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quinta-feira, janeiro 27, 2005

"Então adeus! Boa viagem, diverte-te!" - E pronto, parte-se. O pior de partir é haver regresso. Bom seria partir e voltar diferente. Diferente mesmo! Não só com rugas a mais, fotografias, compras. Diferente na chegada. Concretizando os desejos da partida: - Bem dispostos, felizes!!
Queria partir, eu. Partir para um outro mundo, personalizado, cheio de afectos e sentires. Podia ir de avião. Ou de combóio mesmo, vagon-lit só para dois, paisagens velozes, olhares cheios de descobertas constantes, cafés quentes e chocolates para passar as tardes. As noites, espreitá-las da janela contando estrelas, desmentindo as verrugas que dizem nascer no nariz de quem aponta os sóis da noite.

quarta-feira, janeiro 26, 2005

O frio da rua, glaciar - dizem, derrete-se no gelo que me invade. Sinto que não percebo o que sinto, mas sinto que esse sentir me incomoda. Contradições.
Apetece-me o conforto quente, íntimo, da minha solidão e, simultaneamente, desejo o ombro presente sempre, o beijo a ferver, o abraço seguro. Sinto que não devia sentir o que sinto. Mas sinto.
Será do frio?

segunda-feira, janeiro 24, 2005

Diz-se que esta segunda-feira será o pior dia do ano. Que é propícia a depressões, azares, desgraças. Cá em casa começou bem: - Caíu um quadro da parede! agora precisava de quem o pregasse... Será por isso que há quem diga que um homem em casa faz muita falta?
Eu olho o lugar onde estava o quadro, um Arsénio da Ressurreição com uma rua de Portalegre, e não consigo deixar de pensar noutras paisagens lindas que já perdi, que os pregos com que tento segurar a felicidade ao mundo da minha alma-recordação não conseguiram segurar.

domingo, janeiro 23, 2005

Domingo com sol. Sem missa. A Natureza modifica-se, altera o ritmo.
O mundo parece-me irremediavelmente avariado, sem conserto, e eu tenho medo, susto, receio também. Agora, hoje, ontem, nem as palavras fazem sentido, até elas se vestiram de falsidade. Nesta barafunda, neste desnorte, Portugal desaparece. Eu tenho pena. Muita!

quinta-feira, janeiro 20, 2005

Há banalidades que fazem, apesar de tudo, sentido. Como dizer que há seres humanos difíceis de compreender, como afirmar que os Amigos estão sempre presentes, mesmo quando e se discordantes de atitudes nossas. Deve ser porque a vida é mesmo banal. Ou eu sou banal.

segunda-feira, janeiro 17, 2005

Apetece-me abrir as portas do sonho de par em par. Depois, entrar e trancar tudo a sete chaves. Cá fora ficaria a realidade, as saudades, as memórias, os impossíveis.
Apetece-me tanta coisa...
Porque será complicado dar resposta aos apetites?

sábado, janeiro 15, 2005

Saturday night fever. Acho que era assim que se chamava o filme que vi em Londres há quase vinte anos. Então, o actor dançava, seduzia e encantava a minha ainda bem viva fé na felicidade. Era o John Travolta, jovem também.
Hoje, nem sei se o actor ainda representa, se dança, se existe sequer.
Dos sábados à noite conheço muitas febres. Boas e más. Porque há febres boas. Aquelas que nos tornam indiferentes ao mundo, surdos aos outros, cegos aos problemas.
Este sábado sou eu quem tem febre. Da de verdade. De gripe incómoda.

quinta-feira, janeiro 13, 2005

É noite ainda lá fora. O locutor do RCP diz-me que são quatro e vinte e cinco e que, depressa, vai ser preciso receber o dia e ir trabalhar. Eu fui surpreendida por uma insónia chata e vim para aqui, para a janela que a tecnologia abre para um mundo cada vez mais louco.
Já estive a ver fotos de Veneza, de Paris, de Estocolmo. O desejo de fuga, talvez. Mas as cidades chegam-me vazias, cheias de imobilidade e perfeição que sei inexistentes. Devia ir dormir... Devia ser capaz de me enfiar no quente da minha cama e dormir, sem sonhos nem pesadelos, viajando apenas nos braços de Morfeu.
Vou tentar.

terça-feira, janeiro 11, 2005

Serão mesmo todos iguais? Maus? Desonestos, os políticos? Queria crer que não, mas a vida em Portugal, e no mundo também, insiste em provar que sim. Começo a ficar angustiada com a necessidade de ir votar.
Como? Em que alternativa? Deverei usar o "voto útil", negando a essência dele mesmo? Deverei votar em consciência, num projecto que defendo, com pessoas que condeno?
Vou ter de pensar bem...

segunda-feira, janeiro 10, 2005

Não entendo o meu país. Tenho pena dos meus jovens a quem a própria escola rouba o sonho, mata a alegria de aprender.
Tenho pena da incompreensão. Dos amigos que fogem, da solidão que fica...
Tenho muita pena!!
Mas dizem que "quem tem pena se depena" e eu não quero ser depenada.
Vou continuar a lutar. Contra a maré, embora.

domingo, janeiro 09, 2005

Voltei. O avião não caíu, não houve maremoto, voltei ao meu mundo, a este país sem rumo, ao quotidiano de coisa nenhuma.
À minha espera o sol frio, a seca incómoda, as maldadezinhas simultaneamente ridículas e profundas que fazem o meu dia a dia profissional.
Na ilha Terceira deixei uns dias bem vividos, a felicidade experimentada, o riso solto que julgava ter desaprendido.
Apetece-me já partir de novo. Para lá da linha do horizonte, para o lugar onde sonhar é possível, a cumplicidade acontece e o bem estar existe...

terça-feira, janeiro 04, 2005

Vou -me embora uns dias. Vou à procura, antecipadamente tarefa inglória, de paz e de tranquilidade. São só cinco dias, mas eu quero que sejam cinco dias bons. Diferentes! E vou disposta a puxar a vida pelas orelhas obrigando-a a cumprir-se, ao menos cinco dias..., ao meu gosto.
Ao mar vou confessar dúvidas e receios. No Algar do Carvão vou tentar abandonar uma mão-
-cheia de angústias. Nos Biscoitos vou deixar três sacos de lágrimas que não quero usar.
Domingo, provavelmente, estarei de volta.
Ou não.

domingo, janeiro 02, 2005

Só tem dois dias de vida e parece-me já excessivamente usado, este dois mil e cinco. Cheira a déjà vu! Para mudar qualquer coisa, em vez de chá verde comprei chá preto. Parece café, mas sabe a chá. É um paladar intenso, traz-me recordações e sentires aromatizados. Hoje, em vez de Veneza apetece-me Chester, a muralha larga, a casinha de chá servido por um avental redondo e imaculadamente branco. A acompanhar uma mão forte nos joelhos e scones carregadinhos de manteiga. Quero lá saber das calorias! Nos sonhos não faço dieta!!

sábado, janeiro 01, 2005

Já é ano novo - 2005. Está tudo estupidamente igual, exceptuando algumas ressacas, e o mundo não mudou. Eu mudei. Passei uma noite de memórias, vi o tempo passar, desfiei memórias, espreitei o abismo.
É Ano Novo!

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