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quarta-feira, dezembro 31, 2008

Está quase! Finalmente vai mesmo acabar este maldito 2008!!
VIVA 2009!!!

domingo, dezembro 28, 2008

Num instante o tempo de companhia passou e a minha menina vai, já amanhã, regressar a terras de Sua Majestade. Ficam tantas saudades, tantas coisas boas por dizer, tantos momentos para viver. É incrível como custa ver partir quem nos faz falta!!! E como a minha filha me faz falta. Como me anima a sua alegria, como me surpreende a força com que encara cada desafio, como louvo a coragem que sempre tem para ultrapassar os obstáculos da existência! Faz-me falta a resposta pronta, a cumplicidade efectiva, a ternura quente dos abraços bons que sempre me lembram o bebé rechonchudo que gostava de se enfiar na minha cama.
Custa demais envelhecer!!!

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Que Natal... Eu bem que desejo o novo ano, mas ele empata as horas e não chega mais. Este Natal fez-se de gripes, febres, doloroso mau-estar, aspirinas, ben-u-ron e muito flutaide! Eu resisti, o vírus não gostou de mim e passou ao lado fazendo estragos muito incómodos. Acho que não gosto mesmo do Natal.

terça-feira, dezembro 23, 2008


Que alívio ver chegar ao fim este maldito 2008! Alívio porque, assumindo a minha vulgaridade humana, experimento sempre, nesta época do ano, uma certa esperança de ver chegar ao fim as dores da realidade. Sinto o ano velho cansado, exausto, incapaz de continuar a carregar os males do mundo, e chego a acreditar que vai partir levando com ele o que tanto me incomoda. E há tanta coisa que me incomoda… Que dói fundo, faz mossa, deixa marca e molha o olhar. Este ano, especialmente, desejo que chegue ao fim. Por tudo! Porque foi um ano péssimo, cheio de vazios, de desilusões, de despedidas, de mágoas, de injustiças, de ataques desleais e de dores dilacerantes. Este ano, vivi o (até agora) pior ano profissional da minha vida. Vivi (vivo) dias de revolta, de dor intensa, de desilusão, de descrédito. Perdi, roubaram-me, o prazer de preparar as minhas aulas, de participar na vida da minha escola. Este ano, senti-me policiada, ultrajada e agredida. Olho este país onde nasci, um país que amei intensamente, e surpreendo-me com o que fizeram dele. Vejo o poder a trocar as letras, a fazer-se podre e mal-cheiroso, a mediocridade a liderar, e encolho-me no meu canto pedindo aos demónios que passem depressa e voem para longe… Por isso desejo que vão com o ano velho. Para sempre! Este ano, que felizmente está a chegar ao fim, fez-se também de despedidas em excesso e de muitas ausências. Fez-se de confrontos com a realidade, sacudindo para longe o sonho onde me acostumei a aninhar-me para carregar as baterias da alma.
Mas este ano vai acabar e, aqui no meu canto, ainda com o Natal por esgotar, já penso em 2009!. Quando era miúda gostava de escrever, às escondidas de toda a gente e muitas vezes sentada no parapeito da janela do quarto do sótão que então era meu, as minhas resoluções para o novo ano. Depois, dobrava-as e guardava-as num lugar inacessível de onde só as retirava no ano seguinte para, invariavelmente…, verificar que pouco ou nada tinha cumprido! Felizmente, naquela época os portugueses ainda não tinham sido atacados pelo vírus dos objectivos, nem sequer havia os computadores Magalhães, Sócrates era (felizmente!) o filósofo morto com cicuta, e eu não imaginava a percentagem de sucesso das minhas resoluções… Hoje, com a modernidade oca a fazer-se objectivos, indicadores de medida e medição de resultados, até duvido que muita gente se atreva a formular as resoluções de Ano Novo. Mas eu, que me estou absolutamente nas tintas para os ditos objectivos quantificados, insisto nas minhas resoluções. E escondo-as, e não as digo a ninguém! Tranco-as onde só eu sei e para o ano, se estiver viva, hei-de ir recuperá-las para fazer a minha avaliação de desempenho existencial: - Uma avaliação onde os sentidos e os sentires se cruzam, obrigatoriamente, numa tela humana de verdade. Hoje, penso já nos meus desejos para o Novo Ano. Desejo que o PS perca todas as eleições, desde as das associações dos infantários e grupos de copofonias até às do Parlamento Europeu; desejo que acabe a farsa dos professores titulares e da avaliação de desempenho docente nos moldes actuais; desejo que os ordenados dos portugueses nos permitam comer os 31dias do mês e não, apenas, os cinco primeiros; desejo que os homens reaprendam o hábito de oferecer flores, estarem por perto e dizerem amo-te com frequência diária; desejo que as mulheres recuperem a fé na cumplicidade dos seus companheiros e cultivem a paixão e o amor; desejo que as crianças possam ir à escola como pessoas, e não como indicadores de sucesso ou estatísticas de aprendizagens; desejo que os doentes deixem de ser utentes e recuperem o estatuto de pessoas; desejo que os Amigos tenham tempo para fazer serões de conversa, partilhas e gargalhadas; desejo que a TAP baixe os preços dos bilhetes de avião para poder levar os meus alunos à descoberta da vida real; desejo que quem me lê me entenda e não me julgue com excessiva leviandade; desejo que as minhas aulas de dança continuem e que a Escola Silvina Candeias seja o maior sucesso do país; desejo não viver luto em 2009!! Desejo que os meus desejos não tenham hierarquia e aconteçam todos na mesma primeira prioridade! E desejo ainda que os meus desejos comecem já hoje a fazer-se reais!!! Que chatice! Este 2008 nunca mais termina!!!

