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quarta-feira, maio 30, 2007

Uma multa de estacionamento, hoje, estragou-me a tarde! Parei o carro no lugar de sempre, sem incomodar ninguém, e, ao chegar, tinha lá um papel agressivo. Ainda por cima, o papelucho autoritório revela uma escrita incipiente...
Amanhã, bem cedo, lá irei eu, ar culpado, afinal parei o carro num passeio! (que interessa que naquela rua larga nada incomode?), e mereço o castigo.
Claro que tenho uma esperança... Quem sabe não serei condecorada, no ano que vem, com a Medalha de Mérito Grau Ouro da cidade de Portalegre? É que isso aconteceu com um pseudo-colega. Um burlão que, durante 30 anos!!!, fingiu ser professor e, agora, foi descoberto e expulso da função pública! Se ele teve ouro, talvez a minha transgressão mereça prata...

terça-feira, maio 29, 2007

Ontem, a morte visitou-me outra vez. Uma antiga colega, a Olga, a irmã do Sérgio, ele doente de sempre, morreu subitamente. Embolia, disseram. Ficaram três miúdos, sem ter a quem chamar de noite, sem poderem pedir à Mãe ajuda para a preparação do casamento. Lembro-me bem da Olga, professora como eu, morena, agora a viver no Algarve...
Hoje, a castanha teve seis filhos lindos! Há um às risquinhas pretas e brancas, duas em deliciosos castanhos-caramelo, um preto - saíu ao pai!-, os outros misturas de sol e terra. Cuidei deles, reforcei a ração da castanha, afaguei-a, pedi-lhe que zelasse bem pelos frágeis gatinhos...
A vida é isto: Morte e Vida! Numa combinação estranha, agressiva, possível, afinal.

sexta-feira, maio 25, 2007

Cyrano de Bergérac. Os alunos pesquisam, perguntam, surpreendem-se - Era tão feio!. Falo-lhes da essência do ser, daquilo que está para além do horrível nariz. Conto-lhes do coração enorme, da imensidão dos sentires. Olham-me incrédulos... Amor? É tão feio, repetem. Tento que vejam para além do exterior. Tarefa difícil na era do imediato... Mas insisto. Queria tanto ser capaz de os ajudar a crescer por dentro, a serem melhores pessoas...

segunda-feira, maio 21, 2007

É obrigatório fazer a candidatura. Nem mais. Estamos em Portugal, claro... e referimo-nos aos professores. O Ministério da Educação, por ideia luminosa da senhora ministra ou do maldito Lemos, inventou o "Professor Titular" e exige aos professores que se inscrevam no concurso que, teoricamente, lhes permitirá, ou não, aceder à nova designação. Ou não... esse é que é o problema! porque, para se poder adquirir o famoso título, há que somar pontos. Tipo pontos da Galp, ou do cartão Modelo, muitos até dão desconto. Ora, no ensino, aos professores - profissionais de educação, com a docência como principal actividade - o que dá pontos são as actividades não docentes! Estamos em Portugal, convém lembrar!! Ou seja, ser membro do conselho executivo, ser coordenador de qualquer coisa (por mais descoordenada que ela seja), etc. Dar aulas, trabalhar com alunos, isso é o menos relevante. Incrível? Não porque, lembremos de novo, estamos em Portugal!!
Um dos cargos que mais pontos dá, tipo se atestar o carro além de pontos tem desconto, é ser presidente da Assembleia de Escola. Gargalhadas!! A Assembleia reúne 3 vezes por ano e não serve RIGOROSAMENTE para nada!!
Seria uma vergonha o que está a acontecer se... não estivessemos em Portugal!!
Grande país!

sábado, maio 19, 2007

Dia de Primeira Comunhão. Amanhã. E as recordações a chegarem de rompante.
Linda, de branco, o vício de abrir desmedidamente os olhos, procurando-me nas filas do meio e garantindo, entre decepcionada e aliviada "Não aconteceu nada! Estou igual, Mãe!". Depois, anos passados, nova Primeira Comunhão. O medo de se enganar, de não conseguir engolir sem mastigar - a irmã disse que tinha de engolir! - , de branco também, o olhar pedindo socorro, a corrida para o colo com a comunhão feita. Foi assim com as minhas crianças-mulheres. Eu a pedir em segredo a Deus, a Cristo, que as deixasse serem felizes, que desse sentido à comunhão.
Amanhã é a Carolina. Numa brincadeira total, como se fosse, apenas, um motivo para festa...
Vou estar lá. Rezando também. Pedindo e prometendo.

