sexta-feira, maio 30, 2008
Chega agora ao fim, é já para a semana, um dos piores anos de sempre. Foi um ano terrível, cheio de desilusões, de mal-estar, de conflitos (uns mais mudos do que outros), de choques violentos com uma realidade idiota. Este ano lectivo de 2007/08 será sempre lembrado por mim como um dos piores da minha vida profissional! Poderão vir outros maus, tudo indica que assim será, mas muito piores do que este que agora termina, é difícil que surjam. Claro que a principal razão desta sensação que experimento se prende com a avaliação de desempenho docente e com o actual ministério da educação. A ministra e seus acólitos são indefiniveis! Incompetentes, MAUS e absolutamente ignorantes. Não tenho por eles nenhuma consideração. Apenas um profundo desprezo! Portugal, há anos, muitos, décadas!, que vem sofrendo o problema da educação, que vem sendo alvo de reformas sucessivas e o resultado tem sido sempre o mesmo: - aumenta a ignorância dos portugueses e piora o clima de escola! Creio, sinceramente, que esta equipa veio dar no sistema a machadada final. Porque eram os professores quem, apesar das enormidades da legislação, seguravam as pontas e iam fazendo o sistema funcionar e, agora, são esses mesmos professores que são perseguidos e que, insultados e agredidos, procuram outra forma de vida.
A escola de hoje, como nós a conhecemos, é igual à escola do século XIX: - Meninos em fila, lições decoradas e exercícios escritos para avaliar conhecimentos. Mudaram-se os nomes, os exercícios escritos passaram a avaliação sumativa, mas manteve-se o essencial: - trabalham-se só conteúdos, pede-se aos jovens que decorem e apliquem para, depois, esquecerem. O mundo mudou drasticamente, dos telemóveis aos preservativos, da noção de família aos transportes públicos, da internet aos foguetões, e a escola manteve-se igual. Ou melhor, a escola piorou. Piorou porque, sendo igual ao passado, deixou de dar resposta aos problemas actuais como, dantes, dava. Ao chegar ao final do ano, experimento uma mágoa imensa que faz doer. Dói-me a certeza de estar a trabalhar mal para cumprir barbaridades…
Olho o ano e, para além da maldita legislação, vejo os meus alunos. Turmas grandes, miúdos simpáticos e com quem foi bom trabalhar. Tenho já saudades deles… Tenho saudades da Filipa de cabelo nos olhos, oh professora, por favor, não me obrigue a prender o cabelo; da Joana escuteira, atrasada, conversadora, fazendo mímica na impossibilidade de tagarelar; da Mafalda calma e firme, atenta, com vontade de saber e de discordar muitas vezes; do Miguel artista, com sentido de humor, ousado, capaz de me tirar do sério; do Manuel de olhos densos, calças ao fundo do rabo e sorriso de mel; da Cátia com comichões por causa do nervoso; da Patrícia a melhorar a dicção; do João de gargalhada pura; do Ricardo que há-de ser escritor; do João benfiquista de alma e coração; do Bernardo aflito com a explicação de Matemática; do Pedro cheio de piercings que me desgostam; do Eduardo tímido, cumpridor e terno; da…; do…; do…Por estes miúdos, sofro mais ainda. Porque mereciam um sistema diferente, uma Escola com lugar para o desenvolvimento de competências, de afectos, de cidadania. Porque mereciam um país onde pudessem aprender a ter opinião, onde pudessem aprender a ser gente de verdade e não, apenas, a reproduzir modelos e a repetir saberes de muito relativo interesse. Tenho pena dos alunos portugueses que, por vezes, ainda têm de estudar obras literárias apresentando cada aluno um capítulo, sem a noção da totalidade da obra de Arte; tenho muita pena dos jovens que não podem assistir a um concerto porque há um teste intermédio; dói-me ver jovens portugueses amputados, na escola, da aprendizagem da música!!
Este Portugal entristece-me. Mas a violência educativa que se exerce sobre alunos e professores, revolta-me!
