segunda-feira, outubro 30, 2006
Rumba. É um som sensual, erótico quase. O corpo ondula, o oceano faz-se sangue e corre com força nas veias. De desejo, de vontade de cumplicidade efectiva e sentida.
Eu viajo nos braços do meu companheiro de dança, vejo Buenos Aires e cheiro o churrasco de boa carne das vacas tenras dos prados. É um ambiente de magia que se quebra na última volta, que se desfaz quando o nó se desata e o par se separa no obrigado mútuo.
Gosto da rumba. Da valsa e da salsa. Gosto, mais ainda, do kizomba, dos corpos colados, dos movimentos da savana. Gosto da dança, das 2ªs e 4ªas feiras à noite, quando, cheia de calor, espreito da janela da rua estreitinha o velho castelo de novo iluminado!
Eu viajo nos braços do meu companheiro de dança, vejo Buenos Aires e cheiro o churrasco de boa carne das vacas tenras dos prados. É um ambiente de magia que se quebra na última volta, que se desfaz quando o nó se desata e o par se separa no obrigado mútuo.
Gosto da rumba. Da valsa e da salsa. Gosto, mais ainda, do kizomba, dos corpos colados, dos movimentos da savana. Gosto da dança, das 2ªs e 4ªas feiras à noite, quando, cheia de calor, espreito da janela da rua estreitinha o velho castelo de novo iluminado!
domingo, outubro 29, 2006
Fui à Jacinta. O espaço é novo, moderno, confortável. À minha volta, olhares de Portalegre, rostos conhecidos, amigos alguns. Instalei-me na segunda fila e fechei os olhos. Ao ritmo do jazz, na companhia da voz forte da Jacinta, ouvindo o piano e a bateria ao longe, sentindo perto o trompete, viajei. Andei por Nova Iorque. Nevava. Os meus pés, as botas de sola grossa, deixavam marcas fundas no chão e os esquilos surpreendiam-se à minha passagem. Era eu-não-sendo. O fantasma construído por farrapos de sonho, a mulher só que caminhava sempre. Havia fumo, poluição, mas a neve surgia incrivelmente branca e fofa. Eu andava ainda, cheirando o frio intenso untado com fumos oleosos de mil carros apressados. Não tinha pressa, eu.
Comigo, Álvaro de Campos, passadas largas que com dificuldade acompanhava. Nova Iorque não é o centro do mundo, garantia. E eu sorria. Porque eu sabia que o centro do mundo não está em lado nenhum, precisamente por estar em todo o lado.
Sentámo-nos e ele ofereceu-me o cachimbo e o ópio. Para quê? Se a vida me inebria o suficiente? Recusei. Pedi-lhe que ouvisse a Jacinta, que se deixasse levar comigo, mas garantiu-me, estranhamente pragmático, que Nova Iorque não é Nova Orleães. Encostei-me melhor a ele, sentia frio. O sobretudo cinzento do homem era gelado, o frio não cedeu. Continuei por isso caminhando, deixando-o a protestar. Não, a Jacinta não me permitia ser cúmplice de protestos , ainda que os mesmos fossem cruelmente justos.
As palmas devolveram-me o Centro de Artes do Espectáculo de Portalegre. Lá estava ela, despenteada, brilhante, agradecendo. Saí na turba. Paguei o parque, subi a serra e recusei a boléia que Álvaro de Campos me pediu.
Enfiei-me na cama sozinha. Quente. A noite prenha de um dia de calor ficou lá fora. Liguei o ar condicionado bendizendo as modernas comodidades e adormeci confortada.
Comigo, Álvaro de Campos, passadas largas que com dificuldade acompanhava. Nova Iorque não é o centro do mundo, garantia. E eu sorria. Porque eu sabia que o centro do mundo não está em lado nenhum, precisamente por estar em todo o lado.
Sentámo-nos e ele ofereceu-me o cachimbo e o ópio. Para quê? Se a vida me inebria o suficiente? Recusei. Pedi-lhe que ouvisse a Jacinta, que se deixasse levar comigo, mas garantiu-me, estranhamente pragmático, que Nova Iorque não é Nova Orleães. Encostei-me melhor a ele, sentia frio. O sobretudo cinzento do homem era gelado, o frio não cedeu. Continuei por isso caminhando, deixando-o a protestar. Não, a Jacinta não me permitia ser cúmplice de protestos , ainda que os mesmos fossem cruelmente justos.
