domingo, fevereiro 27, 2005
Um dia inteiro a tentar dar sentido, vestir de sonhos, os testes que os alunos vão resolver. Procuro textos, quero criatividade, sedução. Leio, releio, clico pesquisar repetidamente e estou difícil de satisfazer! Quero dar sentido à escola, mostrar que aprender é bom, dá prazer, que não tem de ser uma maçada. Esbarro com uma entrevista a Eça de Queirós. Paris, 1900. São os últimos dias do escritor e a ironia continua viva, presente, saudável. O que lhe acontecerá quando o corpo sucumbir?
Leio a entrevista. Tem graça, serve. Formulo perguntas. É preciso despertar inteligências, fazer trabalhar o cérebro e, simultaneamente, espevitar sentires, agitar emoções.
Escrita criativa. Último grupo. Rio-me perante o programa. Como meter em tantas regras e normas a criatividade que se pretende? Ignoro as linhas (des)orientadoras. Ah! Vou pô-los a falar de sonho, de possíveis, de amor também...
Leio a entrevista. Tem graça, serve. Formulo perguntas. É preciso despertar inteligências, fazer trabalhar o cérebro e, simultaneamente, espevitar sentires, agitar emoções.
Escrita criativa. Último grupo. Rio-me perante o programa. Como meter em tantas regras e normas a criatividade que se pretende? Ignoro as linhas (des)orientadoras. Ah! Vou pô-los a falar de sonho, de possíveis, de amor também...
terça-feira, fevereiro 22, 2005
Pronto, já passou a raiva, a fúria. Ficou apenas a tristeza, a incompreensão. Não falo mais em desgraças. Quero lá saber do país! Quero é saber dos sentires, dos meus poetas, dos espaços - sempre mágicos - onde a emoção e o sonho ainda são possíveis. Hoje chove. É boa a chuva! tinha saudades do cheiro a terra molhada, do nevoeiro denso carregado de mistério, das luzes dos carros a provocarem os natais de cada dia. Vim para casa e fiquei aqui, com o Smart a olhar-me surpreendido, ouvindo a água a bater nos vidros das janelas. Oiço assim o silêncio.
Que bom ainda haver silêncio musical!
Que bom ainda haver silêncio musical!
domingo, fevereiro 20, 2005
E agora? O que vai ser de Portugal???
Estou desiludida. Triste. Infeliz. Ganhou a estupidez, o vazio de ideias. Ganharam os assassinos - vem aí o aborto e a liberalização das drogas.
Queria desaparecer. Emigrar.
Vou ficar muda. De luto!
Queria desaparecer. Emigrar.
Vou ficar muda. De luto!
sábado, fevereiro 19, 2005
PS NUNCA NUNCA NUNCA NUNCA NUNCA NUNCA NUNCA NUNCA NUNCA NUNCA NUNCA. Além de tudo, são tão feios os socialistas!!
Eu queria não querer saber. Ser honesta quando digo que tanto me faz uns como outros... Mas não consigo!
Amanhã o meu país vai a votos e eu estou numa enorme ansiedade. Dizem que vai ganhar o PS, a esquerda. Será possível? Será possível que a minha gente não entenda que este país só pode avançar se apostar no indivíduo-só, sem colectivismos a cheirar a século passado, sem totalitarismos que já provaram não resultar?!
Amanhã vou votar. Amargurada, angustiada, triste, com medo. Mas vou votar.
Queria poder sair de Portugal uns anos, emigrar para longe, Inglaterra, Suécia talvez. Mas não posso. Ou não sou capaz de deixar para trás o nada que é o meu tudo na vida.
Que chatice!
Amanhã o meu país vai a votos e eu estou numa enorme ansiedade. Dizem que vai ganhar o PS, a esquerda. Será possível? Será possível que a minha gente não entenda que este país só pode avançar se apostar no indivíduo-só, sem colectivismos a cheirar a século passado, sem totalitarismos que já provaram não resultar?!
Amanhã vou votar. Amargurada, angustiada, triste, com medo. Mas vou votar.
Queria poder sair de Portugal uns anos, emigrar para longe, Inglaterra, Suécia talvez. Mas não posso. Ou não sou capaz de deixar para trás o nada que é o meu tudo na vida.
