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domingo, junho 29, 2008

O CDS-PP propõe a formação de socorristas até ao 9º ano, até ao fim da escolaridade obrigatória. Se a minha avó fosse viva, diria Falta de assunto, abanando a cabeça. Eu concordo com ela. Não conhecerá o CDS-PP a verdadeira realidade da actual escolaridade mínima obrigatória?! Não será mais importante defenderem que os jovens portugueses aprendam a ler, interpretar, escrever, contar e pensar? Se calhar não.
Se calhar, aos políticos de hoje, interessa que não se pense... Porque quem pensa questiona, critica, exige!
O PCP e o BE continuam a apregoar a defesa do operariado. Só que já não há operários. Não terão ainda percebido que o mundo mudou? Se calhar não.
O PS continua a anunciar grandes obras e a sufocar a classe média. Não saberá que assim o país vai de mal a pior? Se calhar não.
O PSD diz que vai ganhar as próximas eleições. Será que não sabem que já ninguém vai atrás dos barões da velha política?! Se calhar não.
E se os portugueses acordassem e percebessem que a política, a sua prática, os protagonistas, têm de mudar completamente? Não seria boa ideia? Se calhar sim.

sexta-feira, junho 27, 2008

A velha parede já não tem vinha virgem. Agora, imitando o vulgar, está toda caiadinha, mal disfarçadas as cicatrizes de anos de vinha a cobri-la, parecendo triste aos olhos da minha memória roubada. Dantes, o velho muro estava todo coberto da vinha avermelhada, folha frágil e comprida, mudando de tons e sempre sugerindo um quadro impressionista. Quando eu era pequena, quando tinha como refúgio a janela do sótão, passava a uma distância considerável da vinha densa. Imaginava que lá viviam duendes, gnomos minúsculos que passeavam montados nos lombos gordos das lagartixas, e afastava-me procurando manter-me segura, porque nunca simpatizei com répteis, mas também porque não queria que a realidade destruísse o meu sonho de gnomos felizes. Os répteis mantiveram-se, aos gnomos perdi-lhes o rasto.
Então, naquelas noites que o Verão fazia compridas, com os adultos sentados nas cadeiras de lona copiadas de Biarritz (hélas!), eu ficava calada tentando perceber porque havia aquela hera diferente de ser chamada de vinha virgem. Imaginava que seria vinha por dar umas baguinhas pequenas, em cachos, que, embora não se comessem, lembravam uvas. Virgem? Creio que não terei nunca descoberto o porquê.
Hoje, quando já não há duendes e depois de terem arrancado a minha vinha diferente, penso que talvez fosse virgem por crescer sem mão de homem, livre, trepando pelos muros e cobrindo-os com luxúria até. Dantes, a vinha virgem era apenas mais um traço de cor nas minhas referências. Marcava o tempo com cores diferentes, escolhia roupagens de luxo e, no meio dela, o meu Pai encontrou um dia um pirilampo que nos mostrou. O pirilampo também devia ser virgem, tinha luz própria, não precisava da EDP para nada. Então, miúda, lembro-me de fechar as mãos em concha para ver o bichinho brilhar. Hoje, mesmo com as mãos abertas e o sol intenso, não vejo nada que brilhe… quando a vinha virgem cobria o muro velho, eu era pequena e existir fazia sentido. O amanhã era certo, havia quem tomasse conta da minha existência e só os meus sonhos e dúvidas eram responsabilidade minha. Nesses tempos, no Verão, punha-se a televisão na rua e ficava-se a ver qualquer coisa só para ocupar o tempo. A vinha virgem ficava a ver-nos, as lagartixas iam dormir e só as osgas, gordas e atarracadas, saíam para nos espreitar na parede de casa. Eu tinha medo delas (ainda tenho…) mas sempre ouvia a mesma observação: - as osgas não fazem mal! Comem os bichos!. Os bichos eram as melgas que davam picadas violentas! Nesse tempo, quando o velho muro ainda não se tinha armado em fino vestindo-se de cal amarela, voavam rentes os morcegos a que eu chamava ratos com asas. O meu Pai dizia para não fazermos barulho e contava que por causa deles tinham descoberto os radares. Eu achava que era brincadeira. Como podiam uns bichinhos tão feiosos inspirar alguma coisa?! Um dia, o Dr. Falcão apanhou um morcego na sala dele, meteu-o num frasco e chamou-nos para o vermos. Dizia que era muito macio, mas eu não lhe toquei.
Quando havia vinha virgem na parede comprida das minhas memórias, a minha existência fazia sentido, o amanhã era apenas o dia a seguir a hoje.
Agora, já não há vinha virgem na velha parede. Já não há certezas, já não há quem explique como é que os morcegos inspiraram os radares. Agora, a minha alma é um muro velho, esburacado, com marcas de muitas vinhas virgens que alguém foi arrancando com violência. Agora, o amanhã é um ponto de interrogação gigantesco que me faz contar acordada os minutos das noites de Verão. Agora, as cadeiras que imitavam as de Biarritz estão vazias. Agora, eu temo muito mais do que as lagartixas que transportavam os gnomos. Agora, bem mais feiosa do que os morcegos em voo rasante, é a realidade do meu quotidiano!
Porque é que arrancaram a vinha virgem deixando sulcos na minha existência?