A escola de hoje, como nós a conhecemos, é igual à escola do século XIX: - Meninos em fila, lições decoradas e exercícios escritos para avaliar conhecimentos. Mudaram-se os nomes, os exercícios escritos passaram a avaliação sumativa, mas manteve-se o essencial: - trabalham-se só conteúdos, pede-se aos jovens que decorem e apliquem para, depois, esquecerem. O mundo mudou drasticamente, dos telemóveis aos preservativos, da noção de família aos transportes públicos, da internet aos foguetões, e a escola manteve-se igual. Ou melhor, a escola piorou. Piorou porque, sendo igual ao passado, deixou de dar resposta aos problemas actuais como, dantes, dava. Ao chegar ao final do ano, experimento uma mágoa imensa que faz doer. Dói-me a certeza de estar a trabalhar mal para cumprir barbaridades…
Olho o ano e, para além da maldita legislação, vejo os meus alunos. Turmas grandes, miúdos simpáticos e com quem foi bom trabalhar. Tenho já saudades deles… Tenho saudades da Filipa de cabelo nos olhos, oh professora, por favor, não me obrigue a prender o cabelo; da Joana escuteira, atrasada, conversadora, fazendo mímica na impossibilidade de tagarelar; da Mafalda calma e firme, atenta, com vontade de saber e de discordar muitas vezes; do Miguel artista, com sentido de humor, ousado, capaz de me tirar do sério; do Manuel de olhos densos, calças ao fundo do rabo e sorriso de mel; da Cátia com comichões por causa do nervoso; da Patrícia a melhorar a dicção; do João de gargalhada pura; do Ricardo que há-de ser escritor; do João benfiquista de alma e coração; do Bernardo aflito com a explicação de Matemática; do Pedro cheio de piercings que me desgostam; do Eduardo tímido, cumpridor e terno; da…; do…; do…Por estes miúdos, sofro mais ainda. Porque mereciam um sistema diferente, uma Escola com lugar para o desenvolvimento de competências, de afectos, de cidadania. Porque mereciam um país onde pudessem aprender a ter opinião, onde pudessem aprender a ser gente de verdade e não, apenas, a reproduzir modelos e a repetir saberes de muito relativo interesse. Tenho pena dos alunos portugueses que, por vezes, ainda têm de estudar obras literárias apresentando cada aluno um capítulo, sem a noção da totalidade da obra de Arte; tenho muita pena dos jovens que não podem assistir a um concerto porque há um teste intermédio; dói-me ver jovens portugueses amputados, na escola, da aprendizagem da música!!
Este Portugal entristece-me. Mas a violência educativa que se exerce sobre alunos e professores, revolta-me!
quarta-feira, maio 28, 2008
Pesadelei a noite toda. Acordei cansada, perdida ainda nas ruas escusas da minha emoção. Agora, o dia chora comigo a obrigatoriedade de se cumprir como se fizesse sentido. Como se eu estivesse bem. Como se me apetecesse brincar em torno de Cesário. Como se me apetecesse sorrir face ao vazio do meu quotidiano de sala de professores. Como se.
terça-feira, maio 27, 2008
A gasolina não pára de aumentar, o gasóleo segue-lhe os passos. Portugal é o país da Comunidade Europeia (já são 27!) com maior diferença entre os pobres e os ricos. A miséria aumenta em Portugal. O desemprego cresce sem parar. A educação é um caos, a avaliação de professores uma invenção de incompetência e ineficácia atestada. O défice não está controlado. O primeiro-ministro fuma nos aviões e faz jogging em visitas de estado. O ministro das finanças garante que a crise está para durar. A tuberculose e a SIDA continuam a alastrar.
Isto faz sentido? Isto é um cenário de país de primeiro mundo? Isto é a prova de que o PS está a governar bem? Ou está tudo doido, ou eu estou a viver num pesadelo que julgo ser a realidade...
É URGENTE que esta gente que faz Portugal acorde e corra de vez com os malditos socialistas de maus resultados!
