segunda-feira, fevereiro 26, 2007
Semana do Português. A segunda. Os miúdos vibram, dizem Torga, perguntam o telurismo e aprendem a construir possíveis com palavras. O micro ajuda, e o Alentejo sai com força, intenso, seguido do menino que sabe um ninho e do filho que não compreende o silêncio cinzento e frio da Mãe que não responde no caixão. Mesas bonitas, a Biblioteca Municipal emprestou, livros coloridos, primeiras edições também.
Torga. A força telúrica, a portugalidade que tece existências de quando a essência faz sentido.
Os professores, MUITOS!, viraram costas. Não fizeram falta nenhuma...
Torga. A força telúrica, a portugalidade que tece existências de quando a essência faz sentido.
Os professores, MUITOS!, viraram costas. Não fizeram falta nenhuma...
quinta-feira, fevereiro 22, 2007
Paris!
Tenho andado o dia todo vagueando por Paris. Já estive sentada na margem do Sena, já entrei em Notre Dame e já tomei café na pirâmide provocatória do Louvre (ainda não li o Código Da Vinci...). Vi o 202 lá de cima, do alto do Arco do Triunfo, e desci a pé os Campos Elíseos conversando com Eça e Sá-Carneiro. Não se entendiam, eles. Eça teimando em que fossemos jantar a casa do Jacinto, Sá-Carneiro gritando que se sente uma ponte de intermédio entre nada e coisa nenhuma. Não fui jantar com eles, mas soube-me bem o café forte, envolto em Vaudeville, que tomei encostada à vidraça baça do café aquecido.
Ah, Paris...
Tenho andado o dia todo vagueando por Paris. Já estive sentada na margem do Sena, já entrei em Notre Dame e já tomei café na pirâmide provocatória do Louvre (ainda não li o Código Da Vinci...). Vi o 202 lá de cima, do alto do Arco do Triunfo, e desci a pé os Campos Elíseos conversando com Eça e Sá-Carneiro. Não se entendiam, eles. Eça teimando em que fossemos jantar a casa do Jacinto, Sá-Carneiro gritando que se sente uma ponte de intermédio entre nada e coisa nenhuma. Não fui jantar com eles, mas soube-me bem o café forte, envolto em Vaudeville, que tomei encostada à vidraça baça do café aquecido.
Ah, Paris...
quarta-feira, fevereiro 21, 2007
Perigo de gelo - anunciou o meu carro logo de manhã! E o céu azul, incrivelmente limpo, a fazer-me pensar que o carro estava avariado. Mas, afinal, as máquinas são mesmo quem tem razão no mundo de hoje e o dia, para lhe fazer a vontade, escureceu e gelou. Fiquei a ver o céu mudar de cor aqui em casa, quentinha, olhando o lume e praticando a preguiça gostosa que é o não cumprimento voluntário de tarefas...
É muito bom preguiçar, cultivar a sornice, provocar as obrigações virando-lhes as costas! Agora, daqui a pouco, vou dançar. Devia ficar em casa fazendo o que não fiz, mas vou continuar a ser disruptiva e a só fazer o que me apetece. Pelo menos hoje...
É muito bom preguiçar, cultivar a sornice, provocar as obrigações virando-lhes as costas! Agora, daqui a pouco, vou dançar. Devia ficar em casa fazendo o que não fiz, mas vou continuar a ser disruptiva e a só fazer o que me apetece. Pelo menos hoje...
segunda-feira, fevereiro 19, 2007
O Dr. Alberto João Jardim demitiu-se. Numa tirada teatral, bem ao seu estilo, falou ao povo madeirense, qual Rei sem reino, e disse até já, vou voltar a candidatar-me e fazem o favor de votar em mim. É Portugal! Este presidente, a quem eu até acho alguma piada por ousar dizer todos os disparates que lhe passam pela cabeça, resolveu provocar eleições antecipadas sabendo, claro, que vai ser reeleito.
É Presidente da Madeira há 30 anos! Fez obra, eu vi!, túneis, auto-estradas que tiraram o fascínio da travessia da ilha. Desenvolveu estruturas, promoveu o turismo, vive como um nababo e aquilo é mesmo o seu reino. Agora, porque as verbas vão diminuir, bate com a porta que não deixa fechar!
