quinta-feira, junho 29, 2006
Contrariando os conselhos da minha avó - um copo de leite, morno, ajuda a dormir - encho o copo de leite gelado. Se não dormir, paciência, fico orientando sonhos, vivendo a felicidade que o faz de conta permite. Cheguei da dança bem humorada, o corpo a pedir mais tango, a alma a preferir a valsa vienense. É sempre assim nas segundas e nas quintas: - Vou dançar e chego de bem com o mundo. Acho mesmo que se vivessemos ao som da música, se deixassemos a alegria dominar o quotidiano, ia ser mais fácil suportar a rotina. Acho eu...
quarta-feira, junho 28, 2006
Até dia 30 dizem-me que tenho de relatar. Exigem-me que olhe para trás, para o que passou, e diga da minha justiça que, sendo em causa própria, é muito relativa... Escrevo o óbvio: - o horário, as turmas, as saídas, o programa. Tudo aquilo que se sabe e que, se seriamente pensado, ganharia outra cor.
Não relato os sentires. Não conto dos olhares cinzentos do 11ºB, não digo a ninguém das loucuras e irreverências com o 12º ano em torno de Saramago, não refiro os sonhos partilhados nem os amores e desamores que me foram confessados. No meu relatório, não conto das cumplicidades, das teias que teci com os alunos, do que eles me ensinaram e apoiaram. Escrevo só, no meu relatório, os programas integralmente cumpridos. Integralmente! Não conto que, às vezes, abusivamente. Falando de pessoas, a propósito de Pessoa; de liberdade individual, a propósito das comunistagens do Felizmente há luar!; do amor livre e puro, que salta nas emoções nas entrelinhas do Memorial do Convento.
Não conto das reuniões intermináveis, cheias de nadas, de onde saio sempre com um íssimo-íssimo-íssimo cansaço...Não conto, claro, da vista da Sé e da muralha que espreito da sala 7 e que me emocia sempre.
Afinal, revendo tudo, acho que não fiz um relatório. Antes um ralatório!!!
Não relato os sentires. Não conto dos olhares cinzentos do 11ºB, não digo a ninguém das loucuras e irreverências com o 12º ano em torno de Saramago, não refiro os sonhos partilhados nem os amores e desamores que me foram confessados. No meu relatório, não conto das cumplicidades, das teias que teci com os alunos, do que eles me ensinaram e apoiaram. Escrevo só, no meu relatório, os programas integralmente cumpridos. Integralmente! Não conto que, às vezes, abusivamente. Falando de pessoas, a propósito de Pessoa; de liberdade individual, a propósito das comunistagens do Felizmente há luar!; do amor livre e puro, que salta nas emoções nas entrelinhas do Memorial do Convento.
Não conto das reuniões intermináveis, cheias de nadas, de onde saio sempre com um íssimo-íssimo-íssimo cansaço...Não conto, claro, da vista da Sé e da muralha que espreito da sala 7 e que me emocia sempre.
Afinal, revendo tudo, acho que não fiz um relatório. Antes um ralatório!!!
terça-feira, junho 27, 2006
Zaratrusta. Ela vai chamar-se assim, nome comprido a condizer com o rabo longo, verde-riscado, nome sonoro para um bicho atrevido. Ela não quer saber de onde vem o nome. Também, se o quisesse ia esbarrar com a minha ignorância... Ou quase. Foi um livro que li, na fase em que acreditava que o pensamento comandava o mundo. Chamava-se "Assim falava Zaratrusta", seria de Nietzsche talvez. Mas agora arrumo a filosofia e baptizo a lagartixa que me faz companhia na beira da piscina. Ela merece a filosofia, ela podia ser o pensamento de Caeiro: - Vejo-a, não preciso de a pensar!
E era bom se eu pudesse não pensar, não sentir, ser-não-sendo.
E era bom se eu pudesse não pensar, não sentir, ser-não-sendo.
domingo, junho 25, 2006
O meu cão, o meigo Vodka, chorou! De noite, noite de vento, foi atacado por outro cão, este feroz. Ficou ferido, mordido, sangrava e mal conseguia andar. Aflita chamei o veterinário e o Pedro veio, rápido, com a eficácia e urgência que conheço em poucos médicos de pessoas... O Vodka foi anestesiado, pelos rapados, feridas cosidas. Ao acordar, com dores, o Vodka chorou lágrimas gordas. Nunca tinha visto um animal a chorar. O veterinário já. Uma vaca, até, contou.
