouca de Aguiar. A Beatriz é portuguesa.
Chama-se José Sócrates. Um destes dias, no meio da vasta savana africana, acordou com o horário dos animais selvagens, regozijou-se com a presença dos filhos bem perto e espreitou a rua. Era uma planície a perder de vista, pintada de raios laranja de um sol jovem, acabadinho também de despertar. Sem fazer ruído, chegou à porta do Hotel de Luxo e viu as zebras que, ali perto, iniciavam o dia. Ao longe, ouviu os elefantes e, satisfeito, pensou que com certeza iria ter a sorte de os observar em breve. Os filhos levantaram-se, também eles seduzidos pela magia de África. Lindo! Era o cenário de África Minha, pensava ele, lamentando que a idade dos filhos não lhe permitisse partilhar a recordação. O pequeno almoço de frutos exóticos, leite fresco, sumos variados, ajudou a reforçar a boa disposição. Esperava-os um dia intenso: - Passeio de jipe, safari fotográfico e, à tarde, um voo em balão para, da tranquilidade dos céus, observar a selva e os seus habitantes.
Fantástico estar no céu. No céu silencioso, sem o ronronar dos motores dos aviões que tão bem conhecia. Ali tudo era perfeito: - as cores, os odores, os olhares. Colocou o largo chapéu, ajeitou a toilette caqui, bem a propósito, verificou a presença dos repelentes de insectos e saiu para mais um dia perfeito. De férias. De lazer excepcional. José Sócrates vive em Lisboa, quando não está em férias no Quénia, ou viajando pelo mundo em nome do país. José Sócrates também é português.
Olho as duas realidades e, porque sou portuguesa também, não consigo perceber a intensidade do contraste. Não condeno o primeiro ministro português por fazer férias. Talvez as mereça, qualquer cidadão as merece. Mas, no entanto, faz-me confusão que com o país no fundo do pântano, com a crise a crescer todos dias, com as florestas a arderem e pessoas a perderem tudo, incluindo a vida, o primeiro responsável pelo governo do país esteja... no Quénia! Se a situação não fosse tão dramática, até seria capaz de achar graça à escolha do destino de férias. Afinal, cada um escolhe os lugares com que se identifica e, quem sabe?, é no meio das feras que José Sócrates está habituado a viver.
A aumentar o meu espanto, a fazer crescer a minha indignação, vem o ministro da administração interna dizer que está tudo bem, que não há razões para se declarar o estado de calamidade. Será que o Portugal do governo é o mesmo dos outros portugueses?
Duvido...
Chama-se Beatriz. Um destes dias, no meio do campo guardando cabras, viu tudo encher-se de fumo. As cabras, conta ela, pensaram que era de noite e ficaram aflitas. Ela, mais esperta nos seus seis anos, percebeu o perigo do fogo e, a correr, trouxe as cabras de volta para casa. Chegou e viu tudo cercado de lume. Os pais, com baldes, gritos e mangueira, tentavam manter as chamas afastadas e a mãe disse-lhe que, a correr, levasse a avó para longe.
A avó da Beatriz, já velhota, mexe-se com dificuldade e, enquanto chegava à porta da rua, a Beatriz correu a salvar o periquito e a bola azul. Depois, pedindo à avó que se esforçasse para andar um pouquinho mais ligeira, a Beatriz levou os seus tesouros para longe de casa. Nos olhos grandes da menina as chamas teciam fantasmas e medos. Os gritos da mãe enchiam-lhe a cabeça e o medo fazia-a agarrar com mais força ainda a bola azul, a gaiola do passarinho e a mão rugosa da avó velhinha.
Quando voltou para casa, depois de ter deixado o periquito voar para longe do fogo, a Beatriz viu que a noite tinha ocupado o seu espaço. Em vez do verde da mata, das agulhas dos pinheiros, só havia cinzas, fumo, negro mais escuro que o luto eterno da velha avó. A Beatriz mora em Carrazedo de Cabogueiro, concelho de Vila Pouca de Aguiar. A Beatriz é portuguesa.
Chama-se José Sócrates. Um destes dias, no meio da vasta savana africana, acordou com o horário dos animais selvagens, regozijou-se com a presença dos filhos bem perto e espreitou a rua. Era uma planície a perder de vista, pintada de raios laranja de um sol jovem, acabadinho também de despertar. Sem fazer ruído, chegou à porta do Hotel de Luxo e viu as zebras que, ali perto, iniciavam o dia. Ao longe, ouviu os elefantes e, satisfeito, pensou que com certeza iria ter a sorte de os observar em breve. Os filhos levantaram-se, também eles seduzidos pela magia de África. Lindo! Era o cenário de África Minha, pensava ele, lamentando que a idade dos filhos não lhe permitisse partilhar a recordação. O pequeno almoço de frutos exóticos, leite fresco, sumos variados, ajudou a reforçar a boa disposição. Esperava-os um dia intenso: - Passeio de jipe, safari fotográfico e, à tarde, um voo em balão para, da tranquilidade dos céus, observar a selva e os seus habitantes.