Como dizia um amigo sábio "A diferença que há entre o comunismo e o socialismo é a mesma que há entre um funeral e um enterro" e o comunismo já provou...Veja-se a miséria dos países de Leste, vejam-se os atentados contra os direitos humanos na China e Coreia comunista!
Alguém, por favor!, invente um país novo!!!
Chuva sem fim! Maio pegajoso, mole e frio, destruidor das cerejas novas que começam a colorir a minha cerejeira. Sabe bem, por isso, vir a casa esticar um intervalo de aulas, beber chá quente, reforçar a couraça que quero intensa para me proteger do mundo. Se eu pudesse, se fosse forte o suficiente, viraria o mundo do avesso. Completamente! procuraria o sentido que as coisas têm. Porque têm de ter um sentido qualquer...
sábado, maio 24, 2008
É o meu dia preferido, o sábado. Com chuva ou com sol, sabe-me bem a ida ao Mercado, o sorriso da Dulce e do Joaquim Magno temperando as boleimas especiais da minha terra, as flores compradas com o pé curto, eu sei, corto por aqui para a jarra do cemitério, as hortaliças na banca do lado, então a menina hoje não veio? pode levar as cenouras grandes que garanto que não têm pau, não quer cerejas hoje? São das nossas. Depois a bica. Muitos rostos conhecidos, alguns amigos também, as cumplicidades que me fazem sentir-me elemento num espaço com sentido. Lá estão os habituais leitores dos imensos semanários, um olho nos textos, outro em quem entra e sai, comentários da crise. A de sempre. Surgem também os que partiram, trabalham longe, voltam nos sábados e encontram raízes. As manhãs de sábado são, para mim, tempos de antes de ser do que existir, e por isso as faço compridas.
Depois vêm as tardes e a noite intensa e pesada chega depressa de mais...
quinta-feira, maio 22, 2008
Chove muito, muito. Chuva corrida, direitinha, desolada mesmo. Como se o céu se tivesse profundamente desconsolado com a terra e quisesse lavá-la fundo. Pena que não chova lixívia. É que, com tanta porcaria na alma das gentes, só assim se poderia aclarar a existência...
quarta-feira, maio 21, 2008
Começou hoje, 4ªfeira!, um fim-de-semana XXL! Vou ter quatro dias para estar comigo, para descansar e para, simplesmente, não fazer nada! Vou tomar café a Marvão, vou refazer percursos de sentires, vou desfiar memórias, vou tecer sonhos compridos de bons. Vou tentar que a vida me esqueça!!
terça-feira, maio 20, 2008
Vem de mansinho. Chega perto, aquece a noite e faz-te presente. Isso, fala-me das fadas, do fascínio de, a dois, sentirmos os picos das estrelas e provocarmos as gargalhadas dos anjos. Fica por aqui, diz-me que valho a pena, que existir faz sentido, que ser é mais do que existir. E concorda comigo, por favor concorda comigo!, na importância do amor, na condenação veemente desta sociedade medíocre.
Como eu, odeia a esquerda falaciosa, desconfia da direita teórica, condena a democracia numérica que premeia a nulidade. Diz que são pirosos e reles, os nossos dirigentes; ri-te comigo do secretário de estado com chapéu de sanzala brasileira, faz-me acreditar que ainda há quem pense como eu.
Fica por aqui. Tenho a botija pronta, mas a minha alma resiste, o frio permanece. Não vás embora! Preciso de ti, sonho concreto.domingo, maio 18, 2008
Intervalo nas angústias, sábado divertido ao ritmo da dança. De tarde, workshop de Tango, à noite, depois de um jantar simpático, Festa Latina. O corpo a existir sem cabeça, sem sentires, em movimentos soltos e cheios de música. O forró saltado com o Jose, o Tango esfregado, o cha-cha-cha bem gargalhado, e os amigos a tecerem as cumplicidades que tanta falta me fazem.
