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segunda-feira, janeiro 29, 2007

Ainda não aterrei completamente. Chegou o corpo, com cabeça e tudo, vieram as malas com roupa suja e presentes. Falta voltar a alma, a montanha dos sentires, a calma nos pensares. Estou ainda vendo os canais, pasmando face ao preço acessível dos charros e dos chupa-chupas de cannabis. Continuo sentindo a ondulação dos mais de 100 quilómetros de canais que embalam os meus sentires. Tu estás comigo. Lá e cá. Sinto a presença ausente, o não-ser que existe só para mim, me aquece o coração e se instala no canto mais reservado da minha emoção.
Ainda estou por Amesterdão.
E não me apetece nada voltar...

Voltei. Trouxe a alma lavada, os sentires exacerbados e a cabeça a rebentar do desejo de não ser portuguesa, de não fazer parte deste país onde se esperam 40 minutos pelas bagagens de um avião...
Amesterdão. A cidade de todos os possíveis, dos impossíveis também!

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Salsa, forró, a noite fria a escaldar. É sempre assim, 2ªs e 4ªs. São as MINHAS noites fantásticas da semana. Depois, duche e sono cansado, dos justos dizem. Acho sempre que os injustos devem dormir melhor, não podem ter consciência!
Em Amesterdão não haverá salsa. Forró, tango, valsa tampouco. Mas apetecia-me dançar lá, abraço ondulante nas águas dos canais...
É amanhã. Penso sempre que posso não voltar. E se o avião cair? Vou ter saudades. De coisas e gentes!

Camões, o Príncipe dos Poetas, é um poeta rap. E no palco a artista faz-se poema, sonetos, yeh. O Homem que Portugal maltratou, aquele mesmo que deixou morrer na miséria, o autor do fantástico livro de aventuras de mar, guerra e muitos amores, surge actual. Sempre! Como actual é este país, Portugal infeliz, que hoje, como há 500 anos, maltrata os portugueses de génio, premeia a mediocridade, investe no nada.
Tarde de sala esgotada, jovens de nariz e bochechas pintadas do vermelho frio, olhares brilhantes. Camões é um poeta rap?! E cantam, Cantando espalharei por toda a parte yoh, Se a tanto me ajudar o engenho e arte-yeh, e eu quero perguntar onde está o engenho hoje, o que fizeram da arte que parece não ter lugar na escola. Mas não pergunto. Eles estão entusiasmados, eu também, Alma minha gentil que te partiste yoh, tão cedo desta vida descontente yeh...

domingo, janeiro 21, 2007

Estou já na contagem decrescente: faltam 4 dias! 5ªfeira, depois de dadas as aulas da manhã, vou viajar para Lisboa e entrar no avião com a alma encolhida. Tenho sempre medo! Medo inconsciente, tendo consciência disso. Eu, eu que tantas vezes desejo a morte, o fim, o sossego de não ser, a paz de não existir, tenho medo de voar... Faz-me impressão não poder abrir as janelas, enervam-me os avisos para manter o cinto apertado, irrita-me o espaço exíguo a que fico confinada. Mas, ao mesmo tempo, gosto de ir, de sair, de fechar a porta ao quotidiano e entrar em diferentes realidades. (Eu e as minhas contradições!!)
Amesterdão. É uma palavra gorda, cheirosa também. Rima com perdão. Com emoção também. Terei por lá perdão para a minha intensa emoção? Seria uma viagem-poema...

quarta-feira, janeiro 17, 2007

... e quando o Amor se faz transgressão. É bom mesmo!

terça-feira, janeiro 16, 2007

Tenho horror ao erro ortográfico. Faz-me mal, provoca-me azia nos sentires, tolda-me os pensares, escurece-me o ser! Há quem diga que é defeito profissional. E eu não acredito! É gosto de falar a língua dos escritores que admiro, respeito. É orgulho numa essência feita Torga, Pessoa, Camões.
Completamente indiferente aos meus sentires, fazendo coro com a vida, o erro ortográfico insiste em fazer-se presente... Num impresso oficial, de escola, em vez de itinerário lê-se itenerário; em vez de às, ás... Eu corrijo. Com fúria! Com a fúria intensa com que protesto contra a ausência dos sentires (ainda que pensados) nas teias que fazem comunicação. De nada serve.
O efeito é o de uma aspirina efervescente: engana a dor forte, mas fica a moinha.
Tenho uma moinha n'alma que me mói, mói, e mói. Irei ficar em farinha de existir? Bem amassada darei algum ser socialmente correcto?

