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segunda-feira, março 29, 2004

Fiz dois saquinhos de chá de Ceilão. Fi-los no bule inglês, lindo, comprei-o eu mesma, numa tarde de intensa paixão, numa ruazinha de Londres, na Loja do Chá, tropeçando nos dois degraus da entrada. Deitei o meu chá numa caneca que diz Paris. Tem ursinhos, esses perfeitamente apátridas, de volta das letras de Paris. Comprei esta caneca para a minha filha, então criança. A caneca continua igual, ela fez-se mulher. Pego na caneca, bebo o chá e, no meio do cosmopolitismo internacional, a baralhar recordações quentes, aqui sentada num cantinho perdido da outrora Serra de Portalegre, faz-me companhia a solidão de sítio nenhum. Só minha. Quem me dera ser chá, de Ceilão, aquecido num bule inglês, deitado numa caneca francesa... Já agora, porque não?, firmemente envolvido por mãos bem portuguesas!

quinta-feira, março 25, 2004

...e esta Primavera de frio e vento que me incomoda! Queria a paz florida das cerejeiras do meu Alentejo. Queria, como!!, a segurança de um tempo renovado. Mas só me chega a repetição do NADA, a triste confirmação da humanidade feita de coisa nenhuma. Por isso agradeço ao alfabeto! Às letras fantásticas que me permitem, sem culpas, fazer um mundo meu, diferente, de escrita-sonho-fantasia. Se eu pudesse, queria ser uma letra. Uma letra só, sem pretensões, para poder encontrar sentido quando colocada ao lado das outras letras, iguais a mim, num mundo que se lê e permite o sonho...

domingo, março 14, 2004

QUANDO SE ESGOTAM AS PALAVRAS
Às vezes as palavras não chegam, não são suficientemente fortes, intensas... Há situações tão terríveis, cruéis, que não sou capaz de as definir, de as caracterizar, porque nem a capacidade humana inventou formas de dizer tais horrores.
É o que experimento sempre que assisto a situações que ameaçam e destroem a vida. Foi o que senti perante o atentado em Madrid, o mesmo que vivi quando aconteceu o ataque às Twin Towers, em Nova Iorque. Não adianta dizer que quem comete tais atrocidades é cobarde, criminoso, louco, animal. Não adianta porque, simplesmente, essas pessoas não têm capacidade para ouvir e, menos ainda, para sentir. Em causa está ódio, seja lá sob que máscara for, e vontade de matar.
O problema agora, para além do auxílio às vítimas, da solidariedade que todo o mundo manifestou, está em encontrarmos uma forma de combater estes criminosos sem rosto. Todos somos alvos, tudo pode acontecer, nunca saímos de casa sem temermos não voltar... Há uns dias, alguém dizia que esta é a verdadeira terceira guerra mundial, que a ameaça maior não são as armas nucleares, mas sim o terrorismo. Penso que é pior ainda. O terrorismo é pior do que a guerra porque não tem rosto, porque não tem um inimigo definido. Na guerra há opositores, há campos diferentes, há, se assim podemos dizer, códigos que se respeitam. Para os terroristas não há nada! Não temem a morte, são por vezes suicidas, não respeitam nem as crianças, não querem saber de responsáveis ou inocentes: - MATAR é a palavra de ordem e actuam sem olhar a meios.
Hoje, século XXI, o mundo moderno vive sob o medo, o pavor.
O que fazer? É preciso, e como me sinto utópica a escrever isto..., é preciso sermos heróis todos os dias e continuarmos a usar comboios, aviões, metros, autocarros. É preciso arranjar forças para ir todas as manhãs para a vida, para o trabalho, mesmo que levemos o coração encolhido e a tremer.
Madrid viu o horror. Mas viu também a humanidade a reagir, as ruas a encherem-se, as pessoas a juntarem-se contra o terror. No entanto, contra todas as expectativas, a Espanha viu os socialistas voltarem ao poder depois de anos no caminho do desenvolvimento pela mão de José Maria Aznar. Fará sentido culpar um democrata, um lutador, um homem de coragem, pela existência de fanáticos assassinos? Não creio. Na minha opinião, o medo dominou a razão dos espanhóis e por isso votaram no PSOE. Escolheram o medo...
Eu tenho medo também. Medo de atentados em Portugal, em França, seja onde for. Tenho medo da morte, da dor, da injustiça. Quero, quero muito, esforçar-me para acreditar que tudo vai melhorar, que a democracia e a liberdade vão vencer, mas não sou capaz. Vejo na televisão os espanhóis que choram, os pais que procuram os filhos, os filhos que querem encontrar os pais e choro com todos eles. Também eu sou mãe, filha, mulher, pessoa. Também eu sou um alvo para os terroristas. Como você!
Mas, perante isto tudo, só tenho uma certeza: - Farei tudo o que puder para ajudar a democracia a vingar, para fazer a Liberdade existir!

Que horror! Duas desgraças em tão pouco tempo: - Atentado em Madrid e vitória dos socialistas... Só espero que a onda rosa não atinja Portugal...

segunda-feira, março 01, 2004

Fiz anos. É giro fazer anos quando o tempo faz sentido. Reparei em cada minuto e souberam-me diferentes dos dias habituais. Estavam temperados com doçuras que os outros, meus amigos, me destinavam! Depois, vieram os presentes:- Pessoais, lindos, com papéis coloridos e fitas sedosas. A acompanhar, cartões, palavras, saudades, promessas a fazerem o futuro ter sentido.
Fiz 44 anos. Agora, espero..., estou na fase em que a vida pode fazer-me sentido. Serei capaz?...

Apareceu uma mulher - professora ainda por cima! - a pretender candidatar-se a Presidente da República... Senti tripla tristeza/vergonha: - por ser mulher, por ser portuguesa, por ser professora! Como se não bastasse, a senhora é feia mesmo. Cara de rata, olhar de pisco, gestos de louca.
Ah pobre Portugal... onde estão aqueles que um dia Te sonharam?...

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