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sábado, agosto 21, 2004

Tenho um buraco imenso na alma. É um buraco negro, como todos os buracos fundos, mas que tem bordas largas, quase margens de um rio feito poço. No buraco tento enfiar o que me aflige, ou aquilo que já não cabe na cabeça, que transborda dos sentires e exige, vezes demais!, aspirinas aos pares: - O amor, o Santana Lopes e as nomeações sem fim, o novo ano escolar a começar mal, a insegurança, a cama fria e larga onde durmo, os sonhos que me fazem pesadelar, as crianças (minhas!) que insistem em crescer depressa demais, o tempo adiado que nunca chega.
Hoje, porque tinha tempo livre, tentei arrumar um pouco o meu buraco, pôr ordem nalgumas das mil coisas que lá vou metendo. Puxei sem ver o quê e, por azar?, fiquei com o olhar cheio de saudades, os sentires embrulhados em recordações que nem sequer traziam teias de aranhas! Sacudi-as com pouca força e fiquei a desfiá-las. Pensei eliminá-las, fazer um delete no meu buraco negro e fundo, mas não fui capaz. É que, tantas vezes!!, ainda é ao buraco negro que vou buscar energia. Sabe-me bem ficar sentada nas margens, com as pernas para o lado do abismo, puxando algumas das mil coisas e saboreando a sua companhia.
Hoje, ou ontem, ou amanhã, tanto faz, é só um hoje comprido para servir o agora-vida minha, os abismos dos buracos negros são quase tranquilizadores...

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