domingo, dezembro 31, 2006
Deitou-se e fez concha para eu me acolher. Fiz-me ostra e abriguei-me na ternura oferecida, na protecção garantida. Não quis acordar e com o ano ano velho parti também.
sexta-feira, dezembro 29, 2006
2006 está a acabar. Não me deixa saudades. Foi um ano cheio de chatices, de desilusões. Um ano em que a minha solidão cresceu, agigantou-se, tornou-se ainda mais presente. Foi, também, um ano de empobrecimento (mais ainda!) do meu país, do mundo talvez.
Agora, vem aí 2007 com o fascínio de chegar novo. Por chegar a estrear parece grávido de possibilidades. Ou ilusões...
Milhões de pessoas vão engalanar-se, abrir champanhe, fazer festa e tornar viva a esperança. Eu vou dormir cedo. Perdi há muito o poder da esperança, o desejo da festa.
Agora, vem aí 2007 com o fascínio de chegar novo. Por chegar a estrear parece grávido de possibilidades. Ou ilusões...
Milhões de pessoas vão engalanar-se, abrir champanhe, fazer festa e tornar viva a esperança. Eu vou dormir cedo. Perdi há muito o poder da esperança, o desejo da festa.
segunda-feira, dezembro 25, 2006

Portalegre no seu melhor! Num parque de estacionamento, sem meio de pagamento automático, esbarrei com esta informação que significou um já de 15 minutos... Entretanto, houve conversas lagóias, bocas da terra, protestos bem portugueses.
Se vierem a Portalegre cuidado com o tempo de que dipõem ao recorrer a um parque de estacionamento!
Já está a acabar o Natal. Que alívio... Na televisão passam músicas de filmes da Disney, melodias do imaginário de sempre, recordações de aventuras vividas ou sonhadas. Queria que também para mim surgisse um fim perfeito. Um princípe encantado, podia até ser republicano como eu, que me olhasse com olhos de sinfonia fazendo eco de felizes para sempre! Havia de chegar de surpresa para me levar para longe do real, para me embalar nas asas da paixão e me fazer tocar os picos das estrelas...
sábado, dezembro 23, 2006
Quase-quase Natal. Já tenho as azevias, o bolo-rei, o ananás, as mãos a cheirar terrivelmente a alho por ter temperado o perú. O bacalhau está de molho, coitado: pescado, seco, salgado, demolhado, assado ou cozido. Parece um português a tentar viver... Na minha sala há embrulhos junto da árvore e o rei mago insiste em deixar cair a cabeça que a cola não pega ao corpo! O Smart está aborrecido, o que serão aqueles embrulhos todos?, e olha-me indignado cada vez que lhe grito sai daí imediatamente. É quase-quase Natal. A ternura que não embrulhei, insiste em molhar-me os olhos; a saudade não cabe em nenhum pacote e inunda-me as emoções.
Quem me dera que já tivesse sido Natal...
Quem me dera que já tivesse sido Natal...
quarta-feira, dezembro 20, 2006
Beijou-me a mão. Garantiu um imenso prazer em cumprimentar-me, proclamou a sua admiração pela minha escrita e, charme de outrora..., garantiu que ao vivo superava largamente a fotografia do jornal. Falou dos meus escritos emocionado, olhos húmidos, fazendo referência orgulhosa aos seus 80 anos saudáveis e lúcidos. Eu emocionei-me também. Pela ternura, pelo carinho, pelo clássico beija-mão. Foi Natal ali, naquele encontro casual.
segunda-feira, dezembro 18, 2006
Roma, Florença, Pádua, Veneza. Porque não? Um sonho, um desafio de sentires, uma brecha no quotidiano rotineiro, feito de impossíveis e realizações adiadas. Itália! Uma provocação quase. O movimento louco de Roma, os cheiros, as conversas cantadas. Florença depois. Provavelmente, a cidade mais bela do mundo. Jantar de massa que se enrola em conversas de sedução jogada, de sensualidade testada e paraíso prometido. Pádua, a oração a dois. De joelhos, afinal o Santo é nosso ou deles? A gargalhada a selar o beijo. E Veneza, os canais, os livros lidos, as partilhas, as descobertas. A noite. O cheiro dos canais a mascararem-se de almíscar. Porque viver não pode ter de ser adiar sempre. Sonhar só...Porque sim!
domingo, dezembro 17, 2006
Guardo os meus Amigos bem dentro da minha arca dos sentires. Guardo-os envoltos em mil carinhos, ternuras, atenção e cumplicidade. Às vezes, há um que arromba a fechadura e vai embora. Por mais que tente, por mais dias que passem, nunca consigo consertar completamente a desordem que essa partida deixa... No Natal, fica pior. Dói mais!
