quinta-feira, junho 03, 2004
É cedo. Muito cedo. O sono foi embora e deixou-me acordada para o sol que se espreguiça, para os melros que saltitam, estremunhados, entre uma bicada nas cerejas e uma ternura no ninho. Levantei-me e vim procurar a minha janela. Oiço o Represas que canta que "não existe mundo lá fora"; fala de uma próxima vez, se houver, e eu sinto que gostava muito que houvesse. Sinto, também, que chega de condicionais, que este tempo não permite mais "um dia", que o agora é já ontem. É uma sensação estranha. Uma desilusão, misturada de alívio, um medo-receio vestido de esperança que sei não existente.
O Represas continua. Gosto da voz dele, portuguesa, quente.
O Represas continua. Gosto da voz dele, portuguesa, quente.
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