A ternura dorida das lágrimas do Vodka emocionou-me. Os meus cães são, de certeza absoluta, mais humanos que muita gente...
A ternura dorida das lágrimas do Vodka emocionou-me. Os meus cães são, de certeza absoluta, mais humanos que muita gente...
sábado, junho 24, 2006
Devia estar blindada contra a desilusão. Contra a maldade também. Mas não estou. Dói-me. Fundo demais!!
terça-feira, junho 20, 2006
Começaram a doer as saudades dos alunos do 12º ano... Aqueles miúdos, cabeças onde os sonhos se enleiam nas teias dos possíveis, vão partir. Para o ano, a sala 12 não vai ser a mesma. Vou sentir a falta dos comentários pertinentes do Rui, do olhar atento da Maria, das refilices da Margarida, das questões fundamentais da Lina, das aflições da Micaela, da ignorância angustiada do Diogo. Vou sempre lembrar-me do João Eduardo, o meu menino (diziam os outros), do Francisco com a mania de ser comunista, da Cláudia perfeita, da Vanessa doce, da Cristina terna, da Sofia atenta, da Vera preguiçosa, da..., do... Vou ter saudades deles todos. Já tenho!!!
domingo, junho 18, 2006
Em VIENA
Despejo tudo em cima da cama. Cama de hotel, estranha, cidade linda onde a noite é curta. É preciso pôr ordem na desordem de cinco dias em viagem. As cuecas longe das t-shirts, palavra estrangeira de que não gosto. Oiço a vida lá fora. A roupa suja pode ir enrolada, tem de acabar enfiada na máquina mesmo. Sons estranhos, língua arranhada, montanhas com neve que refresca na televisão. E as compras? As saudades que quis matar com pequenos presentes e que, agora, não encaixa no meio da roupa, no cantinho do casaco que não cheguei a vestir. Apetecia-me partir assim. Sem mala, sem ter de arrumar a desarrumação que um quarto de hotel sempre permite. Não há buzinadelas estridentes, entra sol pela cortina que corri a evitar o calor excessivo. Duas janelas, para proteger do frio?, num dia de desacostumado calor. Eine kleine Kaffee, e vem uma bica boa, boa mesmo, sabendo a café de Portugal purificado. Sem lágrimas de mares por conquistar, sem noivas por casar, embalado por Mozart, melodia que sai suave dos pulmões da cidade. Violinos. Piano. Será que a caneca com a palavra Viena se vai partir se for enfiada na mala? Dobrar as calças é tarefa desnecessária, bem enroladinhas ocupam menos espaço! Golo de Portugal! Cristiano Ronaldo, um penalty, euforia. É o meu país, de longe, a fazer golo na vida que insiste em esgotar-se em faltas e foras de jogo. Ali saltam portugueses, como eu, reconheço a língua, identifico os berros, olho de novo a rua onde os engarrafamentos são silenciosos. Falta arrumar o livro. Saramago e Pessoa, a pretexto do ano da morte de Ricardo Reis. A originalidade forçada, construída com a essência de outros, de outro, do génio que é Pessoa. O tal, Pessoa que não é pessoa. Que excede e vence, surpreende e atrai sem nunca ter ido a Viena. Fica de fora, agora. Vai na mão, será boa companhia no avião. Pessoa, Saramago não. Pessoa nunca se sentou no café de Freud. Eu sim. E ele. Tocamos as mãos, cruzamos olhares, sentimos emoções e fotografamos realidades inexistentes. A felicidade! A de instantâneos. Que outra não há. Fotografamos sorrindo can you take us a photo, please? que of course. E ficamos os dois, olhando o passarinho que não voou, presos na gaiola do momento, mãos numa só que o clic não captou. E Freud a fazer-se presente, e eu sem querer ouvi-lo. Antes uma Sissi Tarte. Boa, doce, macia, cheia de histórias que ela inventa e ele sorri. Brinca, que não foi assim, que o Imperador, o pobre Francisco José, amava-a demais. Impossível. O amor, seja lá o que for para além da palavra gasta, prostituída, diria Sophia que, se calhar, também se sentou no café de Freud, nunca é demais. Tenho de isolar os pacotes de açúcar que quero levar para a colecção que a minha filha tem debaixo da cama. Se forem