quarta-feira, junho 25, 2008

Esta modernidade que integra mails e computadores, está a tornar-se incómoda e invasora! Hoje, por exemplo, a par com as muitas anedotas e power points que me enviam, entrou na minha caixa de correio electrónica legislação humilhante, revoltante, nojenta! Entrou, sem eu a ter pedido, a legislação para os concursos para professores titulares e, de companhia, alguns modelos das famigeradas grelhas de avaliação.
É deprimente! Como pode tanta estupidez sair sob a forma de legislação?! Como é possível que uma anormal duma mulher, com uma equipa de nulidades, esteja a destruir a educação e ninguém reaja?! Eu nunca fiz greves. Mas, agora, sinto-me capaz até de pegar em armas! Detesto este governo, revolta-me viver em Portugal. Prezo demais a minha profissão, respeito demais os meus alunos, para poder aceitar de braços cruzados as mudanças impostas! Vou continuar a tentar ir embora...
Eu preciso de viver num espaço onde a Poesia seja possível, onde o sonho exista, onde aprender e ensinar aconteça num processo de cumplicidades, articulando emoções e ciência, descobertas e saberes! Portugal já não sabe a mar. Agora, Portugal sabe mal!!

segunda-feira, junho 23, 2008

São João! A minha cidade festeja em grande e, hoje, achei as ruas lindas de verdade. Cheira a sardinhas e a fumo, mas há uma atmosfera humana diferente.
De repente, vi-me no arraial, ausência-presente, e soube-me bem. Como não gosto de sardinhas, andava por ali, com saudades do eu que não sou, imaginando o eu que poderia ser. São João, no Altar, olhava-me de soslaio. Tem razão, ele. Eu não sou de fiar, a minha imaginação faz uma combinação perigosa com os meus sentires. Se é que é perigoso ousar...

domingo, junho 22, 2008

Entre vigilâncias de exames e provas para corrigir, ofereci-me uma tarde inteira de piscina e silêncio. Conversei comigo, ouvi o cuco, vi os pardais, entretive-me a ver a gata castanha a caçar gafanhotos. Enchi-me de sentidos para a vida que acho não ter sentido nenhum!

quinta-feira, junho 19, 2008

Deve estar Portugal inteiro, ou quase..., a ver o futebol. Eu não. Quero lá saber dos golos, do miúdo que ganha milhões ou do Scolari agente da CGD! Quero lá saber desta loucura esquisita de janelas enfeitadas com bandeiras de pagodes chineses! Eu queria mesmo era um país a sério. Um espaço onde ousar fosse possível, onde sobreviver não fosse uma dolorosa rotina diária.
Queria um país que, mesmo sem selecção, não tivesse de ouvir o Presidente da República dizer que é preciso comprar jactos novos para os dirigentes viajarem... Então os ditos fulanos, ainda por cima de qualidade duvidosa e eficácia inexistente, não podem viajar nas rotas comerciais?! Em Estocolmo, os deputados vão de bicicleta para o Parlamento e apenas a Primeira-ministra tem direito a carro do estado. Será a Suécia mais atrasada do que nós? Mais pobre? Menos prestigiada?
Futebol e golos. Sardinhas e fogueiras. Fátima nos intervalos. Somos isto! que desespero!!

terça-feira, junho 17, 2008

Buscando a Fé, procurando a Paz que me faz falta, revivendo memórias, fui a Fátima hoje. Entrei na Igreja nova, enorme, sete mil pessoas sentadas - garantiram- e vi o Cristo no altar. Horrível! Tem mãos de mongol, pés de bicho, nariz de timorense, cabelos de australiano, cor de selvagem. Chocante e horrível! Gosto do meu Cristo homem, de olhar firme, lindo, convidando à confiança e ao abraço. Este assusta! Depois, desiludida, visitei as mais de vinte capelas do subsolo. Ambiente silencioso, menos espírito de vendilhões, senti-me bem. Sentei-me, conversei com o meu Cristo, pedi ajuda, pedi Fé e forças. Pedi coragem para aceitar o que não posso mudar. Pedi Amor.
Na Capelinha das Aparições assisti ao final da Missa. Vi uma exposição infantil, o pastorinho Francisco era o motivo, e ri-me com uma quadra: " O francisco era bonzinho/Era um lindo e bom menino/O francisco era simpático/ E por isso ficou mediático". O autor tem 8 anos. Gostei da relação entre simpatia e mediatismo e, com força, proibi-me de pensar no que estamos a fazer aos nossos miúdos.
Depois, almoço bom na Tia Alice.
Voltei à minha cidade mais cansada. Mas um pouco mais calma. Talvez...

