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terça-feira, novembro 28, 2006

Quando, agora, desço a Serra à noite, faço-o devagarinho. Porque a Sé e o Castelo estão iluminados, desafiam sentires, retêm olhares. É a minha cidade a anunciar o Natal. A Fé, a minha, agita-se com vontade de ser. Apetece-me acreditar, ingenuamente crer que é possível viver melhor, que é verdade que a felicidade acontece. Imagino possíveis. Impossíveis também. Olho com paixão o miradouro, curvo com jeitinho na curva da morte, desacelero na Fonte dos Amores. Apetece-me ser.

sábado, novembro 25, 2006

6ªfeira à noite. Música Etno-Jazz. Lareira intensa. Cama fria. Cabeça a transbordar e coração a sangrar. Eu.

quarta-feira, novembro 22, 2006

Quando parece que o limite foi atingido, que nada de mais revoltante (e aviltante) pode acontecer, a humanidade surpreende-me! Não foram as guerras, os atentados suicidas, as injustiças sociais, os impostos, a estupidez natural de muitos governantes portugueses que me deram volta, desta vez, às entranhas da alma. Não. Desta vez foi a poesia. Ou melhor, o que da poesia disseram cabeças pensantes, bocas responsáveis, personalidades sábias. Dois professores. Dois! como se um não fosse já suficientemente triste... juntaram-se para dizer que fazer poesia é sofrer; que nos poemas de António Gedeão há 73% de versos de sete sílabas; que nos mesmos poemas há 42% de palavras de carácter científico; que...; que...; e que. Tudo informações ocas de sentido, sem nenhum interesse para se sentir, e pensar, uma obra tão fantástica como a de Gedeão! Ninguém falou da Pedra Filosofal, sequer da Pulsação da Treva e, claro!, muito menos da pureza da Lágrima de Preta. Ninguém falou do dom de ser poeta por poder usar palavras para registar emoções, sentires, opiniões.
A sala da Biblioteca, sala bonita e encerada, estava excessivamente às escuras, mas a minha alma estava negra mesmo. De raiva. De desespero. De tristeza também...
A Poesia é Arte!! Por favor, deixem ao menos a Poesia continuar mágica!! Falem aos miúdos, aos jovens, aos adultos, aos idosos também, da liberdade do poeta, da magia da palavra com ritmo, da musicalidade dos poemas! Por favor, não matem também o fascínio da literatura...

domingo, novembro 19, 2006

Domingo à noite. Por companhia uma enxaqueca que se me colou, abusiva como existir, já na sexta-feira. Vou desligar da vida. Enfiar-me na cama, agarrar um livro e esperar que as asas de Morfeu me envolvam. Ao menos essas que não falhem!!

sábado, novembro 18, 2006

Pois é. O sonho é possível. Contei dos momentos de leitura na aula, das turmas em silêncio, dos livros a encherem momentos, das letras que fazem crescer pessoas. Contei dos portfólios, do envolvimento activo-efectivo-pleno no fenómeno de aprender, contei das salas desarrumadas, dos textos de "quando eu era um hamburguer sem queijo", ou daquele outro "porque eu nunca morei num dicionário", e contei, até, do que aconteceu só porque "tudo vale uma lágrima intensa". Disse de mim - Alice-, num país de Maravilhas - Ensino -, cheia de medo de partir o espelho - Acreditar -, instigada por um coelho apressado - o Tempo -. Citei o Régio. Como ele, também eu vivo "coisas que terei pudor de contar seja a quem for", e, como ele também, eu fico feliz quando "a minha acàciazinha dá mais um raminho". Disse tudo numa sala antiga, o Tejo por cenário, adultos a escutarem, técnicos especializados a avaliarem-me. No meio de dizer olhei o rio. Vi, juro que vi!, Camões namorando uma tágide...
No fim do dia voltei. Na escola tinha havido greve de alunos.E os professores, alguns..., aplaudiam! Fechei os olhos com força, esfreguei-os, mas Camões não voltou para me salvar!!

terça-feira, novembro 14, 2006

Adiei, atrasei, empatei mas, finalmente!, acabei o meu portfólio. Foi um olhar para dentro, reflexivo, um pouco como se a Luísa Mulher virasse do avesso a Luísa-Professora e lhe desvendasse as pontas soltas, os tecidos gastos, os botões de casa larga.
Amanhã vou embora, carregando comigo o portfólio de capa azul, a Alice no País das Maravilhas a reboque, Régio e a Toada de Portalegre para me adoçarem os sentires. Levo também Caeiro. Tenho sonhado com ele. Pragmático. Queria sê-lo, eu também...

segunda-feira, novembro 13, 2006

Sonhei que era Natal. Novembro chega sempre grávido de sininhos e pinheiros... Mas não havia presentes, chocolates, azevias, bolo-rei sequer. Era Natal pequenino, por dentro, só sentido. Cheirava a lareira e tinha as ausências feitas vida de novo.
Foi um bom Natal, assim mesmo!

quarta-feira, novembro 08, 2006

E se de repente alguém lhe oferecer flores... Não, nada disso, a publicidade atraiçou-me. O que eu ia mesmo escrever era: - e se de repente o amor se corporizasse, vestisse umas calças azuis, uma camisa sem gravata, e viesse conversar comigo? Claro que, numa situação destas, as flores seriam perfeitamente dispensáveis. Aproveitaria, então, para lhe perguntar porque sabe a chocolate, porque cheira a terra molhada, porque faz doer, porque se faz esperar, porque se faz desejo, porque se faz companhia, porque gosta do pauzinho de canela no café, porque faz curtas as noites compridas, porque aquece o frio que a neve traz, porque inspira poetas e encanta mortais. Acho que lhe perguntaria, também, porque não fica aqui comigo.

Há um jornal novo na minha cidade. Aposta no escândalo, na polémica, nas sem vergonhices. Destaca as misérias humanas, investe nas guerrinhas e na maldicência. À cabeça, pseudo-intelectuais, a escrever difícil, arautos do possidonismo que vinga em Portugal! A financiar, experiência de quem sabe que o que é mau tem sucesso, que o sangue dá dinheiro...
E o pior é que há quem compre este jornal. E quem o leia. E quem lhe forneça publicidade.
Socorro!! O meu mundo não existe...

terça-feira, novembro 07, 2006

Dói-me o pulso. Dói mesmo. E muito! De repente, olho-me e reconheço que o tempo continua a fazer estragos. Agora, o pulso...Para acompanhar a dor física, a par com o excesso de trabalho que tenho em mãos, veio mais uma desilusão, feita desistência, dita de tem de ser, de decidi. Veio também o conhecimento de mais uma mentira, uma intriguice. De alguém em quem confiava. Também, quem me manda a mim confiar... Bem feito, para eu aprender a não ser burra!! Se continuo assim, um dia acordo a zurrar. Já esteve mais longe!!

domingo, novembro 05, 2006

Vou enfiar-me na cama, apagar a luz e ficar sonhando. Vem comigo!

Veio da Lituânia, embrulhada em simpatia, uma enorme caixa de bombons. Abri-a há pouco, já sozinha de novo, fim de domingo, desejando mesmo um chocolate doce que enganasse o azedo da alma. Provei um. É diferente. Forte, espesso, com recheio líquido a saber esquisito. Voltei a fechar a caixa, sorte para as minhas gorduras incómodas (tantas...), e resolvi levar a caixa para os meus alunos. Vou dar-lhes os chocolates da Lituânia e tentar, com a ajuda doce, tornar mais saborosos os momentos em que os desafio para a diferença, para a ousadia, para o trabalho de verdade.

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