soltos, na mala, chegarão rotos e a roupa excessivamente doce. Para fazer inveja à vida, talvez, essa azeda demais. É preciso, também, guardar espaço para as coisas de última hora. E não posso esquecer-me de nada, querendo esquecer-me de tudo. Ou quase. Da vida que me espera no país onde o penalty de Ronaldo faz festa, da rotina de um quotidiano de desilusões, da saudade de quem sei que não estará em casa para ouvir o meu relato de mais uma viagem. Fernando Pessoa havia de ter gostado de Viena. Das ruas largas para dar passadas compridas, dos cafés servidos por sorridentes smokings, das senhoras loiras que se descalçam no comboio, das ruas lindas que se chamam strasses. As palavras que me brincam na boca não ocupam espaço. Que bom: - a mala está a ficar cheia…Vamos jantar? Vamos comer a Sacher torte? E eu concordo que sim. É bom dar-lhe o braço, a ele que sem ser ali está, ouvir as explicações que se perdem esbarrando com o olhar cheio de fascinada surpresa, deixar-me conduzir nas escadas rolantes, encostar à direita, tudo aqui tem ordem, e entrar em Neubaugasser achando que a palavra, por antinomia talvez, me lembra o reino de Lilliput. Bolo de chocolate delicioso, fantástico, mágico, recheio húmido e companhia branca. Ele conta-me a história, explica, e eu vejo Sissi entrar, olhar triste, carregando a condenação de um destino que, sem conhecer adivinha. Tranco a mala.
Um dia, se o tal destino, que nem sequer usa smoking…, permitir, vou voltar a Viena. Com ele. Contigo.
Despejo tudo em cima da cama. Cama de hotel, estranha, cidade linda onde a noite é curta. É preciso pôr ordem na desordem de cinco dias em viagem. As cuecas longe das t-shirts, palavra estrangeira de que não gosto. Oiço a vida lá fora. A roupa suja pode ir enrolada, tem de acabar enfiada na máquina mesmo. Sons estranhos, língua arranhada, montanhas com neve que refresca na televisão. E as compras? As saudades que quis matar com pequenos presentes e que, agora, não encaixa no meio da roupa, no cantinho do casaco que não cheguei a vestir. Apetecia-me partir assim. Sem mala, sem ter de arrumar a desarrumação que um quarto de hotel sempre permite. Não há buzinadelas estridentes, entra sol pela cortina que corri a evitar o calor excessivo. Duas janelas, para proteger do frio?, num dia de desacostumado calor. Eine kleine Kaffee, e vem uma bica boa, boa mesmo, sabendo a café de Portugal purificado. Sem lágrimas de mares por conquistar, sem noivas por casar, embalado por Mozart, melodia que sai suave dos pulmões da cidade. Violinos. Piano. Será que a caneca com a palavra Viena se vai partir se for enfiada na mala? Dobrar as calças é tarefa desnecessária, bem enroladinhas ocupam menos espaço! Golo de Portugal! Cristiano Ronaldo, um penalty, euforia. É o meu país, de longe, a fazer golo na vida que insiste em esgotar-se em faltas e foras de jogo. Ali saltam portugueses, como eu, reconheço a língua, identifico os berros, olho de novo a rua onde os engarrafamentos são silenciosos. Falta arrumar o livro. Saramago e Pessoa, a pretexto do ano da morte de Ricardo Reis. A originalidade forçada, construída com a essência de outros, de outro, do génio que é Pessoa. O tal, Pessoa que não é pessoa. Que excede e vence, surpreende e atrai sem nunca ter ido a Viena. Fica de fora, agora. Vai na mão, será boa companhia no avião. Pessoa, Saramago não. Pessoa nunca se sentou no café de Freud. Eu sim. E ele. Tocamos as mãos, cruzamos olhares, sentimos emoções e fotografamos realidades inexistentes. A felicidade! A de instantâneos. Que outra não há. Fotografamos sorrindo can you take us a photo, please? que of course. E ficamos os dois, olhando o passarinho que não voou, presos na gaiola do momento, mãos numa só que o clic não captou. E Freud a fazer-se presente, e eu sem querer ouvi-lo. Antes uma Sissi Tarte. Boa, doce, macia, cheia de