Eu já devia estar treinada para os naufrágios que o mar revolto existencial provoca na minha vida. Devia estar treinada para me rir na cara dos Adamastores do quotidiano. Mas sou má navegadora, serei eternamente marinheira de primeira viagem?, e por isso nado, angustiada, tentando respirar sob as ondas agrestes que me retiram o ar, a esperança, e o sonho de um real diferente. Volta que não volta, mais volta que não, vira-se o barco onde navego, insegura, nesta coisa que é a vida. Um dia, acho, não conseguirei voltar à superfície...

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Gosto de ti desde aqui até à lua. Gosto de ti simplesmente porque gosto. Acho que é o André Sardet quem canta isto. Mas se não for, é outro qualquer, porque não me interessa nada saber quem canta. O que acontece é apenas que gosto da ingenuidade doce desta musiquinha insignificante. Se calhar, porque também eu gosto de ti simplesmente porque gosto. Só que, ao contrário da dita musiquinha, não é nada bom viver assim.

terça-feira, dezembro 16, 2008

Chegou cheia de energia e de com uma constipação demolidora. Entre espirros e arrepios de frio, contagiou-me com a sua força de vida, com a paixão que põe em tudo o que vive. Contou de Cambridge, de Maddingley, dos jantares no King's College, das caminhadas nas ruas sapientes, dos relvados intensos, dos amigos iranianos, do Tesco onde há de tudo, da manicure brasileira que desencantou, das vivências distantes que, agora, fazem da minha menina-mulher um novo ser. Faz-me bem ouvi-la, mesmo rouca, sentir-lhe o entusiasmo e a paixão pela vida que escolheu.
Mas não consigo não ter medo. E peço a Deus, ao meu Deus companheiro, ao Cristo que há anos dorme na minha cabeceira, que não deixe que nada atraiçoe a minha menina!!!

domingo, dezembro 14, 2008

Última semana deste primeiro período doloroso! Voou o tempo, como sempre, mas deixou marcas profundas. Más, mas boas também. Mau foi tudo o que veio do Ministério da Educação de Portugal. Mau porque estúpido, oco de sentido, degradante, humilhante, denunciador da existência de uma cáfila socialista instalada na cadeira do poder. Mas não quero pensar nisso, não posso pensar na mulherzinha ridícula que fala aos jornalistas mascando pastilhas elásticas e repetindo barbaridades pedagógicas. Ponto parágrafo na nulidade.
Penso, agora, nos momentos bons. Os que vivi com os meus alunos, todos, mas sobretudo os de 12º ano. Momentos de ansiedade e incompreensão em torno dos heterónimos, de pasmo e cumplicidade na Bélgica e na Noruega, de crescimento interior relendo Os Lusíadas! Lembro o que aprendi com eles, trabalhos giros que realizaram, o que me zanguei, o eterno vício da preguiça..., o que me desesperei, a mania dos atrasos. Muitas vezes, como hoje, aqui no silêncio quente do meu espaço, penso que muito do meu eu é deles. Ou eles.