Choveu de manhã. Choveu chuva chata, intensa, obviamente molhada, fora de tempo também. Soube-me bem a chuva! Encharcou-me as calças de linho enquanto lavava o canil, molhou-me os cabelos a caminho da bica, mas lavou-me a alma e enxaguou o dia. Se viesse um dilúvio, dava jeito. Há porcaria de mais por aí!

domingo, junho 15, 2008

Que loucura de ritmos! Ballet, capoeira, danças de salão, paso doble, tango, karaté, jive... Uma tarde de música, de nervoso misturado entre idades diferentes, da Universidade Sénior aos pequeninos bailarinos de 3 e 4 anos. Foi a Festa da Escola de Dança e nós, o grupo do Ao Ritmo da Dança, lá estivemos ao som de Espanha, palmas, batidelas de pés e voltas ousadas. Na sala, 750 pessoas atentas. Fotografias, aplausos e, no intervalo, uma fuga para uma imperial. Vi-me de flor no cabelo, de meias de buraquinhos, e não era eu. É bom fazer de conta, criar outro eu e trocar o ritmo monótono da vida...

sábado, junho 14, 2008

Nos teus Olhos me Canso

Para o Miguel. Ele pediu!

Encosta-se ao sobreiro rugoso, estica os pés de botas grossas calçados e desfia a vida. Ao lado, bem perto, língua pendurada, o cão olha-o na companhia muda que há anos lhe faz. Está calor, calor excessivo, porque tudo agora parece ser excessivo, e há cobras e lagartos nos campos. Vê a burra que amarrou perto, noutra sombra, que o cheiro do animal impõe distância, e pensa que bem podia, num dia assim, partir de mansinho. Não gosta da palavra morrer. É dura para uma inevitabilidade que, embora por vezes agreste, ele deseja ver chegar suave. Prefere a ideia de partir, ainda que saiba não haver regresso. Partir. Partira em miúdo, jovem como agora ouve chamar aos rapazes com a idade que então tinha. 17 anos e um sonho maior que o Alentejo que o vira nascer. Um dia, antes de ser chamado para a guerra, matar gente não era com ele, fizera a trouxa e partira. Para França. Lembrava-se da passagem da fronteira, a salto, passos surdos e ouvidos à alerta. Fome, medo e frio de rachar. Devia ser culpa dele, desse frio com lâminas, que agora sentia os ossos perros e as dobradiças enferrujadas. Mas chegara a França e por lá ficara. Mais de trinta anos! Tempo demais para fazer doer, insuficiente para lhe apagar da alma o cheiro do Alentejo no Verão, o ruído das cobras no restolho, a alegria dos ninhos de perdiz descobertos nos campos. Por lá casara, também. E por lá deixara a mulher, morta antes do tempo, nova ainda e que nunca chegara a experimentar a natureza fantástica de que ele, corpos colados, lhe contava na escuridão das muitas noites partilhadas. Voltara depois da Revolução, viera atrás do sonho da liberdade e da justiça que vira anunciados e apregoados nos jornais estrangeiros. Viera à procura dos cheiros da infância, dos sabores de coentros e poejos, dos riscos vermelhos com que o céu se pintava nos finais de tardes de Verão. Viera, dissera ao despedir-se dos filhos franceses, encontrar o seu canto, cumprir a sua essência. Que isto, em se nascendo Alentejano, uma pessoa nunca mais é outra coisa. E tinham-no tentado convencer a ficar. Portugal não era futuro para ninguém, o Alentejo menos ainda, garantiam. Não deu atenção, tinha os ouvidos cheios do vazio dos sons da terra que a saudade lhe trazia.
Em Portugal, no velho Monte já abandonado, recomeçara. Primeiro os animais, o cão, bom companheiro; a burra, fêmea calada e trabalhadora, os porcos e as vacas. Galinhas à solta e o galo, ia já no sexto ou sétimo, para substituir o despertador, o réveil da França abandonada, sempre importante no terreiro impondo-se às galinhas de crista levantada. Gostava de se sentar na soleira da porta e ficar vendo, sem um movimento, o vaidosão do animal a arrastar a asa, a escolher a galinha e a galá-la com gosto.
Podia despedir-se com calma da vida. Tinha cumprido. Olhara-a sempre de frente, olhos nos olhos, e fora nos seus olhos que se cansara de existir, de lutar, de acreditar em impossíveis.
A burra zurrou batendo os cascos, precisava ferrada, lembrando que era tempo de entrarem para a ração. Olhou-a e deixou-se ficar. Conhecia-lhe os protestos, sabia que podia esperar. Ele já não. Tinha esperado e desesperado todos os sonhos, todos os possíveis, todas as magias. Agora, não queria mais fingir que acreditava que o seu Portugal fazia sentido. Agora, desejando que fosse chegada a última hora, olhava, uma vez mais, os olhos da vida para se despedir. Vida fêmea, pensava, manhosa e traiçoeira, nos teus olhos me canso. Demais…