As palmas devolveram-me o Centro de Artes do Espectáculo de Portalegre. Lá estava ela, despenteada, brilhante, agradecendo. Saí na turba. Paguei o parque, subi a serra e recusei a boléia que Álvaro de Campos me pediu.
Enfiei-me na cama sozinha. Quente. A noite prenha de um dia de calor ficou lá fora. Liguei o ar condicionado bendizendo as modernas comodidades e adormeci confortada.
terça-feira, outubro 24, 2006
Mais uma brutal desilusão: O EQUADOR, do Miguel Sousa Tavares, o livro que li com apaixonada entrega, foi plagiado... O original, inglês, foi publicado em 1973. Será possível? Não quero acreditar. O MST? O filho da Sophia, da poetisa que tanto admiro? Não! Não pode ser verdade! Mas, no freedomtocopy.blogspot.com está tudo muito claro. Explícito e evidente! Queria poder negar!!!
segunda-feira, outubro 23, 2006
Só queria poder ser absolutamente triste em sossego. Sozinha. Sem precisar repetir não é nada, sem ter de usar a hipocrisia social.
"Vão para o diabo sem mim. Ou deixem-me ir para o diabo sozinho" A. Campos. E eu.
"Vão para o diabo sem mim. Ou deixem-me ir para o diabo sozinho" A. Campos. E eu.
sábado, outubro 21, 2006
Sairam os famosos e terríveis rankings. As melhores escolas são privadas, ficam nos grandes centros e não aceitam qualquer aluno. Se os que entram não dão rendimento, são excluídos. As piores escolas, as médias também, são públicas. Recebem todos os alunos, têm de trabalhar com todos e não podem sequer ousar pensar na hipótese de os excluir por não quererem trabalhar, quanto mais por falta de aproveitamento... Os rankings mostram dois países: O Portugal da elite e o Portugal dos portugueses. Eu, portuguesa, sinto-me ofendida e humilhada! Porque não pode um filho meu frequentar o São João de Brito? Onde está a tão apregoada igualdade de oportunidades dos sucessivos governos desta pseudo-democracia?
Como é possível comparar o incomparável?! Como podem os governos fomentar estes rankings, torná-los públicos, agredir os portugueses com eles e continuarem a (des)governar?
Eu quero sair daqui!!
Eu não quero fazer parte do país dos ódios, das diferenças profundas, das injustiças gritantes...
Como é possível comparar o incomparável?! Como podem os governos fomentar estes rankings, torná-los públicos, agredir os portugueses com eles e continuarem a (des)governar?
Eu quero sair daqui!!
Eu não quero fazer parte do país dos ódios, das diferenças profundas, das injustiças gritantes...
quinta-feira, outubro 19, 2006
O FRED E A GINJA
Podiam ser o Astair e a Rogers. Dançariam sapateado, encheriam de ritmo e música a minha existência, seriam um casal mítico nas telas de cinema a preto e branco. Aliás, para falar verdade, era mesmo essa a nossa ideia ao escolhermos os nomes: - Ele, seria o Fred Astair; ela, a Ginger Rogers. Mas o falar alentejano, o gosto por aquilo que é nosso, talvez a identificação com o espaço em que vivem, fez com que a Ginger se tornasse Ginja, e o Fred perdesse o musical Astair.
