quarta-feira, abril 28, 2004
Dizem que ando triste, neura, infeliz. Perguntam-me porque escrevo coisas de doer. E eu respondo que tudo me dói! Dói a revolta da doença, a mágoa de um adeus, a angústia da saudade adivinhada. Para quê falar de flores, criticar a política, enumerar as evidências do quotidiano, se a minha alma - seja lá isso o que for - está sangrando de dor e mágoa? Porquê as doenças, a degradação, a certeza de um fim com prazo marcado? Porquê ter de aceitar a irracionalidade da morte daqueles que amamos?
Vou fazer uma pausa no meu Blog de sentires. Vou calar-me. Dói demais para poder falar e, se me apetece escrever para despejar a emoção dorida, não quero levar aos outros o meu desânimo. Adeus.
Vou fazer uma pausa no meu Blog de sentires. Vou calar-me. Dói demais para poder falar e, se me apetece escrever para despejar a emoção dorida, não quero levar aos outros o meu desânimo. Adeus.
sábado, abril 24, 2004
Era uma vez um sonho. Não, não me enganei, era mesmo um sonho que procurava alguém capaz de o sonhar. Era um sonho de afectos e coisas boas: - chocolates, todos com capas vermelhas, bolos cremosos, todos com nomes franceses, mulheres que nunca engordavam, homens que nem sequer ressonavam. O sonho andava por aí, à solta, desesperadamente procurando alguém capaz de o sonhar. Mas era um sarilho... Os jovens, inexperientes, apavoravam-se, fugiam amedrontados; os idosos, esgotados, sorriam e batiam a dentadura lamentando falta de tempo; os adultos, coitados, estavam cheios de pressa, atarefados, a correr para cumprir tarefas, para enganar a realidade. E o sonho bom, coitado, deambulava, qual Cesário, mas Vermelho - que isso do Verde não lhe dizia nada... - à espera de ser sonhado.
Eu, quando me contaram esta história, fui logo dormir...
Eu, quando me contaram esta história, fui logo dormir...
quinta-feira, abril 22, 2004
É tempo de recordações, de desfilar de memórias, de colóquios de exposições. É tempo de parecer que foram tudo cravos.
Quando chegará o dia de falar de mudança? De futuro? De sonhos de possível? aos sessenta anos da Revolução? ou será ainda cedo?...
Quando chegará o dia de falar de mudança? De futuro? De sonhos de possível? aos sessenta anos da Revolução? ou será ainda cedo?...
sábado, abril 10, 2004
Ainda é Páscoa. Fui à Sé, ver o espectáculo... Não senti emoção, não me disseram nada as palavras lidas por uma voz sem ritmo, não me sensibilizaram os cânticos gritados por uma voz feminina esforçada. Apenas a morte. Ali. O louvor à cruz, lugar da dor, e a confusão a instalar-se mais intensa em mim. Onde fica a Alegria da Vida? Onde está a ternura de um Cristo que foi homem?
Cada vez percebo menos a vida, a existência. Cada vez sinto mais só a essência. A minha.
E é Páscoa.
Cada vez percebo menos a vida, a existência. Cada vez sinto mais só a essência. A minha.
E é Páscoa.
quinta-feira, abril 08, 2004
A Primavera chegou com medo. Talvez assustada com o mundo que encontrou, voltou atrás e cedeu passagem ao vento. Dentro de mim também há vento. Que me agita, incomoda, espalha sonhos e desarruma vontades-anseios.
É Páscoa. É preciso viver a Festa e, mesmo com Fé perdida, sinto alguma hipótese de renovação talvez provocada pela imensidão de ovos coloridos que encontro sempre que vou ao super-mercado. E é curiosa a Páscoa no supermercado. Há coelhos (nunca percebi porque se associam os coelhos à Páscoa se eles não põem ovos), há cores e papéis brilhantes, há amêndoas e chocolates. Há, ainda, olhares angustiados sobre os preços. Mas, que importa isso? Afinal, pormenores humanos numa existência cada vez mais in-humana!!
É Páscoa. É preciso viver a Festa e, mesmo com Fé perdida, sinto alguma hipótese de renovação talvez provocada pela imensidão de ovos coloridos que encontro sempre que vou ao super-mercado. E é curiosa a Páscoa no supermercado. Há coelhos (nunca percebi porque se associam os coelhos à Páscoa se eles não põem ovos), há cores e papéis brilhantes, há amêndoas e chocolates. Há, ainda, olhares angustiados sobre os preços. Mas, que importa isso? Afinal, pormenores humanos numa existência cada vez mais in-humana!!