terça-feira, maio 30, 2006
Com todo este calor, bem podiam as minhas emoções, com os sentires a reboque, derreterem completamente. Seria, então, uma mulher ajuízada, arrumadinha no canto certo da sociedade, cumpridora dos possíveis, reprodutora fiel dos esgares e observações que definem o hoje. Então, não haveria insónias, beijos vermelhos ou carícias amarelas.
Se calhar, até me maquilhava!!
Se calhar...
Se calhar, até me maquilhava!!
Se calhar...
quarta-feira, maio 24, 2006
Soa o merengue. É fácil, marchar ao ritmo, mover o corpo, sentir a vida. Toca o tango. Sai um corpo em dois que se unem, chocam-se pernas, sentem-se fibras íntimas. Desliza-se. E a imaginação vai também, sem saltos, deslizando ao sabor da música. Agora é a Argentina, a carne na brasa, os ritmos quentes e intensos. É uma sala vermelha, corações gordos de desejo, corpos transpirando a emoção. E surge a rua do comércio! Portalegre?? Sim. O real. Só. Vazio. Sem ritmo nem deslizes musicais...
sexta-feira, maio 19, 2006
Está a chegar o dia. É já a 14 que, outra vez sozinha, vou partir para Viena de Austria! Desta vez a escala é em Munique. Mas estou ansiosa por partir! Se pudesse, emigrava. Da cidade, do país, da família, dos falsos amigos. Levava apenas os Amigos de verdade. São poucos, cabem bem no carregamento da alma.
Será que vou ter tempo de ir a Salzburgo??
Será que vou ter tempo de ir a Salzburgo??
quarta-feira, maio 17, 2006
Tenho sono, apetece-me esticar-me na cama, espreguiçar-me, ficar no silêncio a distinguir o ladrar dos cães, o coaxar das rãs, o regougar da raposa. Mas não me apetece ir-me deitar.
Hoje estou às avessas, frenética, sonhadora, exigente.
Apetecia-me. Mas sei que não tenho. E fico aqui, teclando, escrevendo textos longos, intensos, que amanhã, com um delete rápido, eliminarei da minha vergonha dos sentires
Hoje estou às avessas, frenética, sonhadora, exigente.
Apetecia-me. Mas sei que não tenho. E fico aqui, teclando, escrevendo textos longos, intensos, que amanhã, com um delete rápido, eliminarei da minha vergonha dos sentires
"Tia, preciso de ajuda para fazer uma composição sobre o corpo e a imagem que dele temos. Em inglês." - E eu ajudo. As duas falamos da imagem, eu repito a hipocrisia social: - Que a imagem não interessa; que o importante é a alma; que as pessoas não valem pelo que mostram; que se pode ser feliz sendo mesmo feio. E ela pergunta como? Se eu queria ser estrábica, zarolha, baleia. Eu dou uma gargalhada sincera! Se já me vejo aflita com as gorduras...
Então, as duas alinhamos na verdade: - A imagem conta sim. Porque nos cuidamos, escolhemos roupa bonita, tentamos parecer atraentes? Porque, garanto eu, somos construídos para fora e, por isso, vemos os outros e mostramo-nos mais do que nos vemos a nós!!
Não perguntei à minha sobrinha porque será que ninguém me vê. Há coisas que, como cantava alguém, nem às paredes confesso!
Então, as duas alinhamos na verdade: - A imagem conta sim. Porque nos cuidamos, escolhemos roupa bonita, tentamos parecer atraentes? Porque, garanto eu, somos construídos para fora e, por isso, vemos os outros e mostramo-nos mais do que nos vemos a nós!!
Não perguntei à minha sobrinha porque será que ninguém me vê. Há coisas que, como cantava alguém, nem às paredes confesso!
terça-feira, maio 16, 2006
É preciso mudar a Escola. As práticas, os conteúdos, as metodologias, o espaço, as relações humanas, tudo. E é preciso que a mudança vá para além do uso do computador, para além da manipulação da internet. Não acredito na moda da exclusividade da Escola Virtual. É que as vivências não são virtuais e os saberes, para serem nossos, têm de ser assumidos, têm de se nos colar à pele como o cheiro que nos caracteriza!
Quero uma Escola outra. Um espaço de fazeres, assente nas competências.
