terça-feira, janeiro 27, 2004
Impressionante a morte de Feher. Jovem, e tudo o resto que muito se disse. Sorrindo. E eu a pensar na prioridade que quero. De repente, parece que faz tão pouco sentido existir, sonhar. O que faria sentido seria mesmo sermos fazedores de afectos, cúmplices, actores de intimidades. Era isso que eu queria. Que tu quisesses. Tu. O outro, aquele!
segunda-feira, janeiro 19, 2004
Às vezes chega um cansaço-exaustão-enjoo-de-vida. Parece que nada faz sentido, que pouco vale a pena. Depois, o sol brilha, faz frio, e o coração aquece, e o olhar perde-se na imensidão dos sonhos, na eternidade dos quereres. E tudo faz sentido, por o não ter! Tudo se revela, simplesmente, bizarro e oco, provando que levamos o tempo angustiados com inutilidades para, no fim, atingirmos o inevitável. Se o inevitável o é, então, valham-nos os "non-sense" existenciais.
Valha-nos, também, a nogueira que perde as folhas, o melro que tirita de frio, o cão que uiva de noite!
Valha-nos, também, a nogueira que perde as folhas, o melro que tirita de frio, o cão que uiva de noite!
domingo, janeiro 18, 2004
E eu a insistir no Amor. No de verdade mesmo. Feito plenitude, entrega, totalidade, cumplicidade. Esse Amor que esbarra com as normas de uma sociedade tecida de hipocrisias, traições e faz de conta. Não sei se faria sentido, se seria possível, mas, ainda assim, eu queria uma sociedade feita de gente nobre. Pelo menos, emocionalmente nobre... Capaz de assumir afectos, sentires, paixões, estando-se nas tintas para as convenções.
Mas é tão difícil ser-se autêntico, verdadeiro mesmo.
E, ainda por cima, a fraqueza e a hipocrisia dão status em Portugal.
Que porcaria de sociedade!!
Mas é tão difícil ser-se autêntico, verdadeiro mesmo.
E, ainda por cima, a fraqueza e a hipocrisia dão status em Portugal.
Que porcaria de sociedade!!
quarta-feira, janeiro 14, 2004
Imaginei, terei sonhado?, um mundo sem gente. Ali, era redondo o espaço, só havia Pessoas mesmo. E falava-se de sonhos, realizáveis!, de ambições, de projectos e futuros a conquistar. Ali, naquele espaço cheio de azul, a imensidão das águas afogava tristezas e, então, os sorrisos ornamentavam-se de gargalhadas. Havia também o Amor. Claro! E ele chegava para todos, vestido de abraços e beijos, toques sugestivos, práticas ousadas, portas abertas para o Nirvana onde, em vez de harpas, soava Dianna Krall.
Depois... Fui tomar café. E reparei que, afinal, verdade mesmo só a forma do mundo e, mesmo essa, amachucada nas pontas...
Depois... Fui tomar café. E reparei que, afinal, verdade mesmo só a forma do mundo e, mesmo essa, amachucada nas pontas...
segunda-feira, janeiro 12, 2004
A morte. Apavora-me! E, no entanto, racionalmente entendo-a, faz sentido. O que seria a eternidade da dor, do sofrimento, da rotina? Mas, por outro lado, porque tem a morte de fazer surpresas, de se vestir de negro, de trazer consigo o sabor salgado das lágrimas que não vêm do mar?!
O pior da morte é a saudade. A incongruência também. Só morre quem faz falta!!
E eu quero a vida. Queria gostar da vida ao segundo, sem ódio, só com a pontinha de má-língua lagóia bem salutar...
Oiço em mim o Poema de Carlos Garcia de Castro, "Gajo porreiro" e tenho medo da evidência, do banal fundamental.
Ah! Poesia...
O pior da morte é a saudade. A incongruência também. Só morre quem faz falta!!
E eu quero a vida. Queria gostar da vida ao segundo, sem ódio, só com a pontinha de má-língua lagóia bem salutar...
Oiço em mim o Poema de Carlos Garcia de Castro, "Gajo porreiro" e tenho medo da evidência, do banal fundamental.
Ah! Poesia...
segunda-feira, janeiro 05, 2004
Hoje voltei à vida de trabalho. Que crueldade a de Eva ter comido a maçã! É que no Paraíso não me consta que existisse trabalho, nem dinheiro, nem obrigações. Será que Deus é justo quando, por uma pequena trinca numa maçã - ainda por cima verde -, condena a humanidade para todo sempre?!
É que trabalhar na educação, no Portugal de hoje, é mesmo uma condenação!
Que raio de país o nosso, mais mal frequentado que umas certas casas de Bragança!!!
É que trabalhar na educação, no Portugal de hoje, é mesmo uma condenação!
Que raio de país o nosso, mais mal frequentado que umas certas casas de Bragança!!!
sexta-feira, janeiro 02, 2004
Pronto, acabaram-se as Festas e voltou tudo ao mesmo: - Rotina, trabalho, vida cara, ausência de soluções, escândalos político-sociais, perdas irreparáveis. Há uma enorme falta de originalidade na Humanidade!
Será que se esgotou, definitivamente, o dom da invenção? Onde foram parar os poetas?... Quem trocou os sonhos por euros sem valor, sem identidade, sem felicidade? Assim, nem vale a pena esperar um novo dia!
Será que se esgotou, definitivamente, o dom da invenção? Onde foram parar os poetas?... Quem trocou os sonhos por euros sem valor, sem identidade, sem felicidade? Assim, nem vale a pena esperar um novo dia!