Que chatice!
domingo, fevereiro 13, 2005
Ainda é sábado. Não, de verdade mesmo já é domingo: 0.25h. Hora esquisita - zero. Como se fosse possível ser zero = nada! Coisas de homens, de certeza. Se Chronos tivesse sido uma mulher, se o Tempo fosse feminino, tudo seria bem diferente e, de certeza absoluta, não existiriam zero horas. Nem horas zero. Seriam sempre horas de alguma coisa, de alguém. Muita coisa faria sentido nos sentires, ainda que nem sempre na razão.
Tive três dias só meus. Sem ninguém. Eu e o meu Smart, cão hoje bem sujo..., passámos estes dias aqui no espaço amarelo. Comecei por curtir uma neura funda. A maldita da solidão... Mas depois o sol tentou-me. Andámos a passear. Vimos, eu vi claramente visto (sempre os meus Poetas comigo), um ninho de águia em Marvão. Era um cesto natural, largo, trabalhado, mas vazio. A bichinha tinha saído! Achei piada áquela solidão animal e prometi ao Smart que não ia mais chateá-lo com neuras. Amanhã/hoje vamos outra vez passear.
Provar que não há zeros no Tempo....
Tive três dias só meus. Sem ninguém. Eu e o meu Smart, cão hoje bem sujo..., passámos estes dias aqui no espaço amarelo. Comecei por curtir uma neura funda. A maldita da solidão... Mas depois o sol tentou-me. Andámos a passear. Vimos, eu vi claramente visto (sempre os meus Poetas comigo), um ninho de águia em Marvão. Era um cesto natural, largo, trabalhado, mas vazio. A bichinha tinha saído! Achei piada áquela solidão animal e prometi ao Smart que não ia mais chateá-lo com neuras. Amanhã/hoje vamos outra vez passear.
Provar que não há zeros no Tempo....
terça-feira, fevereiro 08, 2005
Olá amor! Olha, hoje é 3ª feira de Carnaval, não fomos ao corso, ficámos juntos vendo o fogo controlado na lareira com vidro. Agora, vamos sair também e fazer a festa que se chama folia. Veste o teu traje, pode ser um Dominó, eu vou escolher o meu vestido de cigana, largo, cheio de folhos, provocando a inveja das Sevilhanas. Os dois vamos para a rua, para onde ninguém nos conhece, com pacotes de confetis para lançar sobre o mundo. Vamos dançar imenso, enrolarmo-nos um no outro envoltos pela euforia da multidão! Vá, arranja-te depressa, o Dominó fica-te tão bem... Sim, sei que de cigana também não fico mal, sugiro as moçárabes das minhas histórias de amores possíveis. Somos um casal curioso. Haverá possibilidade de um casal assim? É Carnaval...
Logo, tarde na noite, vamos voltar para casa. Exaustos, com os fatos sujos, os pés doendo da dança louca da festa. Os dois vamos dormir sem pesadelos. É Carnaval!
Logo, tarde na noite, vamos voltar para casa. Exaustos, com os fatos sujos, os pés doendo da dança louca da festa. Os dois vamos dormir sem pesadelos. É Carnaval!
Oficial e teoricamente o Carnaval acaba hoje. Na prática e de verdade continua. Eternizam-se as máscaras, os disfarces, os faz-de-conta, as momices, os vazios a fingirem existências.
O ex-bispo de Setúbal diz que é possível morrer-se sem se saber que se viveu. Deve ser bom. Não se dá pelas dores de ser, só pelos arranhões de existir...
O ex-bispo de Setúbal diz que é possível morrer-se sem se saber que se viveu. Deve ser bom. Não se dá pelas dores de ser, só pelos arranhões de existir...
domingo, fevereiro 06, 2005
É Carnaval e estamos em Campanha Eleitoral. Neste caso, não são coincidências mas, apenas, a incidência do ridículo num País que não faz sentido.
quinta-feira, fevereiro 03, 2005
Eu hoje estou vazia. Oca. Estranhamente cheia de coisa nenhuma incómoda que faz doer a minha alma inexistente. Quero tanto, sem querer nada... As palavras não me servem, os sentimentos dominam-me, as angústias afogam-me.
Se eu pudesse, hoje, agora, fechava a porta do mundo e não deixava a emoção entrar. A saudade muito menos!
Se eu pudesse, hoje, agora, fechava a porta do mundo e não deixava a emoção entrar. A saudade muito menos!