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quarta-feira, março 28, 2007

Nos últimos meses, talvez desde Outubro de 2006, Portugal foi confrontado com a presença assídua do Dr. Oliveira Salazar. Começou com o facto do seu nome surgir na lista dos 100 melhores portugueses, continuou com a polémica gerada em torno do Museu de Santa Comba Dão, e passou por uma série de livros sobre a figura que personifica a mais longa ditadura europeia.
Salazar aparece agora como uma figura humana, ou humanizada. Felícia Cabrita, na obra “Os Amores de Salazar”, torna-o um homem que gosta de mulheres, destrói a ideia de um homem casto e virgem, traz à luz um homem com afectos, paixões, relações até intensas. Por outro lado, Fernando Dacosta, em “As Máscaras de Salazar”, vem desfazer mitos, afinal nunca o ditador terá caído da cadeira, e revelar um percurso de um estadista com ideias para Portugal. Vieram ainda a lume “As Vítimas de Salazar”, lembrando a PIDE, o horror da falta de liberdade, as torturas, a censura, o lápis azul, as perseguições.
Deve ser assim, penso, que se faz a História: - Investigando, comparando factos, analisando o passado com a objectividade que a distanciação temporal permite.
Seria, por certo, um trabalho curioso, útil, importante, se não fosse o que, penso, pode estar por detrás de tudo isto, ou a que tudo isto pode conduzir...
Não há dúvida que Salazar foi um ditador. O Tarrafal está aí para contar memórias, as perseguições e a falta de liberdade que Portugal viveu durante mais de 40 anos não podem ser negadas.
Ainda que, no recôndito da alcova, Salazar tivesse sido um homem meigo e terno, na vida social e política foi um ditador que atentou, sem nenhum pudor, contra a vida de milhares de portugueses que ousavam pensar. Se assim foi de facto, e creio que foi mesmo, só há uma razão para que os portugueses o incluam, a par com a figura de Cunhal, na lista dos 100 melhores portugueses de sempre: - Portugal não gosta da Liberdade, os portugueses não gostam de poder pensar, preferem obedecer! E isto é tão mais dramático quando se olha o mundo de hoje e se começa a perceber que há jovens neo-nazis, que há quem coloque Fernando Pessoa e Camões ao lado de Cunhal ou Salazar!!
Desde o início me pareceu que o programa da Dona Elisa era uma perfeita estupidez. Porque não tinha critérios, porque cabia lá tudo, porque não faz sentido elencar os cem melhores sem referências temporais, sociais, etc. Agora que chegou ao fim o maldito programa já penso que, se calhar, o programa não era só estúpido, era também uma forma de perceber que:
Portugal ainda não aprendeu o sabor da Liberdade
Que os portugueses gostam de ditadores
Que a Revolução dos Cravos, feita há mais de 30 anos!, não cumpriu o seu objectivo principal: - Não ensinou a Portugal o valor da Democracia!!

Como portuguesa, e ainda por cima gostando da minha identidade, envergonha-me que Salazar tenha sido escolhido o melhor português de sempre. Humilha-me, revolta-me. A única consolação (???) foi ter vencido Álvaro Cunhal!!!

domingo, março 25, 2007

Tornaram-se independentes, libertinas mesmo, e correram em cascata inundando-me o rosto. Foi uma tendinite brutal, a doer ainda, que deu às minhas lágrimas o direito à libertinagem! Dor intensa, insuportável, comprimidos, injecções, desejo absurdo de morrer! Nunca tinha vivido uma dor física assim! Das morais, das que causam a desilusão e a mágoa, conheço a intensidade máxima. Das físicas, fiquei a conhecer. Tenho o braço preso, ligado, dores do ombro ao pulso, mal-estar, desejo de desaparecer!
Para complicar, o meu mundo de cabeça ao contrário: O CDS a desmoronar-se, a Escola a falhar, a Primavera a chegar com desejo de casaco de peles...