Hoje, domingo, dor de cabeça... O corpo a queixar-se, a lembrar-me o tempo que passa. Não lhe vou ligar nenhuma, vou passear o Fred e brincar com a Diva!!
quinta-feira, maio 15, 2008
Dia comprido, chuvoso e dorido. Dia dos que doem, e que nem o pão-de-ló verdadeiro, só não molhado em Malvasia, conseguiu adocicar. Dias de desejo incumprido, de dor na existência e na essência também.
Há dias assim. Que se prolongam na noite que se adivinha excepcionalmente fria.
terça-feira, maio 13, 2008
Mais uma vez, Parlamento e jovens a aprenderem a ser cidadãos - A EUROPA À DESCOBERTA DO MUNDO, uma iniciativa do IEEI. Os meus alunos participaram, ouviram e perguntaram. O Miguel, aquele mesmo Miguel sempre com piadas e que (quantas vezes??) sinto longe da minha aula, a falar claro, com fundamento e dicção, com a segurança de quem acredita no que diz e gosta de o fazer! Fomos de véspera, chegámos hoje cansados mas realizados. É assim que se aprende e nós, como Einstein, preferimos "em vez de não acreditarmos em milagres, achar que cada momento da vida é um milagre!"
Mas o nosso caminho também se faz de pedregulhos e calhaus... Por causa das actividades do Clube Europeu, ou se calhar não..., a turma deixou vir ao de cima o que de pior há nos jovens: - A inveja, a crítica maldosa. Dói-me ver que isto acontece! Não consigo compreender comportamentos assim de gente que eu tinha como pura e verdadeira.
É assim a vida: - Contrastes! Com uma mão afaga, com outra castiga. Mas dói-me demais. Porque eu gosto destes miúdos todos!
Bem feita, diz-me a consciência. Quem me manda viver com o coração??'segunda-feira, maio 12, 2008
Há milhares de peregrinos caminhando para Fátima. Faz-me impressão. Sempre me impressionou o culto da dor, o sacrifício imposto, os joelhos sangrando em torno da Capelinha das Aparições, os rostos sofridos.
O meu Deus, o meu Cristo, é Amor vivo. Não pede lágrimas, não premeia sangue, não exige dor. O meu Deus quer entrega para a Vida e não antecipação da Morte! Para mim, a vida é em si mesma uma longa caminhada, ora por atalhos pedregosos, ora por auto-estradas de bom asfalto. Eu já circulei em automóveis último modelo, já solavanquei com motores cansados. Eu quero o meu Deus de Vida e, por isso, procuro a alegria e não a dor. Ainda que, muitas vezes..., o faça com dor.
domingo, maio 11, 2008
9 de Maio, Dia da Europa! Os meus alunos, os do Clube Europeu, ganharam um presente: Uma viagem para 30 a Bruxelas! Foi o Professor Dr. João de Deus Pinheiro quem ofereceu, mas eu fui a principal premiada! Porque queria muito levá-los e não tinha como; porque quero passear com eles na Bruges que sempre me fascina, porque acredito que viajando muito se aprende.
Foi um dia duro, o 9 de Maio, mas o presente recebido valeu o esforço, o nervosismo, o receio de que algo corresse mal. Cada dia mais, porventura culpa dos cabelos brancos..., sinto que a Escola tem de mudar e acredito nestas pequenas mudanças. Acredito, de facto, que a minha gente do Clube Europeu é privilegiada, está a aprender mais do que os outros, está a crescer melhor! É por isso que não me queixo das longas noites a trabalhar, das viagens constantes, do esforço que me é exigido. Um dia, espero..., eles vão lembrar-se de mim!
quarta-feira, maio 07, 2008
Porque será que nunca consigo juntar dinheiro e acumulo desilusões? Será que existo mesmo do avesso?
Eu não consigo compreeender o mundo em que vivo! Eu não percebo como se podem dinamizar sessões culturais, em áreas diferentes, e os professores (agentes culturais por excelência?!) não comparecem.... Os alunos não são levados até à cultura, a escola continua na sua rotina de rabos sentados, sumários registados e saberes cansados!