Eu, tal como ele, detesto o Sócrates, acho que Portugal tem um governo de nulidades, penso que há constantes e indecentes abusos de poder, desejo ver este socialismo com marcas de soviético a léguas de distância. Mas, mesmo assim, não percebo esta palhaçada! Preferia que o Dr. Alberto João se tivesse metido num avião, tivesse aterrado directamente na Assembléia da República e tivesse dado uns murros valentes no Sócrates e na cambada que o serve. Isso sim, era espectáculo que eu aplaudiria!!!
É Presidente da Madeira há 30 anos! Fez obra, eu vi!, túneis, auto-estradas que tiraram o fascínio da travessia da ilha. Desenvolveu estruturas, promoveu o turismo, vive como um nababo e aquilo é mesmo o seu reino. Agora, porque as verbas vão diminuir, bate com a porta que não deixa fechar!
Eu, tal como ele, detesto o Sócrates, acho que Portugal tem um governo de nulidades, penso que há constantes e indecentes abusos de poder, desejo ver este socialismo com marcas de soviético a léguas de distância. Mas, mesmo assim, não percebo esta palhaçada! Preferia que o Dr. Alberto João se tivesse metido num avião, tivesse aterrado directamente na Assembléia da República e tivesse dado uns murros valentes no Sócrates e na cambada que o serve. Isso sim, era espectáculo que eu aplaudiria!!!
domingo, fevereiro 18, 2007
Detesto o Carnaval! Não acho piada a homens vestidos de mulheres, a mulheres de homens, a criancinhas de banda desenhada. Humilha-me a mania de importar brasileiras que desfilam, maminhas de fora, no frio que sempre por cá se faz sentir. Irrita-me ver as ruas sujas de papelinhos, encontrar o trânsito interrompido e sentir que a alegria é forçada. Obrigatória, porque é época de ser divertido!
Fiquei em casa lendo, barafustando sozinha por não ter aulas amanhã, precisava de ensaiar os miúdos na peça para a Semana do Português. Para complicar o meu humor, resolvi ler o "E se eu gostasse muito de morrer", do meu conterrâneo Rui Cardoso Martins. Não gostei. Não gosto da escrita de palavrões, não entendo o direito de se escrever e condenar vidas que todos conhecemos, coisas de cá, muito de hoje, muito presentes. Não gostei nem do estilo, romance moderno?, a cheirar a Saramago de má imitação. Mas gostei da frase da mulher dele, "não gosto de pessoas que se suicidam. Acho uma falta de educação". Eu também acho uma falta de educação escrever assim. E morrer é, de facto, uma tremenda falta de educação!
Carnaval??
Fiquei em casa lendo, barafustando sozinha por não ter aulas amanhã, precisava de ensaiar os miúdos na peça para a Semana do Português. Para complicar o meu humor, resolvi ler o "E se eu gostasse muito de morrer", do meu conterrâneo Rui Cardoso Martins. Não gostei. Não gosto da escrita de palavrões, não entendo o direito de se escrever e condenar vidas que todos conhecemos, coisas de cá, muito de hoje, muito presentes. Não gostei nem do estilo, romance moderno?, a cheirar a Saramago de má imitação. Mas gostei da frase da mulher dele, "não gosto de pessoas que se suicidam. Acho uma falta de educação". Eu também acho uma falta de educação escrever assim. E morrer é, de facto, uma tremenda falta de educação!