quinta-feira, junho 12, 2008

Noite de Santo António, arraiais, fogueiras e sardinhas. A cidade mexe, vejo o fumo de longe, cheira a sardinha assada no meu quintal. Dantes, quando a vida era par, ia aos arraiais e fartava-me de dançar! Lembro-me de chegar a casa com o primeiro sol da manhã e os pés doridos.
Hoje, fui espreitar o arraial do Internato dos Rapazes, de Stº. António também. Um pai e um filho, um castigando teclas outro zunindo uma pandeireta, tentavam animar. Entre aperta com ela, foi atrás da igreja, só eu sei porque não fico em casa e o raspa, tentavam fazer todos dançar. Deplorável, o espectáculo. Miserável o espaço, gentinha foleira, tristeza mascarada qual mulher de rua mal maquilhada.
Não comi sardinhas, nem gosto.... De repente, entrou-me uma nostalgia estranha, uma saudade dorida, uma tristeza perante aquele bocadinho reles de Portugal e vim embora. Deixei o grupo, recusei a sangria e vim para o meu espaço. De duche tomado e coração escurecido, vou enfiar-me na cama tentando trancar a porta aos sentires...

terça-feira, junho 10, 2008

Não é justo, professora! Então o meu esforço, os meus progressos, o meu empenhamento, não são valorizados? Só contam os testes?! Não é justo!! - E não é mesmo. Concordo com o protesto sentido do meu aluno de olhar intenso, discurso frágil e segurança em construção. Não é justo, de facto! Não é justo que seja atribuido aos testes o peso de 55% ou até de 80%! Não é justo que se olhem SÓ os resultados, ignorando os processos! Não é justa a escola de hoje! E de nada adianta o meu sentimento de revolta, a minha indignação por ter consciência de que educar não é só medir. De nada serve eu garantir que, embora ninguém meça as minhas lágrimas elas existem de facto. De nada serve implorar que se lembrem as pessoas que moram nos alunos! Nada serve de nada! porque a minha opinião esbarra com a norma defendida pela maioria; porque a ideia que eu tenho do papel da escola, da sua essência, nada tem a ver com as regras que imperam...
É injusto sim, querido aluno! e oiço-me a agredir sonhos, a destruir vontades, quando afirmo que a vida também é injusta. Que temos de aprender a viver com a injustiça. Eu, que não acredito no que digo, sofro, apetece-me incentivar a revolta, fazer a minha gente jovem crescer questionando e contestando! mas... tenho medo. E é horrível ter medo.
É assim o Portugal de hoje. O dia da raça, de Camões, das Comunidades. Vivo-o na revolta surda e magoada; no medo doloroso que me faz calar!!

segunda-feira, junho 09, 2008

9 de Junho. Três anos de saudades a doer todos os dias. Três anos a sentir a falta do ombro amigo, do cúmplice atento, do Pai adorado. Três anos a achar que o tempo não cura a dor, não apaga a mágoa, não ilude as saudades. Preciso do meu Pai hoje, como ontem, como há três anos, como sempre! Preciso de o sentir perto, como sempre aconteceu nos piores momentos da minha vida estúpida. Doem-me as saudades por dentro!!