domingo, janeiro 14, 2007

Nos últimos tempos, sinto-me perdida no mundo que integro (ou não?), pasmo perante o que considero aberrações, apetece-me gritar a plenos pulmões face a factos da vida, infelizmente…, real. E porque estou incomodada, e se calhar também porque já não tenho forças para lutar contra a humanidade, resolvi aliviar aqui a minha revolta.
É que me incomodam tantas coisas…
Incomoda-me o olhar de muita gente. Gente da minha terra, de olhar de suspeição, provocando “movimento excessivo aos olhos”. Gente que parece existir para condenar, para criticar, para opinar e discordar. Não suporto mais a mania de gente que desaprendeu a conversa e que entende uma opinião diferente como uma afronta. Tenho saudades de poder conversar. De discordar, de concordar, de ouvir e de pensar.
Incomoda-me, e tanto que me faz doer por dentro, o referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, vulgo aborto. Não percebo porque razão temos de voltar a referendar algo que já o foi. Incomoda-me esta esquerda manhosa que só valida a vontade popular quando é coincidente com a sua própria vontade! Sou mulher, pessoa, humana. Tenho filhas. Sobrinhos. Terei netos, espero. Não compreendo como pode um país permitir, pagar, o crime que é matar um ser vivo que não pediu para nascer. Incomodam-me os cartazes que apresentam o crime como vivências de liberdade no feminino. Incomoda-me que em Portugal haja anticoncepcionais que não são comparticipados e o estado português se disponibilize para comparticipar o acto de matar! Nestes últimos dias sinto um aperto n’alma. Como se um garrote social me estrangulasse os mais profundos sentires!
Incomoda-me a solidão dorida que leio nos olhares invernosos a recolher o sol tímido de Inverno debaixo do velho plátano.
Incomoda-me a certeza de que há crianças sem colo, sem mimo, sem ternura.
Incomoda-me, muito, a hipótese de não poder realizar visitas de estudo com os meus alunos por eles não terem como pagar os transportes que eu defendo deverem ser gratuitos.
Incomoda-me a solidão que dói agora, no meu espaço, atenuada pela presença do Smart, pelo ladrar do Fred, pelo saltitar dos melros, gordíssimos!, no parapeito da minha janela.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Em breve vou de novo entrar no avião que tanto me assusta! Desta vez o rumo é Amesterdão, as ruas líquidas, as cores cheirosas, as liberdades excessivas. Levo a alma vazia, escura e triste, e quero enchê-la de possíveis, de cor e de fé na vida. Quero passar os canais sem me lembrar que os rios morrem no mar, ao pé do Fado. Quero entrar no hotel com tulipas nas mãos, sem sentir o cheiro da droga. Quero encher o meu copo de vinho e celebrar a vida. Quero fazer a noite comprida na prática do amor de sonho! Quero voltar, com um novo carregamento de memórias para desfolhar...

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Dói-me a cabeça. Dói-me terrivelmente a cabeça. Como se o facto de ela existir a fizesse mágoa. Dói-me a cabeça e o pensar, faz-se solidário o sentir. Se eu pudesse, se fosse capaz, vivia sem cabeça, sem pensar e sem sentir. Nem sentires!

domingo, janeiro 07, 2007

Uma semana já lá vai. Não tarda vamos estar a festejar a chegada de 2008! Será que antes vai ser possível festejar o desaparecimento deste governo horroroso que manda em Portugal? Era mesmo bom...

quinta-feira, janeiro 04, 2007

A noite esfriou, o sono não chega. Chegam as recordações, as saudades, o passado a fazer-se presente recusando entrar no mundo do esquecimento. E lembro outras noites assim, de inverno e lua cheia, quando um abraço forte me aquecia o corpo, anestesiava os medos e embalava os sonhos.
Que bem ter o que recordar! Funciona, também, como adubo de possíveis a quererem ser presente.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Recomeçaram as aulas, a rotina, o quotidiano que este país insiste em vestir de desilusão.
Sei lá porquê, talvez mesmo por coisa nenhuma, não desisto do sonho e imagino as concretizações feitas de acreditar. São projectos novos, desafios e provocações, formas de fazer crescer sorrisos e tornar vivas as aprendizagens.
Eu tenho um sonho...

terça-feira, janeiro 02, 2007

Já é dia 2. Ou ainda é só dia 2. É uma mistura de querer ver o tempo passar e, ao mesmo tempo, ter pavor do que está para vir. Ah! Se eu pudesse cristalizar os momentos dos sentires, os instantâneos de felicidade...

segunda-feira, janeiro 01, 2007

Já passou. Foi-se o ano velho, chegou o Ano Novo e, tal como se esperava, o mundo ficou igual.
O que quer dizer que, apesar das passas, do champanhe, dos bolos rei e rainha, dos desejos, das intenções, das promessas, a vida vai continuar a cumprir-se num fazer de pequenas coisas que nos fazem rugas na alma. E não só...
Está aí o 2007. Bem vindo!

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