Quem decidiu que as máquinas podiam opinar? Ah... Como eu detesto as inteligências dos computadores! O meu decidiu, vá lá saber-se porquê, que o meu blog, o meu espaço de desabafo livre, devia ser bloqueado. E bloqueou-o!
Eu, analfabeta no mundo da informática ( e não só, mas o resto agora não interessa nada) andei doida para resolver o problema! Não basta o Natal, a solidão, as saudades, o país, os ministros, a minha gata que morreu, o Smart a implicar com a árvore de Natal, ainda tinha de vir a maquineta impor a sua vontade. Enchi-me de coragem e de paciência, acho que movida por alguma revolta também, e andei a pesquisar, navegar - diz-se..., até conseguir descobrir a forma de fazer a minha vontade sobrepor-se à da máquina. Finalmente, consegui!
Mas fiquei irritada. Senti-me incomodada. Acho um abuso esta mania das máquinas se imporem. Sim, porque não é a primeira vez, nem o computador é o único. O meu automóvel também protesta se não ponho o cinto, também refila se quero subir um passeio, também tem a mania de se fazer sentir vontade. Onde irei eu parar se até as maquinetas mandam em mim??
Eu, analfabeta no mundo da informática ( e não só, mas o resto agora não interessa nada) andei doida para resolver o problema! Não basta o Natal, a solidão, as saudades, o país, os ministros, a minha gata que morreu, o Smart a implicar com a árvore de Natal, ainda tinha de vir a maquineta impor a sua vontade. Enchi-me de coragem e de paciência, acho que movida por alguma revolta também, e andei a pesquisar, navegar - diz-se..., até conseguir descobrir a forma de fazer a minha vontade sobrepor-se à da máquina. Finalmente, consegui!
Mas fiquei irritada. Senti-me incomodada. Acho um abuso esta mania das máquinas se imporem. Sim, porque não é a primeira vez, nem o computador é o único. O meu automóvel também protesta se não ponho o cinto, também refila se quero subir um passeio, também tem a mania de se fazer sentir vontade. Onde irei eu parar se até as maquinetas mandam em mim??
terça-feira, dezembro 12, 2006
Está a acabar o primeiro período de aulas deste ano lectivo tão complicado. Olho o tempo que passou e assusto-me com o desinteresse crescente, com o fosso, cada vez maior, que se está a cavar entre a escola e a realidade. Vejo a desautorização, a desresponsabilização, o desnorte geral e concluo que são des a mais para o meu gosto. Queria ser capaz de colocar na vida prefixos positivos e, depois, fazê-la cumprir-se nos eixos!!
domingo, dezembro 10, 2006
Querido Menino Jesus,
Querido mesmo, porque Te quero, porque acredito que me queres também. Este ano escrevo-te recorrendo às novas tecnologias, deve haver internet no céu, ela está por todo o lado! E escrevo-te porque tenho pedidos a fazer-te... Sei que a crise é muita, as dificuldades imensas, o dinheiro pouco, mas tenho esperança, ou deveria dizer Fé?, que tenhas um truque no céu para atender o meu pedido. Os meus pedidos...
Sabes, queria que fizesses a saudade doer menos, a solidão magoar mais de mansinho. Queria muito que deixasses as minhas crianças serem felizes, e que prometesses nunca mais levar para o pé de Ti as pessoas que tanta falta me fazem.
Menino Jesus, talvez por seres sempre criança não sabes como dói a noite escura e como, ultimamente, ela se faz ainda mais negra. Dá-me uma estrela, uma só!, tens tantas no céu! Uma estrela brilhante, pode até não ser bicuda, que me aqueça o coração, me aconchegue os sentires e me ilumine a realidade.
Menino Jesus, se puderes, este ano nasce para mim!!
Querido mesmo, porque Te quero, porque acredito que me queres também. Este ano escrevo-te recorrendo às novas tecnologias, deve haver internet no céu, ela está por todo o lado! E escrevo-te porque tenho pedidos a fazer-te... Sei que a crise é muita, as dificuldades imensas, o dinheiro pouco, mas tenho esperança, ou deveria dizer Fé?, que tenhas um truque no céu para atender o meu pedido. Os meus pedidos...
