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quarta-feira, junho 30, 2004

Viva Portugal! Viva! Viva com força!
Há muito que não se sentia uma tão grande mobilização, um tão alargado entusiasmo.
O V Império terá a forma de uma bola! O Sebastianismo concretizou-se no Figo!!
Viva Portugal!

terça-feira, junho 29, 2004

Ele veio devagarzinho. Não bateu à porta, não tocou a buzina e nem sequer assobiou. Chegou, entrou e fez-se sentir. Vinha carregado de ternuras, ousadias, inconfessáveis. Instalou-se, não anunciou que era para ficar. Ela veio então. Receosa.
E depois? E ele contou que nem todos os livros têm segundo volume. Disse das histórias com final feliz.
Ela temeu pelas narrativas abertas. Mas o sorriso era imenso, o abraço fresco no dia de Verão. E ela ajudou a escrever aquele trecho da narrativa.
Era uma narrativa a haver. Como o futuro...

domingo, junho 27, 2004

É domingo, Portugal continua no EURO, o Primeiro Ministro vai-se embora, todos especulam sobre o futuro mais próximo de Portugal e está calor. O inferno desceu, ou subiu?, à terra. E eu estou com calor, ansiosa, angustiada e cada vez mais trancada em mim. A catorze chaves, que sete é pouco.
Apetecia-me viajar no tempo, partir para um futuro sonhado, desejado, onde não houvesse solidão, nem doenças, nem sequer dedos cosidos. Apetecia-me a neve, um abraço quente, a ilusão de possíveis de felicidade.
Apetecia-me, ainda, o mar. A praia, os segredos das ondas, o beijo que leva o sal. Apetecia-me, afinal, ser continuidade.

quarta-feira, junho 23, 2004

De repente, com um dedo pendurado, estava no Hospital. Um espaço renovado,obras recentes, a pretender ser humano, mas cheio de vazios e pleno de angústia e dor. No corredor, quadro macas alinhadas, encostadas à parede, lixo humano a aguardar a reciclagem em forma de um RX demorado. Batas brancas indiferentes que passam e perguntam dos golos, das vitórias. Piadas sem graça, num espaço a pedir ternura.
E entrei. Sala com maca no meio, três degraus de madeira, base dura, luz intensa sobre os olhos, dedo a sangrar, medo a doer. E é preciso coser! Anestesia? Não faz sentido, são três pontos apenas... E vale a pena a dor. A dor terrível, intensa, que magoa na carne e revolta a alma.
Porque será que os homens gostam de poder fazer sofrer? Não faz sentido que, na era da informática e da lua, um dedo cortado provoque tanta dor, tanto sofrimento. Onde ficaram os ideais vintistas de uma sociedade humanizada? Que revolta! Que raiva pela dor, por aquela mulher que, desde as nove da manhã!, aguarda às sete da tarde por uma hipótese de RX!!
De que servem tantas bandeiras numa Nação sem sentido?!

terça-feira, junho 22, 2004

Está vento lá fora. É um vento de verão, quente, incomodativo, a lembrar-me Régio e a corda dos desesperados. Muitas vezes esta imagem me assalta: - o fim procurado. E eu não quero o fim! quero, tanto!, a confiança de um recomeço constante, cheio de possíveis, de sonhos a cumprir, de instantâneos de felicidade feitos momentos compridos de bons. Depois, confrontada com o meu "eu", rio-me de mim. Que ridículo sonhar, ainda, com o impossível. Até quando? Serei a alma inconformada que grita no silêncio a dor que dilacera? ou sou apenas uma mulher portuguesa, feita de desilusões, anseios, dores e desesperanças?
Haverá, um dia (nos tais "um dia" que me exasperam) a hipótese real da construção do sonho? O meu sonho. O da cumplicidade efectiva. O da plenitude.

sábado, junho 19, 2004

Esgotou-se um sábado. E os sábados marcam os tempos: - porque são desejados; porque se vestem de horas e minutos que, tantas vezes..., são de ninguém. Sento-me aqui, nesta sala amarela, e relembro o meu sábado de junho. Há exames para corrigir, testes que falam de ditaduras por miúdos que, indiferentes ao Beresford ou ao Salazar, assistem à abstenção dos pais aproveitando para ir à praia. Vejo em cada teste um olhar feito de sonhos. É bom ter sonhos, poder imaginar e, acima de tudo, é bom ainda acreditar. Eu queria que na escola se ensinasse a paixão do sonho na descoberta dos poetas, dos escritores. Queria uma escola capaz de entender que hoje, século XXI, o umbigo de cada um é mesmo importante: - É lá que se põe o piercing...
Foi sábado. Eu vivi a minha solidão mascarada. Os outros? muitos o futebol! Que vida boa...

