quarta-feira, junho 27, 2007
Mudamos com os tempos. Lapalissada indiscutível! Eu, provinciana convicta, agarrada ao meu espaço, aos cães, à calma da minha Serra, sempre desejando a protecção caseira, agora faço as malas com entusiasmo verdadeiro! Partir!
E, de preferência, por muito tempo e para muito longe. Tão longe que possa perder a localização deste Portugal que me irrita e desgosta!
É já amanhã que parto de novo, a mala está pronta.
E, de preferência, por muito tempo e para muito longe. Tão longe que possa perder a localização deste Portugal que me irrita e desgosta!
É já amanhã que parto de novo, a mala está pronta.
domingo, junho 24, 2007
Silêncio pesado. Oiço-o no fundo de mim, sinto-o esbarrar nos cantos da minha alma cinzenta e surpreendo-me com a sua força. Não oiço os cães, não oiço o vento, as rãs estão mudas, a televisão desligada. Agora, esta noite, era um tempo bom para ouvir o sonho. Mas tenho medo do que ele me possa dizer, não quero vê-lo chegar acabrunhado. Por isso, vou dormir. Já. Cedo ainda.
Em breve, 5ªfeira, parto de novo. Bruxelas. A Europa. Seja lá isso o que for...
Em breve, 5ªfeira, parto de novo. Bruxelas. A Europa. Seja lá isso o que for...
terça-feira, junho 19, 2007
segunda-feira, junho 18, 2007
Voltei. Com a sensação de um condenado, voltei. Encontrei o país na mesma: - Os mesmos ministros idiotas, o mesmo primeiro incompetente e falso, os mesmos "inhos" que fazem Portugal hoje. É um país esquisito, este meu Portugal. Tudo é inho. Da ambição ao sonho, dos limites às ousadias. Um diminutivo triste, humilhante até, chocando com a enormidade da capital inglesa.
Ah Londres... Cruzar-me com gente de olhar brilhante, surpreender-me com a irreverência, invejar a liberdade de quem pode correr nos parques brincando com os esquilos. Londres. Cidade de onde chego sempre cheiinha de vontade de voltar.
Agora, em casa, olho as fotografias, relembro os momentos, saboreio o arquivo de recordações que consegui fazer crescer. Vem tu para junto de mim, deixa-me contar-te como estava cheio o mercado de Portobello Road, como estava animado Covent Garden, como me apetecia comprar tudo (quase) no Harrod's. Fica aqui comigo, ouve os segredos que trouxe. Ri-te da fotografia em que sou o Shrek... Faz-me acreditar que aquele boneco verde e simpático não é o único responsável pela minha gargalhada solta.
Ah Londres... Cruzar-me com gente de olhar brilhante, surpreender-me com a irreverência, invejar a liberdade de quem pode correr nos parques brincando com os esquilos. Londres. Cidade de onde chego sempre cheiinha de vontade de voltar.
Agora, em casa, olho as fotografias, relembro os momentos, saboreio o arquivo de recordações que consegui fazer crescer. Vem tu para junto de mim, deixa-me contar-te como estava cheio o mercado de Portobello Road, como estava animado Covent Garden, como me apetecia comprar tudo (quase) no Harrod's. Fica aqui comigo, ouve os segredos que trouxe. Ri-te da fotografia em que sou o Shrek... Faz-me acreditar que aquele boneco verde e simpático não é o único responsável pela minha gargalhada solta.
