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sexta-feira, novembro 30, 2007

Deita-te ao meu lado. Assim, bem coladinhos para que a minha angústia se esgote. Ouve o que conto, diz-me que sim, que tenho razão, que esta torrente que me afoga faz sentido, que não faz mal ser Mulher.

quinta-feira, novembro 29, 2007

Quero lá saber de ser humilde, conformadinha, aceitante passiva do meu lugar no fim da fila da humanidade! Quero lá saber do humildemente correcto! Eu hoje estou feliz porque fui prioridade! Porque houve quem se lembrasse de mim antes do tempo! Porque o Pai Natal, não o das barbas brancas mas o do coração enorme, passou por aqui trazendo-me um presente lindo. Dança, dança, dança! dizia o presente. E eu dancei feliz! Nem dei por que me faltasse o par...
É tão bom ser prioridade num coração cúmplice!

terça-feira, novembro 27, 2007

O que estamos nós, adultos do século XXI, a fazer com os nossos miúdos, com os jovens? Estou angustiada mesmo. Os meus alunos de 11º ano, miúdos entre 15 e 17 anos, têm explicação de... TUDO! Ou quase. E, por isso, não podem participar em actividades, não podem conversar, descobrir o mundo, trocar ideias, olhar a vida. Estes miúdos saem da escola a correr para se enfiarem nas explicações! São os miúdos formatados, incapazes de exercícios de autonomia, reprodutores de saberes que, muitas vezes, estão já ultrapassados. Os explicadores, são oas professores da mesma escola!! Aqueles que fiscalizam os sumários dos colegas, espreitam os testes, planificam em conjunto. Os mesmos, exactamente, que se queixam da corrupção que alastra em Portugal...
Será que eu sou de outro planeta? É que eu sofro com isto. Sofro mesmo! De doer por dentro e me tirar o sono.
Queria jovens com tempo para viver, habituados a resolver os seus problemas, integrando actividades, confiando no professor, capazes de exercícios de autonomia e de responsabilidade.
Será que, adultos, vão pagar uma explicação para lhes organizar a casa e fazer os filhos? Se calhar, optam pelo catálogo... Porque não há explicador capaz de explicar, de facto, a descoberta fantástica do outro!! (acho eu...)
Que raiva!

domingo, novembro 25, 2007

Domingo. Mais uma semana a começar... Não me apetece. Queria partir! um desejo forte de fuga, de ausência, de férias da minha existência. Ir de férias sem o meu eu, era o que me apetecia mesmo.
Itália, claro. Siena, Florença, os sonhos sonhados a serem verdade. Café forte, chocolate quente nas galerias, Arte na rua, sorriso íntimo, banheira de água quente ao fim do dia frio. Para dois.

sábado, novembro 24, 2007

Saiu toda a minha gente. Noite de sábado, música no Centro de Artes do Espectáculo, foi tudo embora. Ficamos nós, o Buda e eu, ouvindo o vento, no quentinho da sala, sem sequer ligarmos o rádio porque não há Oceano Pacífico. Estive a corrigir os testes dos alunos, uma turma boa, daquelas especiais, bem feita para o sucesso, onde os meninos discutem as décimas e são catalogados de génios...Houve notas muito boas, quase 18!, e, já aliviada, vim procurar-me. Sim, é aqui, no espaço fechado do ecran do meu computador, que muitas vezes me encontro. Vejo-me por dentro, como se fosse um espelho mágico e, quase sempre, não gosto do que vejo. Não gosto do cinzento desilusão que me veste a alma, do vermelho raiva que me tolhe o pensar, do verde baço de esperança perdida...
Aqui, também, estás sempre tu. Sabes ouvir, não respondes, aceitas as minhas fúrias e acolhes os meus devaneios. Pena não teres braços fortes para, agora, vires comigo para o quentinho da minha cama de bambu.
Um dia vou acabar com o meu blog. Hoje não é o dia.

quarta-feira, novembro 21, 2007

Todos os dias me dizem muitas coisas. Coisas sem sentido, coisas sem importância, coisas de pensar, coisas de fazer, coisas de gostar, coisas de entreter, coisas de esquecer, coisas de duvidar, coisas de partilhar, coisas de discordar, coisas de irritar, coisas de condenar. E eu oiço-as todas dando-lhes, mais ou menos inconscientemente, o destino que merecem. Ou não. Não porque, às vezes, há coisas que se recusam a entrar na gaveta relativamente arrumada da minha alma e que ficam a moer, qual mosca sonora dentro dos meus pensares, chegando até, vezes demais..., a roçar os meus sentires.
Foi o que me aconteceu hoje! Disseram-me, um emissor que me não é indiferente porque lhe reconheço mérito (algo cada vez mais raro...) que eu ando com a pontaria avariada e que, em vez de apontar armas ao Ministério de Educação e áquele verme que um idiota fez ministra, devia esforçar-me por resolver as coisas no terreno. Fazendo bem, disseram-me. Entendi, na tal metalinguagem, que faço mal. E fiquei apreensiva. Porque eu tento fazer o melhor e, honestamente, ainda não vi um modelo que mais me convencesse! Eu não faço como fazia no início da minha carreira, ou sequer farei para a semana como fiz hoje!!!
Depois, se calhar buscando a minha própria tranquilidade... recordei ter ouvido também a expressão "Não vale a pena". Ah! Então fiquei aliviada. Porque eu acho, como F. Pessoa "Que tudo vale a pena/Se a alma não é pequena" e a minha alma é danada de imensa!!
Tem de valer a pena ter opinião, poder discordar, denunciar aquilo que nos incomoda, ofende, agride mesmo! Se assim não for, de que serve a Democracia???
Um dia, eu vou partir. Para longe. Para um país onde ninguém me diga mais que o sonho, a luta, a verdade não valem a pena...