Ser culto, hoje, é uma atitude, não um estadio de aquisição de saberes!! A escola de hoje não pode, mas não pode mesmo!, ser igual à de há vinte anos. Mas é!
Que raiva!
Faz hoje 23 anos a minha menina. O meu bebé... Sinto ainda o toque da pele dela, com rosquinhas, enroscada nos meus braços, sinto-lhe o cheiro , oiço-lhe a gargalhada experimental. Não queria voltar atrás, passar de novo por tanta coisa má que a vida me ofereceu, mas sinto saudades boas dos meus bebés, da mania de se enfiarem na minha cama, das declarações de amor que me faziam: Mãe, gosto tanto de ti que se pudesse escolher uma mãe antes de nascer escolhia-te a ti. 5 anos à beira-mar, um abraço arenoso e intenso!
A vida corre, os tempos cumprem-se, ora a gosto ora a contra do mesmo, mas ficam as memórias gostosas, feitas de sentires exactos que o tempo não destrói.
Agora, hoje, a minha menina é uma mulher em busca da felicidade (a tal senhora velhinha e marreca que vende flores na praça) e eu desejo que ela a encontre mesmo.
Que seja feliz e amada, muito amada sempre!, a minha menina-mulher!
terça-feira, maio 06, 2008
Naquele piquenique de burguesas houve uma coisa simplesmente bela. Cesário a fazer-se presente. A minha vontade de sonhar, de falar aos miúdos das construções reais das ficções que fazem existência, esbarrando com a norma, o obrigatório, o correcto. "Uma coisa simplesmente bela", e o advérbio a funcionar como totalidade, a transformar em todo o pormenor, a coisa. E eu a pensar que cada dia há menos simplesmente, menos coisas belas também... Os miúdos rindo do supremo encanto das papoulas, do teu seio como duas rolas, o ramalhete rubro de papoulas. Como faz sentido! Como é fantástico, perante a intensidade de um pôr-do-sol, de um quadro perfeito, captar o pormenor que dá sentido à existência. Simplesmente. Os alunos brincando, longe da profundidade da simplicidade aparente, eu querendo que cresçam, com jeitinho, sem desilusão, sem empurrões à força. Eu que hoje recebi uma carta da Andrea. A minha aluna Andrea que, há três anos, foi para a Austrália. Eu a ter saudades da Andrea, de muitas outras Andreas que, como eu, sentiam que aquele ramalhete rubro de papoulas era, de facto, o supremo encanto da merenda...
Mais um dia. Vontade de fuga para outra existência, outra dimensão. Anseio de cumplicidade ardente.
segunda-feira, maio 05, 2008
Estou emocionada. Porque ainda há coisas, factos, histórias, ternuras que me molham o olhar desiludido.
Pois é, as fadas também vão à escola. E, pelo menos para um aluno meu, um só já é MUITO!, eu soube ser a fada da magia da palavra. Se mais nada tivesse feito na Escola, bastava o reconhecimento terno deste miúdo tímido, de olhar doce e voz hesitante, para me fazer acreditar que vale a pena ser professora. Que interessa a titularidade burocrática perante a poesia de ouvir dizer que eu sou a fada da escola para o meu aluno crescido?!
A senhor ministra que vá às urtigas e se encha de comichões! Eu vou dormir com o ego embrulhado em emoção!!
quinta-feira, maio 01, 2008
Cumpri o dia do trabalhador. Depois de uma bica forte e gostosa em Castelo de Vide, a seguir a um passeio com o Fred à trela, passei a tarde a trabalhar. Voou o tempo. Agora, com a noite fria, apetece-me a cumplicidade do silêncio embrulhado nos lençois de risquinhas da minha cama. Vou meter-me lá, abrir a arca das recordações boas e tornar a noite boa.
Gosto de ficar na cama, quieta, embrulhada em sentires na macieza da minha camisa de noite. Gosto da solidão boa, que encho com fantasmas do meu desejo contido.