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terça-feira, junho 28, 2005

Há tanta maldade! e está à minha volta. Que prazer dará estragar a vida alheia, prejudicar, provocar dores e mágoas? Terá o Marquês de Sade deixado eterna descendência? Parece-me dolorosamente que sim...

domingo, junho 19, 2005

Não li os jornais, não vi televisão, não ouvi a rádio. Desliguei do mundo por uns tempos e, devo confessar, não tenho vontade nenhuma de restabelecer o contacto. Soou-me a morte do dr. Álvaro Cunhal, a do Vasco Gonçalves também, mas não prestei nenhuma atenção porque, muito sinceramente, eram pessoas que nada me diziam. Lembro-me deles, claro!, mas lembro também que nunca me prometeram nada de bom e que sempre me assustaram as medidas que defendiam. Morreram, coitados. Pronto, não penso mais nisso e olho para mim, pastora de sonhos solitários.
A minha vida faz-se, agora, de repente, porque a morte vem sempre de repente, de mais solidão, de incomensurável saudade. E quero reagir. Sei que é preciso reagir, recuperar o calor do sol na pele molhada, saborear a frescura da água da piscina, deliciar-me ainda com a gulodice dos pardais e a calma viscosa dos cágados e das rãs. Mas não tenho forças!
Às vezes, chego a pensar que a escrita é, para mim, a companhia mais sólida, mais constante. Veleidades... Por isso, escrevo de alma escancarada na esperança, tantas vezes inglória, de ficar mais leve de sentires
Dói-me a minha solidão. É uma solidão mascarada, tipo entrudo, porque quer fingir não ser aquilo que, de verdade, é. A minha solidão, muitas vezes, está cheia de sorrisos mais ou menos amigos, conversas simpáticas, ares partilhados. Chega até, de quando em vez, a trazer-me companhia para a noite e a embalar-me carinhosamente fingindo ser companhia real-eterna. Mas depois, num instante, devorada por um Chronos insaciável, a partilha desaparece e a solidão, com o à-vontade doloroso que o tempo lhe dá, instala-se outra vez, mais gorda ainda, maquilhada de dor e mágoa, adornada com a desilusão que cresce.
Dantes, eu acreditava mesmo em diferentes oportunidades, em hipóteses novas. Ingénua! Cheguei mesmo a acreditar que seria feliz outra vez, que o meu corpo reaprenderia o veludo de outras mãos, que voltaria até a desinquietar os anjos nos momentos de perfeita cumplicidade. Burra! Muitas vezes, sobretudo no Verão, junto ao mar, olhei a imensidão azul, as ondas irrepetíveis e pedi ajuda confessando inconfessáveis. E ouvi respostas promissoras na onda que apagava a marca do meu pé na areia molhada. Mas as ondas eram mentirosas. Garantiram-me que há sonhos renovados e, a vida, essa verdadeira, ensinou-me que só se sonha uma vez. Eu já sonhei e já acreditei. Dantes... quando a minha cama nunca era grande demais.
Agora, para juntar aos estilhaços do meu sonho, foi embora o meu porto de abrigo. E sei que é preciso reagir. Sorrir. Reinventar a alegria! Mas não sou capaz. Não tenho mais forças, este mar é revoltoso demais para o que eu aprendi na natação...

terça-feira, junho 14, 2005

A noite ficou mais escura, as estrelas menos brilhantes, o sol mais cáustico. A solidão cresceu, a saudade não tem limites! Quando o meu Pai foi embora, o meu dia ficou estranho. Não acho graça aos melros, não presto atenção ao cuco mentiroso que, escandalosamente, continua a cantar pertinho do baloiço.
O meu Pai sabia de cor os cucos, os melros, os tordos, as águias. Vigiava a groselha, as pêras, as sebes do quintal que crescem desordenadas. Agora, eu também me sinto sebe. Sem apoio...

segunda-feira, junho 13, 2005

Agora é preciso continuar viva. Para quê é que ainda não descobri. Há um buraco grande na minha alma, na minha vida, no meu existir. Agora, estou completamente sozinha. O meu Pai foi embora.
Faz-me tanta falta!!!

terça-feira, junho 07, 2005

Um dia eu vou ter o Pégaso. Mesmo!. Então, montá-lo-ei sorrindo e voarei nele para longe, muito longe. Deixarei na terra os dramas, pousarei no infinito. Um dia.

sábado, junho 04, 2005

O sentido que tem a vida é não ter sentido nenhum.
Falei com Pessoa, sentei-o à mesa com Vergílio, deixei o Torga instalado no sofá fazendo festas ao cão (estava sujo da caça, mas não me importei) e pedi-lhes que me ensinassem o sentido de ser. Pessoa pediu absinto, aceitou a troca por Vodka e disse-me que era assim a vida: - Trocar o que se gosta e quer, pelo que há e é possível e, depois, ficar contente. Ou não. Vergílio pediu-me que me visse no espelho e, garantiu!, se olhasse bem encontraria as respostas que procuro. Disse-lhe que só encontro rugas, ausências, saudades, desejos inconfessáveis. Que os confessasse, então, respondeu. E os realizasse. Assim, com as minhas capacidades. Só. Deviam bastar. (Achei simpático, mas não me servia) . Torga, sem sequer me olhar, contou que é macio o colo das fragas de São Martinho de Anta e pura a água que as fontes lhe oferecem. Eu contei das minhas fontes e disse que a Amaia está inquinada. Um esgoto... Torga, sem sorrir, disse que estava aí a resposta, no esgoto mesmo.
Sairam todos cabisbaixos. Eu acabei a Vodka de Pessoa e fiquei na mesma angústia. Essa sim, tem todo o sentido!

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