segunda-feira, novembro 19, 2007

Chove muito. Na minha vidraça a chuva escorre, carreirinhos organizados, terminando num riacho magrinho na calha da janela. Estou no quente, sossegada, quase em paz, tenho o oceano pacífico a tocar baixinho, e penso como seria bom se a vida, a de verdade, acontecesse assim, ordenada, fluente, como os carreirinhos de chuva na minha vidraça.
Se assim fosse, não haveria solidão, receios ou inseguranças. As gotas sabem que devem correr para baixo e nunca vi nenhuma desatar a correr pela vidraça acima!
Eu também gostava de ter a certeza do que devo fazer, dizer, pensar, sentir. Se eu fosse uma gota de chuva, escorreria agora direitinha para a minha cama de bambu e não levaria comigo os desejos inconfessáveis, as saudades dos tempos em que a minha cama me recebia já quente e os temores que fazem ficar acordada, horas e horas, sentindo o estômago doer e a alma gemer baixinho.

domingo, novembro 18, 2007

Chegou o frio! Que bom! Já acendi a lareira e, ainda que os meus sentires se mantenham gelados, o meu corpo está quente, a minha sala cheira a lenha, a vida mesmo. É bom viver assim, enroscada frente ao lume, um bom livro por companhia e o ressonar morno do Buda aqui aos meus pés. Se tudo acabasse agora, seria um final feliz.

quarta-feira, novembro 14, 2007

Avaliação de desempenho. Farpas na minha consciência profissional! Queria sair deste país mal frequentado, viciado, opaco e humilhante.

segunda-feira, novembro 12, 2007

Pus a trela nos sentires, peguei no Fred também, e fomos passear no Outono da minha Serra. Há cores fantásticas, tons surpreendentes e tapetes naturais a colorirem a poeira dos caminhos. Cada passada batia nas minhas lembranças, nas saudades cada vez mais vivas e intensas, nas recordações de mil lugares e muitos espaços. Felizmente, os sentires seguiam à trela... O Fred, farto de estar preso e com vontade de correr, era uma locomotiva a puxar por mim. Mas o vapor cheirando a ternura ausente, carinho perdido e desejo contido, não tinha força de combustível. Cheguei com o olhar cheio de Belo, a Alma anestesiada e os sentires soltos porque, sem que eu desse conta, a um esticão do Fred talvez, partiram a trela...

domingo, novembro 11, 2007

Tenho andado zangada com o computador. O bicho não tem culpa, mas acho o mau uso que dele fazem, e o uso abusivo também, responsável, em parte, pela desumanização do mundo que integro. Estou farta de plataformas que substituem o olhar nos olhos de professores e alunos; que tornam frio e impessoal o processo ensino-aprendizagem!
Tudo o que é demais (excepto o AMOR que nunca é demais!) enjoa. E as plataformas, e a treta dos power point em aulas sucessivas, e os meninos centrados num ecran e longe da humanidade, já é demais. Acredito que para se crescer, para se aprender, para que a escola resulte, é preciso sentir, tocar, cruzar olhares de diferenças, tecer cumplicidades, conhecer caligrafias até! Com as plataformas, nem sequer cheira a suor.
E eu acho que é importante saber que há quem cheire a suor!

quarta-feira, novembro 07, 2007

Sinto hoje um cansaço imenso. Doem-me as pernas, dança de ontem?, estou exausta. Felizmente, por companhia tenho a "Soma dos Dias", Isabel Allende, que trouxe de Lisboa na 2ªfeira. É uma escritora fantástica. Terna, real, humana, violenta por vezes, amante, apaixonada, maternal e combativa. Comovo-me com o que diz, sinto-a próxima, dou por mim tendo saudades doridas de Paula, temendo o futuro de Sabrina, reparando nas costas cansadas de Willie.
Como seria eu sem livros? Quem seria eu sem os meus autores? Oca, decerto. Mais ainda.

segunda-feira, novembro 05, 2007


Depois da Morte, apeteceu-me, sei lá porquê, ir buscar o Bandarra que encontrei em Trancoso! Gosto do ar dele, com um quê de desafiador. Será que conhecia mesmo o Futuro? AH! Grande sapateiro!! Ele que tanto mexia nas solas que pisavam chão, tinha a cabeça bem no ar da criação.
Às vezes, Portugal vale a pena...

