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domingo, março 14, 2004

QUANDO SE ESGOTAM AS PALAVRAS
Às vezes as palavras não chegam, não são suficientemente fortes, intensas... Há situações tão terríveis, cruéis, que não sou capaz de as definir, de as caracterizar, porque nem a capacidade humana inventou formas de dizer tais horrores.
É o que experimento sempre que assisto a situações que ameaçam e destroem a vida. Foi o que senti perante o atentado em Madrid, o mesmo que vivi quando aconteceu o ataque às Twin Towers, em Nova Iorque. Não adianta dizer que quem comete tais atrocidades é cobarde, criminoso, louco, animal. Não adianta porque, simplesmente, essas pessoas não têm capacidade para ouvir e, menos ainda, para sentir. Em causa está ódio, seja lá sob que máscara for, e vontade de matar.
O problema agora, para além do auxílio às vítimas, da solidariedade que todo o mundo manifestou, está em encontrarmos uma forma de combater estes criminosos sem rosto. Todos somos alvos, tudo pode acontecer, nunca saímos de casa sem temermos não voltar... Há uns dias, alguém dizia que esta é a verdadeira terceira guerra mundial, que a ameaça maior não são as armas nucleares, mas sim o terrorismo. Penso que é pior ainda. O terrorismo é pior do que a guerra porque não tem rosto, porque não tem um inimigo definido. Na guerra há opositores, há campos diferentes, há, se assim podemos dizer, códigos que se respeitam. Para os terroristas não há nada! Não temem a morte, são por vezes suicidas, não respeitam nem as crianças, não querem saber de responsáveis ou inocentes: - MATAR é a palavra de ordem e actuam sem olhar a meios.
Hoje, século XXI, o mundo moderno vive sob o medo, o pavor.
O que fazer? É preciso, e como me sinto utópica a escrever isto..., é preciso sermos heróis todos os dias e continuarmos a usar comboios, aviões, metros, autocarros. É preciso arranjar forças para ir todas as manhãs para a vida, para o trabalho, mesmo que levemos o coração encolhido e a tremer.
Madrid viu o horror. Mas viu também a humanidade a reagir, as ruas a encherem-se, as pessoas a juntarem-se contra o terror. No entanto, contra todas as expectativas, a Espanha viu os socialistas voltarem ao poder depois de anos no caminho do desenvolvimento pela mão de José Maria Aznar. Fará sentido culpar um democrata, um lutador, um homem de coragem, pela existência de fanáticos assassinos? Não creio. Na minha opinião, o medo dominou a razão dos espanhóis e por isso votaram no PSOE. Escolheram o medo...
Eu tenho medo também. Medo de atentados em Portugal, em França, seja onde for. Tenho medo da morte, da dor, da injustiça. Quero, quero muito, esforçar-me para acreditar que tudo vai melhorar, que a democracia e a liberdade vão vencer, mas não sou capaz. Vejo na televisão os espanhóis que choram, os pais que procuram os filhos, os filhos que querem encontrar os pais e choro com todos eles. Também eu sou mãe, filha, mulher, pessoa. Também eu sou um alvo para os terroristas. Como você!
Mas, perante isto tudo, só tenho uma certeza: - Farei tudo o que puder para ajudar a democracia a vingar, para fazer a Liberdade existir!

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