Carnaval??
quinta-feira, fevereiro 15, 2007
A emoção, a saudade, o desejo também, deixam-se levar pelo vento forte. O mesmo que incomoda a nogueira e desorienta o voo dos melros. Fico de fora, vendo-me sendo sem ser, e peço ao vento que me leve também. Para longe! Para um espaço de cumplicidades, ternuras, cafés másculos e abraços cheios de cafeína...
quarta-feira, fevereiro 14, 2007
Dia dos Namorados. Ou melhor, Noite do Namorados, porque o sol já se pôs. Por todo o lado corações, flores, presentes, sugestões. Eu, que não gosto desta mania dos dias de tudo e mais alguma coisa, não resisto a achar piada ao Dia de São Valentim. Vejo os miúdos todos aperaltados, as raparigas melhorando o visual, e rendo-me à celebração. Só tenho um senão: Devia haver mais Dias de Namorados! Uma vez por ano, é pouco...
terça-feira, fevereiro 13, 2007
Gosto da chuva. Vejo-a cair, oiço-a fazendo música na minha vidraça, adivinho-a a fazer maldades encharcando aqueles que têm de andar na rua. Faço-lhe um pedido: - Que lave este Portugal! Que o ensope de sonhos de ser, de energia de fazer, de possíveis de construir.
Peço-lhe, também, que me embale nos braços húmidos, misture as minhas lágrimas nos carreirinhos que caem do céu e me ajude a reacreditar na humanidade...
À noite peço mais. Mas não ouço confessar.
Peço-lhe, também, que me embale nos braços húmidos, misture as minhas lágrimas nos carreirinhos que caem do céu e me ajude a reacreditar na humanidade...
À noite peço mais. Mas não ouço confessar.
domingo, fevereiro 11, 2007
Em primeiro lugar, o desinteresse. Em segundo, o crime! Eu já sabia que ia ser assim, que este Portugal, que confunde modernidade com crime, ia escolher o sim. Mas tinha uma réstea de esperança. Como o condenado à morte que, no momento final, espera ver entrar um oficial de justiça com a amnistia de última hora. Mas não houve amnistia.
O país que não tem dinheiro para apoiar as famílias, que não comparticipa as papas e fraldas, dispõe-se a pagar a morte, a financiar os criminosos! Para o Portugal de hoje, ser moderno é defender o crime, ser conservador é privilegiar o direito à vida. As mesmas pessoas que se dizem indignadas quando um bebé é abandonado num caixote do lixo, acham que a progenitora (mãe nunca!) deve poder matá-lo dentro da barriga! Contrasenso? Não, Portugal!!
O país que não tem dinheiro para apoiar as famílias, que não comparticipa as papas e fraldas, dispõe-se a pagar a morte, a financiar os criminosos! Para o Portugal de hoje, ser moderno é defender o crime, ser conservador é privilegiar o direito à vida. As mesmas pessoas que se dizem indignadas quando um bebé é abandonado num caixote do lixo, acham que a progenitora (mãe nunca!) deve poder matá-lo dentro da barriga! Contrasenso? Não, Portugal!!
sábado, fevereiro 10, 2007
Claras a escorrer por entre os dedos, gemas moles dançando na palma da minha mão. Cada uma para sua taça. Com fúria e barulho, a minha batedeira pede ruidosamente reforma, fiz as claras crescerem. Gosto de as ver crescer, fazerem-se nuvens puras! Depois, açúcar e, com mil cuidados, fi-las cozer no leite perfumado com canela das Índias. Em pau, claro! Lembrei Camões, a Dinamene, os cheiros intensos, os paladares novos e, entretanto, enchi a herdada taça, azul e branca, de céu de Verão!
As farófias sempre me lembram o céu-paraíso onde eu gostava de poder chegar. Deve ser óptimo estar lá, com corpo ainda, sem purificação alguma, sem asas de anjo sequer, a mordiscar gulosamente as nuvens doces!
As farófias sempre me lembram o céu-paraíso onde eu gostava de poder chegar. Deve ser óptimo estar lá, com corpo ainda, sem purificação alguma, sem asas de anjo sequer, a mordiscar gulosamente as nuvens doces!
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
Muitas vezes vem este sentir assim, feito desejo existência-essência. Costuma chegar com aviso, entrando por a porta entreaberta da alma que não consigo trancar, fazendo-se mesmo anunciar por uma nostalgia estranha. Hoje chegou sem anúncio prévio. Aproveitou um intervalo na apreciação de trinta portfólios, colou-se à caneca com ursinhos que enchi de café, e instalou-se. Fez-se quentinho, terno, sentir até açucarado, e embalou-me a emoção. Recostei-me no sofá, fechei os olhos, deixei que no meio de muitos diários de leitor, por entre páginas de pesquisas reflectidas, dissesse carinho. A minha alma amornou.