Sabes, queria que fizesses a saudade doer menos, a solidão magoar mais de mansinho. Queria muito que deixasses as minhas crianças serem felizes, e que prometesses nunca mais levar para o pé de Ti as pessoas que tanta falta me fazem.
Menino Jesus, talvez por seres sempre criança não sabes como dói a noite escura e como, ultimamente, ela se faz ainda mais negra. Dá-me uma estrela, uma só!, tens tantas no céu! Uma estrela brilhante, pode até não ser bicuda, que me aqueça o coração, me aconchegue os sentires e me ilumine a realidade.
Menino Jesus, se puderes, este ano nasce para mim!!
Chegaram atrasados, como de costume. Como chegam atrasados às urgências da vida! Traziam na manga mensagens encomendadas, queriam que de novo fizesse sentido a filiação, a militância, a entrega a uma causa. Soava a velho de roupa nova, passajada embora... Não pareciam ter percebido que o mundo mudou, as pessoas são outras, as necessidades e práticas obrigatoriamente diferentes. Lá fora a chuva, o nevoeiro, a natureza a fazer-se desalento também...
E como é preciso voltar a acreditar, a lutar! E como é urgente reabilitar valores e sentidos para a existência humana!
Tarde na noite, a presença amiga e segura ao meu lado, por entre o nevoeiro, atenta às vacas inoportunas, lembrei outros momentos, imaginei futuros a haver...
E como é preciso voltar a acreditar, a lutar! E como é urgente reabilitar valores e sentidos para a existência humana!
Tarde na noite, a presença amiga e segura ao meu lado, por entre o nevoeiro, atenta às vacas inoportunas, lembrei outros momentos, imaginei futuros a haver...
quinta-feira, dezembro 07, 2006
Chove muito, o nevoeiro é denso, o dia mal se distingue da noite. Da minha janela mal se percebe a nogueira triste, despida, agitada por um vento forte e decidido. É uma relação estranha, ela frágil, doce, terna na nudez involuntária; ele intenso, decidido, envolvente mesmo. Eu assisto. E sonho sem contar o quê...
sábado, dezembro 02, 2006
Sozinha, chuva lá fora, o Smart adivinhando a tristeza que me invade. Resolvi fazer leite de creme, é preciso reagir!, e pus o avental grande, vermelho, também ele a gritar Natal. Fazer leite creme é divertido, gasta tempo, enche a casa de cheiros bons. Com o leite de creme vieram mil recordações...
De novo ele chegou, quis lamber a colher de pau, abraçou-me com força fazendo com que o meu doce encaroçasse. Não me importei. Mexi com mais força, desfiz com fúria os caroços e o creme ficou suave, macio, espesso. Ele tentava-me, fazia-me sorrir, arreliava o Smart que ladrava furioso porque detesta que interfiram com a sua regalia de cão de casa. Queimei o leite de creme com a ferra da lareira, em brasa, vermelha intensa, e ficou a sala cheia de fumo cheiroso.
Agora, ele foi embora, garantindo que o doce estava óptimo.
Será que volta à noite? Vou sonhar que sim.
De novo ele chegou, quis lamber a colher de pau, abraçou-me com força fazendo com que o meu doce encaroçasse. Não me importei. Mexi com mais força, desfiz com fúria os caroços e o creme ficou suave, macio, espesso. Ele tentava-me, fazia-me sorrir, arreliava o Smart que ladrava furioso porque detesta que interfiram com a sua regalia de cão de casa. Queimei o leite de creme com a ferra da lareira, em brasa, vermelha intensa, e ficou a sala cheia de fumo cheiroso.
Agora, ele foi embora, garantindo que o doce estava óptimo.
Será que volta à noite? Vou sonhar que sim.
sexta-feira, dezembro 01, 2006
Feriado. Corremos com os espanhóis há 400 anos, corremos para os espanhóis agora... Portalegre despovoou-se rumo a Badajoz, é tempo de compras, o Natal está a chegar, as ruas estão iluminadas e a tristeza veste-se de vermelho e verde.
Para mim foi um dia só. Igual. Feito saudades doridas tecidas de solidão.
Para mim foi um dia só. Igual. Feito saudades doridas tecidas de solidão.