histórias que ela inventa e ele sorri. Brinca, que não foi assim, que o Imperador, o pobre Francisco José, amava-a demais. Impossível. O amor, seja lá o que for para além da palavra gasta, prostituída, diria Sophia que, se calhar, também se sentou no café de Freud, nunca é demais. Tenho de isolar os pacotes de açúcar que quero levar para a colecção que a minha filha tem debaixo da cama. Se forem soltos, na mala, chegarão rotos e a roupa excessivamente doce. Para fazer inveja à vida, talvez, essa azeda demais. É preciso, também, guardar espaço para as coisas de última hora. E não posso esquecer-me de nada, querendo esquecer-me de tudo. Ou quase. Da vida que me espera no país onde o penalty de Ronaldo faz festa, da rotina de um quotidiano de desilusões, da saudade de quem sei que não estará em casa para ouvir o meu relato de mais uma viagem. Fernando Pessoa havia de ter gostado de Viena. Das ruas largas para dar passadas compridas, dos cafés servidos por sorridentes smokings, das senhoras loiras que se descalçam no comboio, das ruas lindas que se chamam strasses. As palavras que me brincam na boca não ocupam espaço. Que bom: - a mala está a ficar cheia…Vamos jantar? Vamos comer a Sacher torte? E eu concordo que sim. É bom dar-lhe o braço, a ele que sem ser ali está, ouvir as explicações que se perdem esbarrando com o olhar cheio de fascinada surpresa, deixar-me conduzir nas escadas rolantes, encostar à direita, tudo aqui tem ordem, e entrar em Neubaugasser achando que a palavra, por antinomia talvez, me lembra o reino de Lilliput. Bolo de chocolate delicioso, fantástico, mágico, recheio húmido e companhia branca. Ele conta-me a história, explica, e eu vejo Sissi entrar, olhar triste, carregando a condenação de um destino que, sem conhecer adivinha. Tranco a mala.
Um dia, se o tal destino, que nem sequer usa smoking…, permitir, vou voltar a Viena. Com ele. Contigo.
terça-feira, junho 13, 2006
Tenho a mala pronta, vou para Viena de Áustria. Vou estar longe cinco dias, vou viajar sozinha, andar a vaguear nos aeroportos inventando as vidas desconhecidas com que me vou cruzar. Em Viena vou à Ópera, vou dançar valsa (nas ruas?) e vou fugir do quotidiano que me desgosta. Vou a Bratislava, de barco sobre o Danúbio dos romances, vou a Salzburgo visitar a Maria e o barão. Levo, de cá, saudades do meu Pai. As minhas filhas n'alma.
Até um dia, lagóia.
Até um dia, lagóia.
sexta-feira, junho 09, 2006
Tinham-me garantido que o tempo funcionava. Que a sucessão de dias, de horas, de milhões de minutos e triliões de segundos tornaria a saudade menos dolorosa. Que era sempre assim, diziam, que ia conformar-me e a dor intensa havia de ser substituída por uma saudade doce, vaga, menos difícil de suportar. Enganaram-me! Enganaram-me fazendo, indecentemente, coro com a vida. A saudade não diminuiu, não dói menos, não é doce nem poeticamente suave. A saudade cresce, enterra-se no fundo da alma, cria raízes que se emaranham nos sentires e dói cada vez mais. O meu Pai, hoje, não é a recordação suave que me prometeram. O meu Pai é a presença constante, intensa, que me faz sangrar de dor. Passou um ano. Um ano muito atribulado, cheio de mil coisas, boas e más, acho que mais más que boas, mas, sem exageros, um ano muito marcante. Vivi experiências novas – algo que julgava impossível depois dos 40…-, sonhei – sempre demais…-, trabalhei – num esforço constante de fazer melhor o meu trabalho –e a saudade, feita presença, esteve e está sempre comigo. No lugar do meu Pai não nasceu nada de novo. Ficou a dor só. A dor do vazio, da solidão que aumentou terrivelmente. Agora, os serões são mais escuros e as tardes de Verão, o ouvir o cuco, o limpar as almofadas das cadeiras da piscina, fazem menos sentido. Agora, a minha solidão cresceu, fez-se imensa e aterradora.
Passou um ano inteiro e dói cada vez mais.