Aqueceu-me o corpo também, enxugou-me as lágrimas (sempre excessivamente prontas para correr...) e exigiu-me um sorriso grande. Afinal, sorrir também faz bem e, muitas vezes, um sorriso largo desarma as agruras diárias. Prometi-lhe que vou reaprender o sorriso, que vou secar as lágrimas, que vou deixar-me levar pela fé que quero tanto experimentar de novo.
Vou tentar. Prometi-lhe!
Aqueceu-me o corpo também, enxugou-me as lágrimas (sempre excessivamente prontas para correr...) e exigiu-me um sorriso grande. Afinal, sorrir também faz bem e, muitas vezes, um sorriso largo desarma as agruras diárias. Prometi-lhe que vou reaprender o sorriso, que vou secar as lágrimas, que vou deixar-me levar pela fé que quero tanto experimentar de novo.
Vou tentar. Prometi-lhe!
terça-feira, fevereiro 06, 2007
Tosse, espirros, dores no corpo. Febre! É a gripe... Está por todo o lado, ataca todos, parece decidida a provar à humanidade que é frágil e ranhosa. Eu resisto. Com tanta chatice e problemas sérios, recuso-me a ceder a uma gripe! Mas faço de enfermeira, eu que detesto doenças..., dou comprimidos, vejo febres, peço socorro.
Detesto gripe.
Mas detesto, mais ainda, o governo de Portugal!!! Para esse, não há ben-u-ron que funcione...
Detesto gripe.
Mas detesto, mais ainda, o governo de Portugal!!! Para esse, não há ben-u-ron que funcione...
domingo, fevereiro 04, 2007
Está a acabar mais um fim-de-semana. Há sempre tanta coisa a acabar. Olho o que acaba, este vício terrível que a vida tem de levar tudo para o fim, e fico com a alma encolhida, os sentires amarfanhados. Queria ter forças para começar uma coisa nova cada dia.
Na profissão, na minha rotina. Queria ser capaz de, diariamente, reinventar o gosto pelo saber, o prazer de aprender, a magia dos livros, a disponibilidade para o sonho. Mas começam a faltar-me as forças.
Não queria deixar-me levar pelo hábito de desfiar memórias, de folhear momentos mágicos que gravei fundo na teia dos sentires. Mas é só o que me apetece fazer!
E tenho muitas saudades do meu PAI!!!
Na profissão, na minha rotina. Queria ser capaz de, diariamente, reinventar o gosto pelo saber, o prazer de aprender, a magia dos livros, a disponibilidade para o sonho. Mas começam a faltar-me as forças.
Não queria deixar-me levar pelo hábito de desfiar memórias, de folhear momentos mágicos que gravei fundo na teia dos sentires. Mas é só o que me apetece fazer!
E tenho muitas saudades do meu PAI!!!
quinta-feira, fevereiro 01, 2007
Não sei se há dias maus, se a vida é sempre má, se eu ando com os humores às avessas e só vejo complicações. O que sei é que tenho nojo e raiva do governo do meu país! Dói-me a humilhação de ter ministros como o Pinho, ministras com a da educação. Hoje, como ontem, sinto uma raiva intensa, um desconsolo, uma vontade incontornável de desaparecer desta realidade podre.
Para complicar tudo, aproxima-se o referendo do aborto. Tudo falso, hipocrisia geral. Interrupção da gravidez? Mas pode retomar-se depois? Julgava que era definitivo... Liberdade da Mãe? Mas as crianças são só filhas da mãe? Está explicada a causa do estado do país: Muitos portugueses são filhos da mãe!! Só e Mesmo!
Para complicar tudo, aproxima-se o referendo do aborto. Tudo falso, hipocrisia geral. Interrupção da gravidez? Mas pode retomar-se depois? Julgava que era definitivo... Liberdade da Mãe? Mas as crianças são só filhas da mãe? Está explicada a causa do estado do país: Muitos portugueses são filhos da mãe!! Só e Mesmo!