terça-feira, junho 12, 2007
Em breve vou partir. Quarenta e oito horas mais e estarei no avião, solta, livre, voando para a minha cidade de eleição: Londres! Quantas vezes me quiseram já convencer que Londres não é, decididamente, a melhor cidade do mundo? Sugerem-me Praga, Rio de Janeiro, Estocolmo, até Viena. Mas eu não me rendo. Das muitas cidades que conheço, e apesar da paixão que senti por Amesterdão, Londres continua sendo a minha preferida. Pela diversidade de culturas, pelo movimento silencioso, pela abundância de espaços verdes, pelas terríveis histórias que descubro em cada monumento, pela ousadia, pela intensidade, pelo olhar sobranceiro dos ingleses também. Sim, sei que são peneirosos, snobs, convencidos, com a mania da superioridade mas, para mim, são autênticos e justificam a sua diferença. Acho fantástica a forma como conseguiram manter a libra – euros? No, just pounds! – ouvi por diversas vezes em lojas inglesas. São diferentes, sim. Talvez por serem uma ilha, por estarem de facto desligados fisicamente da Europa, são um povo fantástico. Há uma frase conhecida, publicidade talvez?, que afirma “Ali eu fui feliz”. Também eu fui ali, em Londres, imensamente feliz! Quantas recordações… O Swan, a Serpentine, o Hempel, a fé na mudança e na felicidade…Enfim. Vou para lá, uma vez mais, numa fuga rápida, com amigos, com espaço para as gargalhadas, para as barbaridades, para as transgressões. Com amigos verei, uma vez mais, a Torre de Londres, entrarei no Madame Toussaud e cruzarei a Oxford Street. Com eles, olharei o mundo de Piccadily e lembrarei os Beatles. No Madame Toussaud’s, não desisto da ideia, quero tirar uma fotografia ao lado do Mourinho. Se há um português famoso, porque não valorizá-lo? Na minha sala, que começa a escurecer, encanto-me com a facilidade com que uma viagem, ainda que breve, pode colorir a existência, iludir a realidade.
Agora, a tristeza - tanta!, as desilusões – demais!, a solidão – excessiva!, ficam trancadas no fundo do baú das inutilidades.
Agora, a tristeza - tanta!, as desilusões – demais!, a solidão – excessiva!, ficam trancadas no fundo do baú das inutilidades.
domingo, junho 10, 2007
Sala cheia. Completamente cheia. O Centro de Artes do Espectáculo, de repente, parecia-me pequeno para tanta gente. Algazarra no hall, toda a gente a brincar, a entrar em fila pouco ordeira, a minha flor verde a parecer-me solta. Não, está presa, não te preocupes. Vozes parceiras de nervoso angustiado.
Cinco e meia da tarde. Silêncio e escuridão na sala, a voz firme da Ana a anunciar o espectáculo e as crianças a entrarem em cena. Lindas! Bailarinas de 4 e 5 anos, ensaiando pontas, olhares fixos na professora, o palco cheio de rosa e verde. Palmas!! Karaté, saltos, gritos, movimentos ágeis. Palmas! O nervoso a crescer ... E nós. O grupo do "Ao Ritmo da Dança!" , os adultos, eu a sentir a mão profissional do João a segurar a minha. E o tango. Rodrigo Leão, o tango que eu tantas vezes oiço, e eu a esquecer o público, o palco, o CAE. Agora era eu e o João, os oitos, o gancho da mulher, os quadrados, o gancho do homem e, num instante, o chachacha. Abre, roda duas vezes, abre para trás, rodopia, apetecia-me cantar também! E a salsa. Rápida, corpos certos, movimentos esguios e ousados, a plateia a aplaudir. Cá fora, o que alívio. Correu bem! E, ainda de flor, ver os outros, admirar a leveza da Lena, a elegância do João, a perícia do Pedro, o charme da Ana Paula. No final, a loucura. Miúdos, jovens, adultos, alunos, professores, todos num "movimento sensual; una mano en la cabeça, una mano en la cintura, um movimento sexy". A plateia de pé, as flores, o até para o ano.
Deve ser assim que se marca a vida de momentos bons: - Com companheirismo, música, arte e MUITA confiança!!