sexta-feira, maio 18, 2007

Peço colo à vida. Que me abrace forte, me embale e me conte da felicidade que desconheço. Ela vira-me as costas. Atira-me a solidão, deixa-me perdida no meio de referências que identifico como percursos de nada. Tento protestar e procuro Marvão, o silêncio das pedras, o voo firme das águias. Peço um café, água também. Mas apetece-me uma caipirinha, o mar por perto, uma companhia de ombros suficientemente largos para acolher o tamanho exagerado da minha angústia...

terça-feira, maio 15, 2007

Portalegre vai entregar a Medalha de Ouro a António Costa. Não. Não é bem assim... A Câmara Municipal de Portalegre vai humilhar a cidade dando, a António Costa (esse mesmo. O 2º do PS, o ex-ministro agora candidato) a medalha de ouro da cidade!! Assim, é que é verdade. E porquê? Porque, alegam, ele interveio para que a cidade não perdesse a escola da GNR... Ora, pergunto eu, não era o trabalho dele, como Ministro da Administração Interna, zelar pelos interesses das populações e propor um ordenamento que não penalizasse o interior? Se era assim, e eu julgo que era, será que o cumprimento de uma tarefa justifica uma Medalha de Mérito?? Em ouro?? Tenho a certeza que não!
Portalegre não merecia esta humilhação. Portalegre, ao longo dos séculos, tem homenageado gente de cá - de Portalegre! - que fez alguma coisa (muita!) pela terra e pelas gentes! Esta medalha, que me vai fazer fugir daqui no dia 23 de Maio, que me revolta e faz gritar de desespero discordante, é uma ofensa aos portalegrenses.
Esta Portalegre não é a minha. Não é, já, a dos portalegrenses que conhecem os segredos da rua Direita, que adivinham as conversas na Quina das Beatas, que gastam os sonhos nas velhas muralhas... Esta Portalegre de hoje, está dominada, como o país, por politiqueiros. Por jogos de bastidores, por interesses mesquinhos, por sorrisos de promessas e pancadinhas de subjugação!
Que raiva!! Até dói!!

domingo, maio 13, 2007

Chuva, respostas excessivamente erradas nos testes que corrigi, a briosa a perder, a tristeza instalada. Foi domingo. Não fui à missa, sequer. Estou aqui. Ou não. Porque a minha alma está por fora, procurando rumos, tentando encontrar saídas no labirinto em que a tenho que prender. Estou cansada de ser.

quinta-feira, maio 10, 2007

Garras fortes ocupam o meu peito, o ar não passa, sufoco de angústia e asma! Peço ajuda ao Symbicort, tomo Kestine, Aérius também, gasto lenços de papel e não melhoro. Queria ficar fechada em casa, longe do vento, dos pólens, da Primavera tardia que me mata. Queria, também, isolar-me do mundo humano. Estou cansada deste ser que eu sou...

domingo, maio 06, 2007

Venceu o Sarkozy em França. Venceu Alberto João Jardim na Madeira. Fiquei contente. Pela opção pela Direita em que acredito.
Fiquei também feliz com a humilhação que o PS sofreu na Madeira! Queria ir para lá viver. Ou que o Dr. Alberto João viesse para cá!!