Para eles foi indiferente. Não conhecem nenhum dos actores, não dançam sapateado e acredito que o maior interesse que um ecran, de televisão ou cinema, poderia ter para eles se resumiria à forma de o desfazerem. Porque eles são curiosos, gostam de verificar a essência das coisas, arrancam as plantas pela raiz porque, não tenho dúvidas, intriga-os o facto daquelas flores tão frágeis não saírem do mesmo lugar. O Fred e a Ginja andam sempre juntos. Ela, mais ágil, mais rápida e estouvada, desafia-o para explorações mais ousadas e ele, pachorrento e sensato, embora refilando, segue-a nas investigações pelos canos da rega, na caça às rãs, nas perseguições aos gatos ou nas corridas loucas em torno dos cágados. Todas as manhãs, bem cedo, com chuva ou sol, os dois esperam, ansiosos, que eu apareça para lhes dar a liberdade que merecem. O Fred nunca parte sem me cumprimentar, manso e terno, focinho húmido, pelo denso, abraço forte. A Ginja salta, corre, ladra feliz, chateia os gatos e só depois se lembra que não me cumprimentou. É mulher, tem bem hierarquizadas as suas prioridades e, com toda a razão, a liberdade é mais importante que os rotineiros bons dias lambidos. Eu abraço o Fred com força, já nem me lembro das três cicatrizes que me tornaram a perna bem original, e reparo no olhar que ele mergulha no meu. Sim, Fred, tens razão, estou neura hoje. Sabes, são os problemas profissionais, custa-me ser tratada como lixo humano, sem respeito. Digo-lhe isto mesmo dito, alto, sentada no degrau do canil bem abraçada no largo pescoço do meu rafeiro. Ele senta-se a ouvir, de caminho enfiando a língua nos meus bolsos na esperança, a maior parte das vezes fundamentada, que lá haja um biscoito para ele. Pois é, Fred, a vida é uma grande porcaria. E vem a Ginja, a correr, coelho de tamanho descomunal, as pernas da trás ultrapassando as da frente, saltar-me ao pescoço. Não sejas chata! Desaparece! E ela não acredita. Não posso, de verdade, querer que ela desapareça. Senta-se, amuada, vira-me as costas. E eu peço desculpa, ginjinha linda, não estou zangada (ainda bem que não ficou mesmo Ginger, sentir-me-ia embaraçada com tanto à-vontade…). Adivinha que passou o meu mau humor e enfia a língua no bolso certo. Sim, estava lá o biscoito! E levanto-me para ir buscar outro para o Fred. Dois. É que ele é o meu grande amigo! Saio de casa com o cheiro dos meus bichos nas mãos, deixo-os a guardar tudo, a pôr as raízes das plantas ao sol (ou à chuva) a tentarem descobrir uma forma de chegar à comida dos gatos antes que eles a acabem. O meu dia esgota-se, quase sempre, entre o tempo excepcional passado nas aulas e o angustiante arrastar de minutos fora da sala de aula. Regresso a casa à tarde. Lá estão eles! Ao portão, muitas vezes feitos uma montanha de terra e lama, olham-me felizes. Voltei! Grito o óbvio (sou humana, tenho desculpa…) Mais lambidelas, festas, abraços. O Fred, sempre…, olha-me inquiridor: Se chorei? Se estou triste? Não preciso de lhe responder. Ele sabe o meu humor, a minha solidão, as lágrimas que, tantas vezes, em vez de sal carregam malaguetas e ardem dentro de mim. Abraço-o, gosto da quentura dele, olho-o no fundo dos olhos calmos, alentejanos mesmo. A Ginja tem ainda as baterias carregadas e não quer ir para o canil, não quer ficar fechada. Ela sabe o valor da liberdade! Mas o Fred impõe-se, ladra forte, empurra-a e eu entro com eles. Têm comida ainda. Brinco um pouco mais, faço mais festas e conto-lhes de mais um dia. Às vezes, que vergonha…, aproveito o facto de serem bichos e conto-lhes das minhas raivas contra muitos humanos. Eles ouvem. Não me contrariam, são cúmplices.
Os meus cães não são como muita gente, como muitos humanos que conheço. Eles são, de certeza!, muito melhores…
Podiam ser o Astair e a Rogers. Dançariam sapateado, encheriam de ritmo e música a minha existência, seriam um casal mítico nas telas de cinema a preto e branco. Aliás, para falar verdade, era mesmo essa a nossa ideia ao escolhermos os nomes: - Ele, seria o Fred Astair; ela, a Ginger Rogers. Mas o falar alentejano, o gosto por aquilo que é nosso, talvez a identificação com o espaço em que vivem, fez com que a Ginger se tornasse Ginja, e o Fred perdesse o musical Astair.