quarta-feira, março 21, 2007

Era uma Marcha Solidária. Vamos mexer-nos para ajudar, era o desafio. Veio de longe, dos Médicos do Mundo, lembrando Moçambique, país onde ainda se fala português, onde existem senhores Oliveiras, donas Marias de Fátima, gente que gosta de pão e lembra Portugal.
Falei aos meus alunos da solidariedade. Disse-lhes que se faz, não se apregoa, que não dói nada, que ajuda a crescer, que nos transforma em melhores pessoas. Disse-lhes que o mundo se constrói com as nossas mãos, os sorrisos, os olhares, as lágrimas também.
Hoje, às dez da manhã, mais de duas centenas de gente jovem compareceu. Gritaram Moçambique, pediram nas ruas lembrando a causa, juntaram 675 euros.
Entretanto, os adultos, os professores, aqueles que devem ajudar a formar Pessoas, marcaram pela ausência. Eramos quatro adultos! Quatro! Numa escola com cerca de 90 professores.
Como se não bastasse, houve quem impedisse os alunos de participar, dando aulas, marcando faltas. Como se a sala de aula fosse o espaço privilegiado de aprendizagem... Coitados...
Se fosse há uns anos, estaria furiosa e revoltada. Hoje não. Triste apenas, desiludida, com medo do futuro desta juventude que não deixam ser humana.
A Escola não pode ser isto...

terça-feira, março 20, 2007

Cansaço estranho quando os sonhos se esboroam na dureza do real-concreto. Projectos de construir diferenças, tecer sonhos, que se tornam impossíveis porque a realidade não se compadece do sonho! Que irritação!

domingo, março 18, 2007

Sol. Espirros, comichões, tosse, lágrimas injustificadas. Chegaram as alergias pela mão da Primavera... Porque será que o corpo reage mal ao que é lindo e bom??

quarta-feira, março 14, 2007

Metade da minha alma é maresia. Dizia Sophia, a minha poetisa de eleição. Eu, aqui no fundo do Alentejo, rodeada de serra, ouvindo os cães e sorrindo ao meu amigo pardal, sinto que metade da minha alma é desilusão. A outra metade, recordação.

terça-feira, março 13, 2007

Eu te amo. E era a meio da manhã, num café, mexendo a bica na chávena branca que lá se chama xícara. Novela. E eu, prosaica e conscientemente solitária, a olhar as páginas da vida desejando, também, um eu te amo a meio da manhã. Ou da tarde, da noite que fosse. O desejo intenso de descansar das maldadezinhas, dos ódios, das raivas que fazem rugas e enchem a alma de poeira incómoda.
Ainda bem que há novela. Graças a Deus há faz de conta!

segunda-feira, março 12, 2007

O mundo gira ao contrário. E não é poesia, é a realidade mesmo!
O CDS, o Partido de Direita, continua a dar tristes espectáculos que em nada o dignificam. Eu irrito-me! Não por ser do CDS, que não sou, mas por acreditar, de verdade, que só uma política assente em ideais de Direita, privilegiando o indivíduo, apoiando as diferenças, respeitando o privado, pode ajudar a fazer o mundo mudar. Mas assim, com a mediocridade que domina da direita à extrema-esquerda, o futuro está muito comprometido!
Este Portugal é um circo onde nem os palhaços são autênticos...

sexta-feira, março 09, 2007

A senhora veio de fora - o que vem de fora é bom! - e trazia uma encomenda a cumprir: Como formar leitores?. Os professores, decerto seguros na sua completa sapiência, ou ignorância mesmo, não apareceram. É sempre assim. Sabem tudo, não precisam de conversar, de ouvir, de trocar experiências. A senhora esforçou-se e as palavras ganharam sentido(s).
Houve momentos ricos, cumplicidades, aprendizagens de saber fazer. Só não se aprendeu a formar leitores... Mas eu sei como! E não digo!

Bem cedo, madrugada ainda, fui conversar com o Fred, mimar a Ginja. O sobreiro, com ciúmes talvez, sacudiu-se violentamente e encharcou-me. Voltou a gripe...
E com ela chegou de novo um emaranhado intenso nos sentires. Pontas de solidão, cruzadas com memórias mil, atadas a desejos fortes.
Nem a aspirina, sequer o sinutab, menos ainda o ben-u-ron foram eficazes no destruir da teia que me amarra.

quinta-feira, março 08, 2007

Dia da Mulher! Que estupidez, que humilhação! À porta do supermercado, a Junta, a que é da Freguesia também..., oferece flores. As senhoras, ou mulheres?, aceitam a agradecem. À noite elas vão sair com amigas, beber copos à homem, assistir a sessões de streap tease masculino que por aí proliferam. Degradante! Básico! Estúpido! Revoltante! Se há dias estupidamente idiotas, este é o campeão!
Para mim, que bom haver privilégios!!, o dia foi diferente.
Um homem especial, único, mandou-me, com um beijo, a visita de Camões:

Quem vê, Senhora, claro e manifesto
O lindo ser de vossos olhos belos,
Se não perder de vista só em vê-los,
Já não paga o que deve a vosso gesto.