Igreja de S. Tiago. Um espaço lúgubre, desolado, abandonado até. Levam para lá os caixões, abrem-nos à curiosidade mórbida, não salvaguardam o direito à privacidade, como se por ter morrido o corpo fosse de todos, e fazem velórios. Fui lá outra vez. Em poucos dias, fui lá despedir-me da Srª. Dª. Maria Isabel Pestana, Senhora linda, espanhola, há cinquenta anos em Portalegre sem conseguir falar português, sempre sorrindo, brincando, falando pelo microfone que encostava ao buraco da traqueostemia que lhe roubara a voz. Hoje, voltei. Para dizer adeus ao Primo Augusto, ao marido da Prima Pia, a prima preferida do meu Pai querido.
Em Portalegre, acho que nos outros sítios também, não se dá dignidade à morte. Torna-se pública, espectáculo deplorável. Por isso eu quero ser cremada. Esqueçam-me. Mas não me sujeitem à exposição da maior miséria da humanidade: a Morte!

domingo, novembro 04, 2007

Alberto Caeiro. E Pessoa ele mesmo. A Leonor, ensonada depois de uma noitada de sábado, o teste perto, o desejo de saber sem ter de aprender. E eu a comover-me, a dificilmente conter a minha dor de pensar, a discordar da evidência, ela mesma tantas vezes aparente... Pensar é estar doente dos olhos. E ver é, muitas vezes, usar as vendas dos burros quando tiram água do poço, dando à nora. À nora andamos nós, humanidade. À nora ando eu, rodando sem êxito, sem conseguir sequer fazer correr um elixir qualquer. Pois é, Leonor, era o Mestre. Porque resolveu a dor de pensar. Ou apenas porque a Pessoa apeteceu. Para nos confundir talvez. Para provar que o sentido que as coisas têm é não terem sentido nenhum.
Ela está cansada. Teve sentido a noitada? E eu desejo que sim. Que a Leonor, a Filipa, a Joana, A Carolina, o Bernardo, o António, todos consigam encontrar sentido na forma como, com garra -desejo sempre -, vão fazendo a vida cumprir-se.
Saíu a Leonor. Meteu o Pessoa na mochila, o Caeiro ao lado, enfiou os dois na mota e partiu. Fiquei eu. Só e desejando que Álvaro de Campos apareça por aí.
Já estão frias, as noites.

sábado, novembro 03, 2007

Homenagem a José Régio. A Associação de Escritores Portugueses (muitas Associações existem neste país de solitários...) a vir a Portalegre para homenagear o escritor, poeta, ensaísta. O Régio. Aquele senhor só com cabeça ali mesmo ao pé do cemitério, como as minhas filhas diziam... Desta vez, os senhores que vieram traziam também corpo e membros. Na sala, a polivalente da Biblioteca, imensas cabeças brancas, costas curvadas, gente que o conheceu ou que com ele partilhou uma geração. Professores, de hoje, daqueles que estão ainda nas escolas, contei quatro. Com duas escolas secundárias na cidade!!! Meu Deus! Onde pára a curiosidade, o desejo de saber mais, o gosto efectivo pela literatura?? Enfim...
Gostei de ouvir o Prof. Fernando Martinho. Gostei das divagações, do discurso solto, do estilo discursivo, da facilidade de relacionar ideias. Fiquei a achar que, como eu, prefere Torga a Régio (quantas vezes!) mas talvez não. Talvez tenha sido desejo meu sentir-me próxima da intelectualidade daquele homem de discurso solto que me cativou.
Depois, os poemas de Régio. Mal ditos. Sem força, sem intensidade, sem música. Detestei! Que mornice na Toada de Portalegre, que macieza desadequada no Cântico Negro, que monotonia no soneto de amor. Amanhã há mais Régio. No café, em tertúlia formalmente informal. Acho que não vou. Manhã de domingo é espaço MEU.
E, além disso, eu não gosto lá muito de Régio. Prefiro Vergílio Ferreira, Sophia de Mello Breyner, Aquilino Ribeiro. Torga sempre!

sexta-feira, novembro 02, 2007

Sinto um desejo absurdo de sofrer. Álvaro de Campos.
Sinto um desejo absurdo de morrer. Luísa Moreira
Ele, porque foi sem existir, não deve ter concretizado o desejo absurdo. Eu, porque existo, embora às vezes não perceba bem porquê, vou aguardando, com absurda impaciência por vezes, a concretização do meu desejo.
Hoje sinto assim. Estou assim. Sou assim.
Amanhã, talvez...

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