Fantástico estar no céu. No céu silencioso, sem o ronronar dos motores dos aviões que tão bem conhecia. Ali tudo era perfeito: - as cores, os odores, os olhares. Colocou o largo chapéu, ajeitou a toilette caqui, bem a propósito, verificou a presença dos repelentes de insectos e saiu para mais um dia perfeito. De férias. De lazer excepcional. José Sócrates vive em Lisboa, quando não está em férias no Quénia, ou viajando pelo mundo em nome do país. José Sócrates também é português.
Olho as duas realidades e, porque sou portuguesa também, não consigo perceber a intensidade do contraste. Não condeno o primeiro ministro português por fazer férias. Talvez as mereça, qualquer cidadão as merece. Mas, no entanto, faz-me confusão que com o país no fundo do pântano, com a crise a crescer todos dias, com as florestas a arderem e pessoas a perderem tudo, incluindo a vida, o primeiro responsável pelo governo do país esteja... no Quénia! Se a situação não fosse tão dramática, até seria capaz de achar graça à escolha do destino de férias. Afinal, cada um escolhe os lugares com que se identifica e, quem sabe?, é no meio das feras que José Sócrates está habituado a viver.
A aumentar o meu espanto, a fazer crescer a minha indignação, vem o ministro da administração interna dizer que está tudo bem, que não há razões para se declarar o estado de calamidade. Será que o Portugal do governo é o mesmo dos outros portugueses?
Duvido...
Arde o país, morrem portugueses, choram povoações. O primeiro ministro está no Quénia. Ah! E não haver um elefante que o esmague...
quarta-feira, agosto 10, 2005
Parece que Mário Soares vai mesmo ser candidato a Presidente da República. E, se calhar, ganha... Porque Portugal não avança, vive agarrado ao passado, não tem horizontes de futuro. Portugal é o resultado de uma birra de menino mal educado. Como diz o povo - A culpa foi de D. Afonso Henriques!
E, depois, ainda se surpreendem quando eu digo que a EDUCAÇÃO é fundamental.
O pior, é que não existe educação, pensada, planificada, inteligente, nesta terra triste que se chama Portugal.
E, depois, ainda se surpreendem quando eu digo que a EDUCAÇÃO é fundamental.
O pior, é que não existe educação, pensada, planificada, inteligente, nesta terra triste que se chama Portugal.
quarta-feira, agosto 03, 2005
Ela fechou a porta devagarzinho. Não queria assustar a osga gorda e velha que, há anos, morava por detrás da luz da porta de entrada. Não queria, também, despertar os fantasmas que a assaltavam de noite vestidos de solidão e medo, de adeus e nadas. Não queria, ainda, acordar os desejos que, tranquilizados por uma novela boa da tv, não a perturbavam.
Ela queria, só, isolar a sua essência e enfiar-se na cama larga, com o livro quase terminado, guardada pelo Cristo sem braços que sempre a acompanhara.
Amanhã. Seria um outro dia. De solidão talvez, de horas quentes mascarando o gelo que lhe embrulhava os sentires.
Era Verão. Mesmo!
Ela queria, só, isolar a sua essência e enfiar-se na cama larga, com o livro quase terminado, guardada pelo Cristo sem braços que sempre a acompanhara.
Amanhã. Seria um outro dia. De solidão talvez, de horas quentes mascarando o gelo que lhe embrulhava os sentires.
Era Verão. Mesmo!
Entro na água devagarinho, sem assustar os pardais que, gulosamente, enchem o papo oscilando na beira do comedouro. As rãs, felizes com o sol intenso, coaxam no tanque de cima; o smart, irritado, vira-me as costas abrigado na sombra da cadeira. Nado devagar, olhando o mundo. É bonito. Não me atrevo a olhar para dentro de mim. Ia destoar.
Vi o Pégaso, de asas bem abertas, contornando o ponto verde. Ele sentiu-me. Levantou a cabeça, sacudiu as crinas, quase posso jurar que sorriu para mim. Da minha janela, pedi-lhe que me levasse. Para longe, muito longe, e nunca mais me trouxesse de volta. Ele foi embora. Sozinho.
segunda-feira, agosto 01, 2005
Ela estava linda. Os olhos húmidos, o véu romântico, o vestido sensual, a maquilhagem discreta completavam o quadro da verdadeira felicidade. As mãos tremiam e ela olhava-me, ansiosa, permitindo-me descobrir o mesmo olhar que pedia colo e mimo há alguns anos. Depois, saimos para o sol e a Igreja recebeu-a florida. O Pai deu-lhe o braço que tremia. Ela avançou, o coro acompanhava-a, ele aguardava no altar. A cerimónia foi intensa, mágica. Eu senti ali o meu Pai Querido, sorrindo para ela também. Ouvi a minha menina afirmar, voz sonora e decidida, a sua certeza de mulher.
À noite, abraçando-me com força, murmurou "Mãe, sou a mulher mais feliz do Mundo!".
Que Deus a conserve assim! - Pedi sem saber rezar...
À noite, abraçando-me com força, murmurou "Mãe, sou a mulher mais feliz do Mundo!".
Que Deus a conserve assim! - Pedi sem saber rezar...