sábado, dezembro 13, 2008

Está um dia como eu. Cinzento, choroso e gelado. Por isso sinto-me em harmonia com o Momento, ligo a braseira, acendo a lareira, ligo as luzes do Presépio e da árvore de Natal, leio os contratos de leitura dos meus alunos e deixo correr as horas. Há contratos que acertam comigo. São reais e intensos. Outros reflectem o real: - cópia e vazio! Transcrições arrancadas à net, ao google ou à wikipédia, num copy paste oco de sentido. São os miúdos que se dispõem a continuar imitando o que vêem: - Vigarizar e tentar enganar o próximo... Com redobrada paciência, leio o que já li mil vezes, controlo a minha desilusão e sugiro mais criatividade. A chuva continua lá fora, copiosa como eu gosto, e estou de bem hoje com a minha solidão. Com a chuva tento lavar a mágoa que me inunda os sentires. Há-de resultar. Chove tanto...

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Aproxima-se o Natal, encolhe-se a minha alma. É um tempo difícil. Cheio de memórias, de mágoas, de tempos bons que não voltam mais. É tempo da solidão doer fundo, de constatar a inexistência de sentidos reais e efectivos, de mascarar com o fumo das velas a humidade que me inunda os olhos e embarga a voz. Tenho saudades a doer do meu Pai! Do tempo em que a Casa se enchia de gente, do serão comprido a desafinar canções de Natal. Tenho saudades das minhas filhas pequenas, do nervosismo da Filipa com medo do Menino Jesus, dos olhos arregalados da Joana tentando descobrir o trenó do Pai Natal que eu lhe indicava voando no céu. Tenho saudades, tantas!, do abraço mais terno e quente, da fusão sempre plena, que vivia na minha cama de bambu depois do nervosismo das prendas e com as minhas crianças sonhando com renas e trenós. O Natal faz-me doer. Este ano, faz doer MUITO... O Ano Novo, vai doer também. Dói existir. Que chatice.

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Ai, ai, ai.... Não me apetece NADA voltar à vida-rotina. Não me apetece entrar na escola, não me apetece ouvir contar do descalabro da louca da ministra, não me apetece ter de aturar os miúdos pequenos do 10º ano, não tenho vontade de impingir Os Lusíadas aos meus QUERIDOS alunos do 12º ano... Apetecia-me sim falar com eles, desbravar textos e ideias, partilhar sonhos, construir saberes efectivos. Apetecia-me deixar correr sentires. Falar-lhes da minha solidão que dói, da revolta surda que sufoco, dos sonhos que adio, das memórias doces que me confortam. Apetecia-me falar-lhes de ser pessoa. Não me apetece o mesmo tempo vazio a fazer-se escola! E, ainda por cima, vou ter reunião de Departamento, de directores de turma, de sei lá mais o quê!!
Ai, ai, ai... não me apetece mesmo!!!

sábado, dezembro 06, 2008



Foi este o grupo que me encheu a vida de sentido na última semana, em Bruxelas. Estes miúdos, jovens e adolescentes, devolveram-me a fé na escola, na educação! Ali, durante quatro dias sendo professora a tempo inteiro, senti-me a cumprir o meu sonho de ajudar a formar Pessoas de verdade! Ralhei, claro! Gritei, tinha de ser! Preocupei-me, era obrigatório! Mas, sobretudo,fui professora de facto, por inteiro, podendo partilhar momentos, alertar para a realidade, ouvir dúvidas, mostrar diferenças, fomentar cumplicidades.

No Parlamento Europeu, ao entrar na sala e ao ver os alunos sentados nas filas do fim, o Dr. Graça Moura mandou-nos a todos chegar para a primeira fila, afirmando: "Primeira lição: Na Europa, Portugal chega-se sempre à fila da frente!". Mesmo sabendo da pouca verdade da frase, quis acreditar e desejei fazê-la realidade. Estes miúdos, os meus miúdos, deram já um passo em frente. Tenho a certeza! e eu também. Porque recuperei a minha fé na minha profissão, porque senti que faço sentido com os jovens de quem tanto gosto. Foram quatro dias bons. Muito bons! Dias que serviram, também, para criar laços com colegas. Para perceber como são disparatados, por vezes, os juízos que fazemos. Vou querer fazer mais actividades assim! Com os meus miúdos, com o meu colega Raimundo!


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