quinta-feira, junho 17, 2004

Dói-me a alma, tenho os sentires amassados numa bola de sensações inexplicáveis. A minha Razão choca com os meus Sentires e eu fico no meio, espremida de angústia, sem encontrar uma fresta por onde me esgueirar... Às vezes, penso que sou má condutora. Que não consigo segurar firmes as rédeas da montada. Outras vezes, sinto que o caminho é tortuoso demais para as minhas capacidades de viajante. Queria poder fazer como o bichinho da seda, fechar-me num casulo e permitir que voasse uma crisálida direita à luz intensa.

domingo, junho 13, 2004

O PS ganhou as eleições europeias. Ganhou numa minoria de votos, menos de metade dos portugueses foi às urnas. Mas ganhou. E isso quer dizer que a minha gente, o meu povo português, tem memória curta... Então já se esqueceram do caos em que nos lançou o governo de Guterres?! Sinto que este foi o voto contra as medidas desagradáveis do governo. Sei que este governo não é o ideal, enquanto lá estiver o venenoso do Portas será complicado ser um governo de sucesso. Mas o que me assusta, mais ainda do que a vitória dos socialistas, é o desinteresse das pessoas. Então já se esqueceram da ditadura? Do tempo em que não tinham o direito de votar?
Queria um governo para Portugal feito de verdade, de Liberdade e humanidade. Será pedir muito?

quinta-feira, junho 10, 2004

Sempre que entro em casa, o Jau recebe-me. Quando me sento à camilha, na tarefa de corrigir trabalhos, ele fica por perto. Olha-me de vez em quando, garantindo a presença, marcando terreno. De manhã, é o primeiro a dar-me os bons dias, sempre bem disposto. Mas é à noite que o Jau mostra ter outrora convivido com o grande Poeta... Mal eu me sento em frente do computador, ele deita-se junto a mim e fica a ver-me. Muitas vezes, é ele quem seca as minhas lágrimas. Entende a solidão que dói e partilha-a comigo. Também vê televisão. Gosta de cores, de gente que ri, e, por isso, fica sossegado enquanto eu, sem acertar na escolha, saltito pelos diversos canais. Sempre que vai comigo para a piscina, treme se eu fico debaixo de água. Ladra ansioso, assustado, quer ver-me com a cabeça de fora, viva e enérgica. Nunca o Jau se zangou comigo. Nunca me culpou de nada (no máximo uma ladradela de irritação se a tigela da água fica vazia muito tempo). O Jau nunca disse que gostava de mim. Nunca garantiu que me amava, menos ainda que me adorava. O Jau mostra que precisa de mim, afaga-me com o pelo sedoso, chora quando eu choro, espreita-me ansioso quando eu suspiro.
O Jau é o meu cão! Foi, há séculos, companheiro de Camões. Hoje, não reclama da despromoção e dá-me toda a ternura que tem. Não é hipócrita, não tem outras prioridades e só me atraiçoa quando as minhas filhas entram em casa. Elas são, para ele e para mim, prioridade máxima!!
O Jau adivinha a solidão e, felizmente para ele, não pode avaliar como ela dói... Hoje, Dia de Portugal, aqui estou. Com o Jau. A minha homenagem vai para ele.

10 de Junho - Dia de Portugal, de Camões!! Para mim é o feriado com mais significado: - Ainda faz sentido Pensar e Sentir Portugal. Como disse o Poeta "Da minha Pátria vê-se o mar!". E é a imensidão de um sonho, ainda por cumprir, que eu veja também. Portugal. Palavra salgada, de lágrimas, de desilusões, de possíveis por existir.
Ainda tem de valer a pena festejar Portugal! Mesmo que a bandeira tenha perdido as quinas, ainda que as perspectivas sejam negras...
"Eu canto o peito ilustre lusitano", e Camões canta ainda. Canto de dor e mágoa, de ritmo épico de outrora, pedindo - exigindo! - ser cumprido.
"Senhor, falta cumprir-se Portugal!"!!
Os possíveis são inúmeros. A vontade (alma?) poderá sempre renascer...

segunda-feira, junho 07, 2004

E o tempo cumpre-se. Às vezes, em pequenas e insignificantes coisas;outras em tiradas de pseudo-grandiosidade. O Tempo devora sonhos, estralhaça sentires, e acorda todos os dias, sorridente, com a barriga cheia de adeus e ideais roubados.
Eu também acordo. Até um dia. E carrego comigo a certeza da saudade, a angústia da solidão, o medo do novo dia...

quinta-feira, junho 03, 2004

É cedo. Muito cedo. O sono foi embora e deixou-me acordada para o sol que se espreguiça, para os melros que saltitam, estremunhados, entre uma bicada nas cerejas e uma ternura no ninho. Levantei-me e vim procurar a minha janela. Oiço o Represas que canta que "não existe mundo lá fora"; fala de uma próxima vez, se houver, e eu sinto que gostava muito que houvesse. Sinto, também, que chega de condicionais, que este tempo não permite mais "um dia", que o agora é já ontem. É uma sensação estranha. Uma desilusão, misturada de alívio, um medo-receio vestido de esperança que sei não existente.
O Represas continua. Gosto da voz dele, portuguesa, quente.

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