Para eles foi indiferente. Não conhecem nenhum dos actores, não dançam sapateado e acredito que o maior interesse que um ecran, de televisão ou cinema, poderia ter para eles se resumiria à forma de o desfazerem. Porque eles são curiosos, gostam de verificar a essência das coisas, arrancam as plantas pela raiz porque, não tenho dúvidas, intriga-os o facto daquelas flores tão frágeis não saírem do mesmo lugar. O Fred e a Ginja andam sempre juntos. Ela, mais ágil, mais rápida e estouvada, desafia-o para explorações mais ousadas e ele, pachorrento e sensato, embora refilando, segue-a nas investigações pelos canos da rega, na caça às rãs, nas perseguições aos gatos ou nas corridas loucas em torno dos cágados. Todas as manhãs, bem cedo, com chuva ou sol, os dois esperam, ansiosos, que eu apareça para lhes dar a liberdade que merecem. O Fred nunca parte sem me cumprimentar, manso e terno, focinho húmido, pelo denso, abraço forte. A Ginja salta, corre, ladra feliz, chateia os gatos e só depois se lembra que não me cumprimentou. É mulher, tem bem hierarquizadas as suas prioridades e, com toda a razão, a liberdade é mais importante que os rotineiros bons dias lambidos. Eu abraço o Fred com força, já nem me lembro das três cicatrizes que me tornaram a perna bem original, e reparo no olhar que ele mergulha no meu. Sim, Fred, tens razão, estou neura hoje. Sabes, são os problemas profissionais, custa-me ser tratada como lixo humano, sem respeito. Digo-lhe isto mesmo dito, alto, sentada no degrau do canil bem abraçada no largo pescoço do meu rafeiro. Ele senta-se a ouvir, de caminho enfiando a língua nos meus bolsos na esperança, a maior parte das vezes fundamentada, que lá haja um biscoito para ele. Pois é, Fred, a vida é uma grande porcaria. E vem a Ginja, a correr, coelho de tamanho descomunal, as pernas da trás ultrapassando as da frente, saltar-me ao pescoço. Não sejas chata! Desaparece! E ela não acredita. Não posso, de verdade, querer que ela desapareça. Senta-se, amuada, vira-me as costas. E eu peço desculpa, ginjinha linda, não estou zangada (ainda bem que não ficou mesmo Ginger, sentir-me-ia embaraçada com tanto à-vontade…). Adivinha que passou o meu mau humor e enfia a língua no bolso certo. Sim, estava lá o biscoito! E levanto-me para ir buscar outro para o Fred. Dois. É que ele é o meu grande amigo! Saio de casa com o cheiro dos meus bichos nas mãos, deixo-os a guardar tudo, a pôr as raízes das plantas ao sol (ou à chuva) a tentarem descobrir uma forma de chegar à comida dos gatos antes que eles a acabem. O meu dia esgota-se, quase sempre, entre o tempo excepcional passado nas aulas e o angustiante arrastar de minutos fora da sala de aula. Regresso a casa à tarde. Lá estão eles! Ao portão, muitas vezes feitos uma montanha de terra e lama, olham-me felizes. Voltei! Grito o óbvio (sou humana, tenho desculpa…) Mais lambidelas, festas, abraços. O Fred, sempre…, olha-me inquiridor: Se chorei? Se estou triste? Não preciso de lhe responder. Ele sabe o meu humor, a minha solidão, as lágrimas que, tantas vezes, em vez de sal carregam malaguetas e ardem dentro de mim. Abraço-o, gosto da quentura dele, olho-o no fundo dos olhos calmos, alentejanos mesmo. A Ginja tem ainda as baterias carregadas e não quer ir para o canil, não quer ficar fechada. Ela sabe o valor da liberdade! Mas o Fred impõe-se, ladra forte, empurra-a e eu entro com eles. Têm comida ainda. Brinco um pouco mais, faço mais festas e conto-lhes de mais um dia. Às vezes, que vergonha…, aproveito o facto de serem bichos e conto-lhes das minhas raivas contra muitos humanos. Eles ouvem. Não me contrariam, são cúmplices.
Os meus cães não são como muita gente, como muitos humanos que conheço. Eles são, de certeza!, muito melhores…
Área de Projecto. Nova disciplina. Será disciplina? Para mim, é antes uma área de aprendizagens activas, efectivamente centrada no saber-fazer, um desafio à concretização, um espaço privilegiado para fazer-ser-sendo-fazendo! E os miúdos vêm ter comigo, fichas na mão, grelhas feitas por outros onde chamuscam as poucas ideias, e pedem ajuda (afinal, sou a professora de português, devo saber preencher fichas...) : "Temos um projecto. A noite em Portalegre. Ajude-nos a preencher as fichas!" Pasmo! Para eles, o projecto é o tema. Pergunto da meta, quero saber dos objectivos, peço que me contem das estratégias, investigo a avaliação. Nada... "Vamos ver a noite, filmar, e mostrar! Mas só no 3º período, agora é só preencher as fichas e não se faz mais nada!"