sábado, maio 05, 2007

Gosto muito de Sophia. Por ser poetisa, Mãe, mulher, lutadora pela liberdade. Fico desolada quando me lembro que foi socialista, do PS mesmo (ninguém é perfeito…) mas consolo-me pensando que se afastou, que se desiludiu quando esbarrou com a realidade triste da vida política portuguesa.
Mas não era de Sophia, sequer de poesia, que me estava a apetecer falar quando me sentei em frente à minha janela e liguei o computador. Não. Era da morte mesmo. Porque é manhã de Dia da Mãe, porque o sol está quente, porque os pardais saltitam eufóricos, porque a relva da piscina foi cortada, porque as cerejeiras se vestiram de noivas e porque a minha cadela tem o pelo a cair. Por causa da vida, enfim. Porque a morte me acompanha por eu ter de respirar, de sorrir, de tomar duche e de conviver.
Penso, muitas vezes, em morrer. Fechar a porta de existir, com força, e ficar gozando o ser-só. Quando se morre não se existe, acho eu, mas é-se. Eu acho que seria ainda, uns anos, na memória dos que me conheceram, me gostaram, me detestaram também.
Mas, se eu morrer, não voltarei para buscar instantes nenhuns.
Não quero voltar, não sinto que tenha ficado vida por viver. Vivo cada dia com entrega total, às causas, às emoções, às recordações, às descobertas, às rotinas mais comezinhas. Vi já nascer muitos sóis, vi deitarem-se muitos mais e vi até, juro!, o ponto verde mais do que uma vez. Vivi dias de chuva, de sol, de vento, de nevoeiro também. Gritei palavras a ferver, outras geladas, muitas beijadas e apaixonadas. Acreditei, desiludi-me, chorei e ri gargalhadas sonoras. Tive certezas, dúvidas, incredulidades. Decidi e reformulei. Fiz já quase tudo, penso muitas vezes. Voltar, para quê? Ao contrário de Sophia, os instantes que tecem a minha vida foram todos vividos completamente. Como os vivo hoje, dia da Mãe, passeando com o Fred, molhando as botas de camurça na ribeira, recebendo a ternura verdadeira das minhas filhas e lembrando o tempo em que, sob a orientação severa da dona Dália, tentava pintar um azulejo para dar à minha Mãe. Então, o dia era dela. Hoje, é meu dia também.
Morrer deve ser calmo, tranquilo, libertador até. Morre-se e pronto. Ficam saudades, ficam memórias, registos escritos, fotografias até, mas não se fica sendo, não se arrastam gerúndios.
Quando eu morrer, não vou levar nada comigo. Os pássaros também voam para longe-longe e nunca levam nada com eles!
Aliás, sempre pensei que deve ser bom poder voar para longe, de tempos a tempos, sem carregar nada e começando tudo de novo: novo ninho, novo espaço, novas descobertas também! A vida só faz sentido quando se recria, se reinventa o óbvio, se desafia o banal. A vida não são dias da Mãe, do Pai, da criança, da árvore, da Europa, de sei lá mais o quê. Ou são. Sim, podem ser. Se nos contentarmos com o que nos dão, o que inventam para aqueles todos que nós incluímos também. Eu não me contento. Eu quero uma vida ousada, feita de sonhos e tecida de loucuras boas, loucuras daquelas que fazem os homens sonhar “Louco! Louco sim!” como dizia Pessoa para homenagear D. Sebastião.
Quando eu morrer. Vou deixar de me irritar com o governo do país, não vou mais ter alergia à Primavera e não vou mais sentir que a solidão sabe a sal grosso. Quando eu morrer, não vou mais ter de sofrer as agressões da ministra da educação, as humilhações da União Europeia ou os sorrisinhos estúpidos de alguns outros com quem, obrigatoriamente, me cruzo.Sophia que me desculpe mas, quando eu morrer, não voltarei para buscar mesmo nada!!

terça-feira, maio 01, 2007

Quero lá saber do feriado, do dia do trabalhador ou seja lá de que pretexto for. Aproveito o tempo para sonhar, por enquanto actividade livre de impostos, e ponho em ordem o trabalho. Sim, o trabalho apenas. Porque a vida, essa, continua numa terrível confusão... Comprei um chocolate delicioso, enchi uma taça de morangos, abri uma garrafa de Cava (trouxe de Sevilha!), pus a rodar o cd de Rodrigo Leão e fico a ver o frio de Primavera amuada arrepiar as penas do meu amigo de bico amarelo. Os sentires surgem emaranhados, tecidos em recordações. Ignoro-os. Os morangos sugerem melhor.

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