terça-feira, dezembro 28, 2004
Não sou grande adepta da língua inglesa. Muitas vezes, brincando a sério, digo aos meus alunos que é uma língua de origem bárbara, fingindo, nesses momentos, ignorar as barbáries de romanos e gregos... Mas hoje deu-me para pensar que, das línguas que conheço, só os ingleses conseguiram dar o devido destaque à impossibilidade de se ser o outro! Ou seja, quando eles dizem "if I were you..." excluem, imediatamente, a hipótese de o serem de facto. Nós, povos de língua românica, pelo contrário, usamos e abusamos do "se eu fosse tu..." ou "se eu fosse ele" ou "se eu fosse a vocês" num constante hábito de julgar e condenar os outros. É tão fácil entrar no faz de conta que somos o outro. É tão bom poder dizer "eu faria; eu diria; eu decidiria (...)". Vestimos uma capa de todos poderosos, ficamos cheios de certezas, descarregamos sobre o outro a nossa certeza e convicção, fundadas na impossibilidade de viver experiência alheia, e disparamos. Lindo!
Pois é, hoje gosto da língua inglesa. Porque assume a impossibilidade que, para nós, parece ser uma realidade: - Ser o outro!
Seria bom, penso, que no próximo ano aprendessemos um pouco com os ilhéus da Grã-Bretanha e deixassemos de abusar deste hábito, muitas vezes doloroso para o outro, de condenar e julgar o próximo.
Pois é, hoje gosto da língua inglesa. Porque assume a impossibilidade que, para nós, parece ser uma realidade: - Ser o outro!
Seria bom, penso, que no próximo ano aprendessemos um pouco com os ilhéus da Grã-Bretanha e deixassemos de abusar deste hábito, muitas vezes doloroso para o outro, de condenar e julgar o próximo.
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