sábado, junho 07, 2008

Grande Portugal que, com bandeiras de pagodes!, faz a festa do futebol! Que euforia, que histeria colectiva... Alguém deu por este entusiasmo para combater o desemprego, as medidas na saúde, as barbaridades na educação?! Não!
Dêem a este povo futebol e Fátima e ei-lo feliz. Ainda há quem critique Salazar? Mas o homem tinha visão... Ele já antevia que o cérebro português nunca evoluiria do esférico, que este povo centra os seus esforços em discutir o dentro e fora de área, que esta gente gosta mesmo é de gritaria, cerveja bebida pela garrafa e golos!
Se o Sócrates estiver atento, é bem capaz de organizar outro EURO para 2009, a ver se o povinho anda distraído e não dá pelas eleições...
Ah! e pensar que, um dia, aqui nasceram Camões, Pessoa, Torga!!!
Pobre Portugal... Um dia soubeste a mar e a sonho, a espuma e a possíveis. Agora, sabes a cascas de tremoços e a cascas de caracóis....

quarta-feira, junho 04, 2008

Com os olhos brilhantes de entusiasmo, a energia de uma vida a conquistar, sentou-se à minha frente e devolveu-me a existência lavadinha e pura, pronta a ser gasta com sentido pleno. Como se não bastasse, ganhei uns sapatos originais, diferentes, capazes de me fazerem sorrir. Juntas entramos em lojas, rimos e fizemos projectos: - Vamos a Beja ver As Coisas do Tango!! Vai ser um fim-de-semana a valer!!
É por elas que eu vivo. Pelas minhas filhas. Só.

terça-feira, junho 03, 2008

A minha cabeça protesta, está esgotada mesmo. Sinto um cansaço estranho e, com frequência excessiva, penso que não vou acordar mais. Que de noite, talvez um daqueles anjos que me espreitam em horas de muito prazer, me vem buscar de mansinho. É uma sensação horrível! Grito com saudades das minhas filhas, dos meus sobrinhos que adoro, dos alunos que me fazem ser eu mesma!
Sinto que preciso de descansar. De sossegar a alma, encostar a cabeça e poder, por um tempinho, não pensar nada. NADA mesmo. Um nada feito daquilo tudo que eu amo e me faz sorrir: - o marulho, a marca dos pés na areia da praia, a dança, a caipirinha gostosa, um corpo masculinamente cúmplice ao meu lado também. Indiferente às minhas necessidades urgentes, a vida dá-me chatices, desgostos e desilusões terríveis. Que porcaria!

domingo, junho 01, 2008

Passeando com o Fred, tentando evitar uma entrada na ribeira - a água ainda está fria -, esfolei a perna num galho e fiz uma ferida. A ferida fez crosta, depois de limpa com folha de salgueiro e água de ribeira. Há pouco, esfreguei e saltou a crosta. Agora, vejo o sangue escorrer na minha perna. É escuro e morno, lento e grosso. A vida parece-se com ele: corre espessa, fazendo doer... Queria ser capaz de fazer sair pela ferida, insignificante e sangrenta, a minha mágoa pelo mundo, o meu desalento por Portugal...

Sem espanto nem surpresa, de acordo com as previsões de todos os analistas políticos, a Drª. Manuela Ferreira Leite é a nova Presidente do Partido Social Democrata. O PSD, o maior partido da oposição, partido que já foi governo e já teve momentos de glória, atravessou um longo período crítico, com lideranças sucessivas e, agora, parece desejoso de encontrar a tranquilidade interna necessária ao cumprimento do papel que lhe cabe: - Ser poder e realizar uma oposição consciente mas actuante.
Ontem, revelando inteligência e tacto político, Manuela Ferreira Leite não aludiu aos outros candidatos e elegeu como seu adversário o governo socialista de José Sócrates. Essa coisa insuportável, arrogante e acéfala que é José Sócrates... Num discurso sensato, calmo, dirigiu-se sobretudo à classe média, tão maltratada e agredida pelo governo socialista, e lembrou a necessidade de Portugal facilitar a sobrevivência e o sucesso das pequenas e médias empresas. Foi um discurso seguro, feito de consistência e não de frases pomposas cheias de coisa nenhuma.
No entanto, Manuela Ferreira Leite lembra-me os tempos passados do PSD e corre o risco de tentar a reposição de um filme que já passou de época… O PSD de Cavaco Silva não pode voltar assente no mesmo modelo porque, como é sobejamente sabido, a mesma água não passa duas vezes debaixo da mesma ponte! Ferreira Leite precisa de uma ideia nova, de propostas originais e de soluções eficazes. A classe média, a quem falou, espera muito do PSD! Espera a força para travar a insanidade do governo vigente, espera propostas válidas para áreas tão importantes como a Saúde e a Educação. Manuela Ferreira Leite devia criar equipas jovens e tecnicamente bem preparadas e começar, já!, a demonstrar as barbaridades do governo PS contrapondo com as medidas que defende.
Olho o PSD e tenho medo que falhe... Porque até eu, democrata cristã mesmo, seria capaz de votar nesta senhora!!

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