Só eu pareço querer... Logo, silogismo irrefutável, estou profundamente errada. Porquê? Porque o meu mundo não existe. Assim, não percebo o que faço neste. Diz-me tão pouco...
Quero uma Escola outra. Um espaço de fazeres, assente nas competências.
Só eu pareço querer... Logo, silogismo irrefutável, estou profundamente errada. Porquê? Porque o meu mundo não existe. Assim, não percebo o que faço neste. Diz-me tão pouco...
quarta-feira, maio 10, 2006
Cesário Verde falava de Lisboa. O cheiro do peixe, as vozes das varinas, os saltos dos carpinteiros nos andaimes, o sol quase a deitar-se, as Avé-Marias tocando, entravam na minha sala de aula para pintar quadros de essências. Mas só eu dava por isso! À minha volta, cabeças de 16 e 17 anos, gente crescida? gente com sonhos?, ria sem sentir nada, gargalhava a própria idiotice, guinchava a banalidade da ignorância.
Então saí. Virei costas à insuportável estupidez, fechei a porta à vulgaridade e vim embora. Foi a primeira vez. A primeira vez, em 25 anos da vida de professora!, que fechei a porta da sala trancando a alma a sete chaves.
E agora? Agora... Como gerir a magoada desilusão, a profissional tristeza, a social frustração?
Tenho a alma amarga. Tenho a garganta a doer e os olhos em brasa.
Um dia, alguém inventou a expressão deitar pérolas a porcos. Hoje, eu sinto que se acabaram as pérolas. Ficaram, apenas, os porcos...
Então saí. Virei costas à insuportável estupidez, fechei a porta à vulgaridade e vim embora. Foi a primeira vez. A primeira vez, em 25 anos da vida de professora!, que fechei a porta da sala trancando a alma a sete chaves.
E agora? Agora... Como gerir a magoada desilusão, a profissional tristeza, a social frustração?
Tenho a alma amarga. Tenho a garganta a doer e os olhos em brasa.
Um dia, alguém inventou a expressão deitar pérolas a porcos. Hoje, eu sinto que se acabaram as pérolas. Ficaram, apenas, os porcos...
sábado, maio 06, 2006
7 de Maio, falta pouco...Então será: Dia de anos.
21! Há 21 anos entrava eu, de coração angustiado e julgando ir morrer, no terrível Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Lá encontrei gente sem alma, profissionais tão gelados quanto o ferro da cama estreita onde me deitei. Lá, soube que tinha morrido o Dr. Mota Pinto...Lá, nesse dia, nasceu a minha filha Joana!! Era um bebé lindo, de olhos curiosos, que cedo começou a agarrar com muita força o meu dedo e, também muito cedo, começou a procurar-me com os olhos. Há 21 anos, sem que eu o soubesse ainda, chegou à minha alma mais uma mola para me fazer sonhar e existir!
Hoje, a Joana já não precisa de me segurar o dedo e sou quem, constantemente, a procura com os olhos da alma.
Hoje, a vida faz mais sentido porque a Joana faz anos, e eu fiz um bolo, fiz mousse de chocolate, desarrumei a cozinha e vou deitar-me mais tarde porque tenho de ir arrumar tudo.
Parabéns Joana!
21! Há 21 anos entrava eu, de coração angustiado e julgando ir morrer, no terrível Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Lá encontrei gente sem alma, profissionais tão gelados quanto o ferro da cama estreita onde me deitei. Lá, soube que tinha morrido o Dr. Mota Pinto...Lá, nesse dia, nasceu a minha filha Joana!! Era um bebé lindo, de olhos curiosos, que cedo começou a agarrar com muita força o meu dedo e, também muito cedo, começou a procurar-me com os olhos. Há 21 anos, sem que eu o soubesse ainda, chegou à minha alma mais uma mola para me fazer sonhar e existir!
Hoje, a Joana já não precisa de me segurar o dedo e sou quem, constantemente, a procura com os olhos da alma.
Hoje, a vida faz mais sentido porque a Joana faz anos, e eu fiz um bolo, fiz mousse de chocolate, desarrumei a cozinha e vou deitar-me mais tarde porque tenho de ir arrumar tudo.
Parabéns Joana!