Cinco e meia da tarde. Silêncio e escuridão na sala, a voz firme da Ana a anunciar o espectáculo e as crianças a entrarem em cena. Lindas! Bailarinas de 4 e 5 anos, ensaiando pontas, olhares fixos na professora, o palco cheio de rosa e verde. Palmas!! Karaté, saltos, gritos, movimentos ágeis. Palmas! O nervoso a crescer ... E nós. O grupo do "Ao Ritmo da Dança!" , os adultos, eu a sentir a mão profissional do João a segurar a minha. E o tango. Rodrigo Leão, o tango que eu tantas vezes oiço, e eu a esquecer o público, o palco, o CAE. Agora era eu e o João, os oitos, o gancho da mulher, os quadrados, o gancho do homem e, num instante, o chachacha. Abre, roda duas vezes, abre para trás, rodopia, apetecia-me cantar também! E a salsa. Rápida, corpos certos, movimentos esguios e ousados, a plateia a aplaudir. Cá fora, o que alívio. Correu bem! E, ainda de flor, ver os outros, admirar a leveza da Lena, a elegância do João, a perícia do Pedro, o charme da Ana Paula. No final, a loucura. Miúdos, jovens, adultos, alunos, professores, todos num "movimento sensual; una mano en la cabeça, una mano en la cintura, um movimento sexy". A plateia de pé, as flores, o até para o ano.
Deve ser assim que se marca a vida de momentos bons: - Com companheirismo, música, arte e MUITA confiança!!
segunda-feira, junho 04, 2007
Semana complicada, esta...
Hoje concorri para "Professora Titular". Concurso indesejado, título humilhante porque é dado por trabalho burocrático, não por inovação pedagógica ou conhecimento científico. Mas o concurso "era obrigatório"... Como é estranha esta coisa a que chamam democracia!!
Amanhã despeço-me de duas turmas de 12º ano. Já estou cheia de saudades deles!
Sábado, é dia 9.
Hoje concorri para "Professora Titular". Concurso indesejado, título humilhante porque é dado por trabalho burocrático, não por inovação pedagógica ou conhecimento científico. Mas o concurso "era obrigatório"... Como é estranha esta coisa a que chamam democracia!!
Amanhã despeço-me de duas turmas de 12º ano. Já estou cheia de saudades deles!
Sábado, é dia 9.
domingo, junho 03, 2007
Soube hoje, num almoço de trabalho, que há medalhas de mérito municipal, grau ouro!, que são atribuidas por inerência do cargo, automaticamente. Assim, um ex-presidente de Câmara, um ex-presidente de uma qualquer Junta de Freguesia, ainda que nada tenham feito em prol das populações, mesmo que tenham sido, comprovadamente, corruptos e vigaristas, recebem a condecoração!! Muita coisa está explicada...
À porta da PSP.
Eu - Boa tarde, vinha pagar uma multa...
Agente - Ah, isso não é aqui.
Eu - Mas no bilhete que me deixaram no carro dizia para me dirigir à esquadra da PSP.
Agente - Ah... Deixe lá ver o papel (olha o papel com atenção) sim, isto é aqui, mas não é para pagar, é só para se identificar.
Eu (insistindo) - Mas eu queria pagar já...
Agente - Passe aquela porta e vire à direita. Há-de lá estar um colega meu, fale com ele.
Passei a porta de vidro, virei à direita. Entrei num gabinete desarrumado, dois computadores adormecidos, três agentes descontraídos.
1º Agente (sentado e de palito na boca) - Você o que quer?
(O você era eu...) - Venho pagar uma multa, está aqui o impresso.
1º Agente - Isso não se pode pagar já. Foi multada hoje?
Eu - Não, fui multada ontem à tarde.
2º Agente - Se você tivesse cá vindo logo, podia pagar, havia de estar para aí o colega que a multou. Agora, tem de esperar que seja levantado o auto e que lho mandem para casa.
Eu (suplicante) - Se pagasse já ficava o assunto resolvido...
1º Agente - Tem o BI?
Eu - Aqui tem.
Com enervante calma confere os dados com os que eu mesma tinha escrito no tal papelinho.
1º Agente - Hummm... a senhora é filha do Sr. Dr. Emílio?
Respirei de alívio, tinha eliminado o desesperante você - Sou sim.
1º Agente - Lembro-me muito bem do seu Pai, grande Médico, amigo de toda a gente. Acompanhou a minha mãe até ao fim, atendia-nos a qualquer hora. Já não há médicos assim. (Suspira, agastado) E como é que a senhora se deixou multar?