Às vezes, naquela hora mágica em que a natureza pára, antes da noite chegar, quando o sol se despede e até os bichos sossegam, sento-me olhando o mundo e sinto o meu Pai ali mesmo, junto de mim, pronto para me perguntar das políticas, para me mandar buscar os óculos ou o telefone, ou para me desafiar para a voltinha do costume ao final do dia. Às vezes, saio mesmo com ele. Conto-lhe das dores que sinto fundas, da saudade, do medo do amanhã, da mágoa que experimento. Mas ele não me responde. Não se ri quando eu insulto a ministra da educação ou o engenheiro Sócrates, não quer saber das historietas que me irritam e fazem as politiquices mais caseiras.
Porque há um ano que o meu Pai se despediu de mim, com sossego, apertando a minha mão como quando, na célebre trovoada da minha infância ele tapado com um cobertor de papa, eu lhe garantia que não ia acontecer nada de mal. Agora, hoje, não há cobertor de papa que me proteja, e aos raios da trovoada que assustam a minha existência não se sucedem nuvens cor-de-rosa e cheiro a terra molhada.
O meu Pai era, de certeza absoluta, a melhor pessoa do mundo. O meu Pai gostava de mim, adivinhava os meus terrores, não troçava das minhas sensibilidades e não me condenava a cada instante. O meu Pai era capaz de compreender sem precisar de explicações.
Passou um ano inteiro e dói cada vez mais.
Às vezes, naquela hora mágica em que a natureza pára, antes da noite chegar, quando o sol se despede e até os bichos sossegam, sento-me olhando o mundo e sinto o meu Pai ali mesmo, junto de mim, pronto para me perguntar das políticas, para me mandar buscar os óculos ou o telefone, ou para me desafiar para a voltinha do costume ao final do dia. Às vezes, saio mesmo com ele. Conto-lhe das dores que sinto fundas, da saudade, do medo do amanhã, da mágoa que experimento. Mas ele não me responde. Não se ri quando eu insulto a ministra da educação ou o engenheiro Sócrates, não quer saber das historietas que me irritam e fazem as politiquices mais caseiras.
Porque há um ano que o meu Pai se despediu de mim, com sossego, apertando a minha mão como quando, na célebre trovoada da minha infância ele tapado com um cobertor de papa, eu lhe garantia que não ia acontecer nada de mal. Agora, hoje, não há cobertor de papa que me proteja, e aos raios da trovoada que assustam a minha existência não se sucedem nuvens cor-de-rosa e cheiro a terra molhada.
O meu Pai era, de certeza absoluta, a melhor pessoa do mundo. O meu Pai gostava de mim, adivinhava os meus terrores, não troçava das minhas sensibilidades e não me condenava a cada instante. O meu Pai era capaz de compreender sem precisar de explicações.
terça-feira, junho 06, 2006
Incrível como a estupidez incomoda! A ministra da educação é um absurdo. Um contrasenso. Uma substantivação impensável. Uma destruidora de possíveis. Uma incompetente. Uma aberração. Uma ditadora de má qualidade. Uma ficção de governante.
Mas chateia muita gente, prejudica milhares de pessoas e, aposto, leva para casa no fim de cada mês um ordenado chorudo. Porquê? Óbvio: - O mundo é dos estúpidos! Vivemos numa stupidocracia!
E ainda há quem sorria e seja feliz!
E quem vote!
Mas chateia muita gente, prejudica milhares de pessoas e, aposto, leva para casa no fim de cada mês um ordenado chorudo. Porquê? Óbvio: - O mundo é dos estúpidos! Vivemos numa stupidocracia!
E ainda há quem sorria e seja feliz!
E quem vote!
segunda-feira, junho 05, 2006
Eu acredito que se pode ser feliz. Em instantâneos, claro! flashes de luz, tecidos de música, assentes n'Arte que nos liberta da pobre condição humana.
sábado, junho 03, 2006
De novo a morte se chegou a mim. Levou a Senhora Dona Zélia, a tia Zélia que contava histórias às minhas crianças, a senhora pequenina, olhos piscos, sempre de saltos altos, fininhos, que sabia de poesia e da ternura das coisas, chamava Baki ao marido que amava muito e tinha sempre uma palavra amiga. Era mais uma referência na minha vida e, agora, foi-se. Sinto-lhe a falta. Sinto, sobretudo, que começa a haver faltas demais na minha existência.
Deus, porque queres tu ter junto de ti as pessoas que me fazem falta? Porque me levaste o meu Pai??
Deus, porque queres tu ter junto de ti as pessoas que me fazem falta? Porque me levaste o meu Pai??