Por favor! O que está a acontecer à área de projecto? Que tipo de projecto vamos ajudar os alunos a desenvolver? Socorro! Não quero uma escola assim!! Não vamos deixar morrer, ou matar!!, uma área que privilegia o saber-fazer!!!
Por favor! O que está a acontecer à área de projecto? Que tipo de projecto vamos ajudar os alunos a desenvolver? Socorro! Não quero uma escola assim!! Não vamos deixar morrer, ou matar!!, uma área que privilegia o saber-fazer!!!
domingo, outubro 15, 2006
Domingo. Fui tomar um café fora, andei por S. Mamede com as minhas saudades. Há vento, as folhas dançam loucas no chão, as árvores gemem, os pardais perdem a direcção escolhida. Eu não tenho direcção. Para mim, agora, este é o tempo da mágoa, da revolta, do cansaço. Pode vir o vento, forte, carregar-me no colo e embalar-me no berço dos impossíveis.
Mas que me dê colo. E que me embale.
Mas que me dê colo. E que me embale.
quarta-feira, outubro 11, 2006
Abre com jeito o champanhe. Sem ruído, sem estrondo. Deixa rodar o cd de valsas, enche o quarto com a magia de Viena e traz as flutes para a banquinha de cabeceira. Tomei duche, sinto nas veias ritmos latinos, deixa-me partilhar contigo as bolinhas do champanhe francês. Do verdadeiro! Ao menos, o champanhe...
Mais uma noite difícil. A insónia atacou-me, sem aviso prévio, talvez fazendo parte do moderno e fracassado modelo de combate à burocracia. Fiquei entre o Chile, "O meu País Inventado", a poesia do Fernando Tavares Rodrigues, "Depois do Amor", o desfiar de muitas recordações e saudades. Não desfiei contas do rosário porque, numa das traições da minha existência, desaprendi as orações da infância. Mas rezei ao Amor. À coragem que não tenho de corrigir essências.
terça-feira, outubro 10, 2006
"Não achas que te expões muito no teu blog?" - E eu não acho. Ser eu, assim, Luísa-Mulher-Pessoa-Solidão, não me envergonha. Deveria ser outra para o mundo? Fingir? Disfarçar? Ser mais uma no rebanho social que o euro e o dólar fazem mover? Ah! Não! Eu sou eu. Assim. Nem melhor, sequer pior (acho), apenas EU e a minha mania de poder ir sendo à moda alentejana mesmo, num gerúndio que se tece entre muitos pensares, mil sentires, imensas saudades...
sábado, outubro 07, 2006
As minhas lágrimas estão avariadas! dantes, chorar lavava-me a alma. Agora, chorar só me faz olheiras!! A vida já era complicada quando as lágrimas funcionavam. Agora...
terça-feira, outubro 03, 2006
Os computadores são o sinónimo da modernidade portuguesa!!! Ah! Os professores teclam, levam os alunos para a frente dos écrans, enfiam um cd e, felizes!, apresentam uma aula virtual. É o extase!! A emoção! A glória!!
Que interessa que os alunos não saibam pensar? Que importância tem que não sejam capazes de redigir? Quem se preocupa que não compreendam um poema, ou não distingam um texto utilitário de um literário? Hélas!!! Modernidade!
Que interessa que os alunos não saibam pensar? Que importância tem que não sejam capazes de redigir? Quem se preocupa que não compreendam um poema, ou não distingam um texto utilitário de um literário? Hélas!!! Modernidade!
segunda-feira, outubro 02, 2006
Cheguei da salsa, do tango, do merengue. Tomei um bom duche, massajei-me energicamente com o meu creme, verifiquei - uma vez mais! -, que as marcas dos dentes do Fred se estão a tornar numa cicatriz horrível, e não fui capaz de ir dormir. Cansei o corpo, lavei-o, está agora macio e cheiroso, mas tenho a alma carregada de pó e sujidade. São mentiras, traições, juras que sei não serem verdade, segredos, manifestações de existências falsas, excessivamente próximas para me deixarem dormir descansada. Enchi um copo de pé alto de leite, morno, estou a bebê-lo aos poucos, concentração quase religiosa, rezando para que afaste os fantasmas do real e me conceda uma noite de sono profundo.
Seria o milagre do copo de leite...
Seria o milagre do copo de leite...