Este me parecia preço honesto;
Mas eu, por de vantagem merecê-los,
Dei mais a vida e alma por querê-los,
Donde já não me fica mais de resto.

Assim que a vida e alma e esperança,
E tudo quanto tenho, tudo é vosso,
E o proveito disso eu só o levo.

Porque é tamanha bem-aventurança,
O dar-vos quanto tenho e quanto posso
Que, quanto mais vos pago, mais vos devo.

Com o Soneto, com o beijo que sei ser de verdade, este estúpido dia fez-se notar em mim.
Porque a Vida, a que é a sério, só faz sentido na exclusividade!

domingo, março 04, 2007

Tem o papo amarelo, gordo e luzidio. O bico é cinzento, como as asas, e as patitas beiges. É muito atrevido o meu novo amigo! Todas as manhãs, pelas seis e meia, começa a dar bicadas na minha janela insistindo para que me levante. Gorgeia, bica, bate as asas, só sossega quando eu salto da cama e o cumprimento. O meu pardalito também me faz companhia enquanto teclo no computador.
Acho fantástica a ousadia com que ele bate na minha vidraça, exigindo a minha atenção, perguntando que raio de vida é a minha que tanto bato nesta coisa esquisita. Às vezes, ponho grãos de arroz e migalhinhas de bolo no parapeito. Mas o meu amigo não é interesseiro, não liga nenhuma. Pelo contrário, os melros gordos voam mais alto e limpam tudo. Só que os melros não gostam de conversa nem são curiosos. São só comilões.
Ele não. Ele provoca-me, faz piruetas, faz o pino voando, obriga-me a lembrar que a vida nem sempre é completamente sem sentido...

sexta-feira, março 02, 2007

Fiz anos! Ou melhor, passou mais um ano sobre a data do meu nascimento, embora não tenha havido dia... 29 de Fevereiro. Que sorte, só fazes anos de quatro em quatro anos! ou que azar, que até o dia de anos a vida me roubou.
Bom, a vida até foi honesta. Bem cedo, logo ao nascer, deixou claro que as coisas não iam ser fáceis: - Nascer a 29 de Fevereiro, em terça-feira de Carnaval, em Lisboa (eu que respiro Portalegre), ser natural "da freguesia de São Sebastião da Pedreira", (eu que tanto gosto da individualidade, registada na freguesia de mais de metade dos lisboetas)...
Mas, ou fosse que eu era ingénua, ou desatenta, ou apenas que não ligasse ao Fado, nunca me convenci que estas desfeitas não se ficassem por coisa nenhuma... Enfim, nada a fazer.
Passou um ano, já tenho 47 invernos (primaveras? Fazem-me espirrar) e desta vez, mesmo sem dia, recebi um presente lido!
Bem, verdade mesmo recebi muitos. Lindos todos! O Alentejo Blue, o colar de contas de Viana, as roupas giríssima, a caneta-pimento para o frigorífico, um ramo de rosas vermelhas, cartões garantindo ternura. Mas um marcou-me: Os meus alunos escreveram-me uma coisa/texto que me deixou orgulhosa, comovida, vaidosa também. Ainda que seja mentira, soube-me muito bem...
Vai ficar aqui. Para eu reler:
PARABÉNS PROFESSORA!

OITO disciplinas! OITO professores! UMA única verdadeira professora que, com a sua natural tendência para sair da órbita do ensino monótono, faz da sua disciplina um centro de boa disposição e alegria, sem, por um único momento, deixar de transmitir aos alunos a principal mensagem da dita disciplina! É à professora Luísa Moreira, a nossa professora português, que nos referimos com sincero orgulho! É a ela, que nos fez entender que o português é uma língua fenomenal, que nos incentiva todos os dias a imortalizar este idioma, que nos explica que mais importante do que saber de cor é, simplesmente, saber falar e brincar com as palavras, que nos referimos hoje.
Temos a noção de que a missão ainda não está cumprida, e a certeza de que muito mais cresceremos nas suas mãos! E é a esta Senhora, que hoje completa mais um aniversário, que queremos dar os parabéns e desejar, do fundo do coração, que mais vezes possamos festejar, esperando que este ano nunca seja esquecido! Em nome do 10ºano, Querida Professora Luísa: MUITOS PARABÉNS! ADORAMO-LA!

Eu também os adoro! E sonho ser capaz de os ajudar a crescer melhores pessoas, cidadãos responsáveis, humanos ternos e verdadeiros. Vamos ser cúmplices neste fazer-crescer...


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