Agora apetece-me rir... - Bom, eu estava a trabalhar, tinha o carro estacionado onde há 15 anos o estaciono, se estivesse dentro dele talvez tivesse convencido o senhor agente a não me multar...
2º Agente - Olhe doutora (o você evoluiu) a senhora vai ter sorte...
Rejubilei! Ir-me-iam perdoar a multa??? - Então?? - perguntei.
2º Agente - Isto agora vai para o auto, depois manda-se para sua casa, numa carta registada com envelope verde, e só cinco dias depois é que pode pagar no Multibanco, hão-de (ele disse hádem...) ir lá uns códigos.
Eu - E diz que tenho sorte?
2º Agente - Sim, porque isto só lhe vai chegar a casa lá para a altura do subsídio de férias...
Saí da PSP entre irritada e divertida.
Devo pagar, disse o terceiro agente com ar soturno, "ou 30, ou 60 ou 120 euros. Depende se tinha o carro num estacionamento proibido, num passeio ou a obstruir a via".. Acho que ficarei pelos 60 euros e uma história gira para enriquecer as minhas memórias. Quando o incrível acontece, uma gargalhada vale muito!!
Eu - Boa tarde, vinha pagar uma multa...
Agente - Ah, isso não é aqui.
Eu - Mas no bilhete que me deixaram no carro dizia para me dirigir à esquadra da PSP.
Agente - Ah... Deixe lá ver o papel (olha o papel com atenção) sim, isto é aqui, mas não é para pagar, é só para se identificar.
Eu (insistindo) - Mas eu queria pagar já...
Agente - Passe aquela porta e vire à direita. Há-de lá estar um colega meu, fale com ele.
Passei a porta de vidro, virei à direita. Entrei num gabinete desarrumado, dois computadores adormecidos, três agentes descontraídos.
1º Agente (sentado e de palito na boca) - Você o que quer?
(O você era eu...) - Venho pagar uma multa, está aqui o impresso.
1º Agente - Isso não se pode pagar já. Foi multada hoje?
Eu - Não, fui multada ontem à tarde.
2º Agente - Se você tivesse cá vindo logo, podia pagar, havia de estar para aí o colega que a multou. Agora, tem de esperar que seja levantado o auto e que lho mandem para casa.
Eu (suplicante) - Se pagasse já ficava o assunto resolvido...
1º Agente - Tem o BI?
Eu - Aqui tem.
Com enervante calma confere os dados com os que eu mesma tinha escrito no tal papelinho.
1º Agente - Hummm... a senhora é filha do Sr. Dr. Emílio?
Respirei de alívio, tinha eliminado o desesperante você - Sou sim.
1º Agente - Lembro-me muito bem do seu Pai, grande Médico, amigo de toda a gente. Acompanhou a minha mãe até ao fim, atendia-nos a qualquer hora. Já não há médicos assim. (Suspira, agastado) E como é que a senhora se deixou multar?
Agora apetece-me rir... - Bom, eu estava a trabalhar, tinha o carro estacionado onde há 15 anos o estaciono, se estivesse dentro dele talvez tivesse convencido o senhor agente a não me multar...
2º Agente - Olhe doutora (o você evoluiu) a senhora vai ter sorte...
Rejubilei! Ir-me-iam perdoar a multa??? - Então?? - perguntei.
2º Agente - Isto agora vai para o auto, depois manda-se para sua casa, numa carta registada com envelope verde, e só cinco dias depois é que pode pagar no Multibanco, hão-de (ele disse hádem...) ir lá uns códigos.
Eu - E diz que tenho sorte?
2º Agente - Sim, porque isto só lhe vai chegar a casa lá para a altura do subsídio de férias...
Saí da PSP entre irritada e divertida.
Devo pagar, disse o terceiro agente com ar soturno, "ou 30, ou 60 ou 120 euros. Depende se tinha o carro num estacionamento proibido, num passeio ou a obstruir a via".. Acho que ficarei pelos 60 euros e uma história gira para enriquecer as minhas memórias. Quando o incrível acontece, uma gargalhada vale muito!!