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terça-feira, março 08, 2005

Ele telefonou e o encontro aconteceu. Ela olhou-se duas vezes, ignorou as rugas, esticou-se nos saltos, escovou o cabelo e alinhou no convite. Sairam de casa procurando assunto. O que os unia? Pouco. Duas solidões a desencantarem-se, um jantar num sítio tranquilo, boa conversa, o pretexto de um dia diferente - da Mulher. Dela. E ela troçava dos dias, recusava felicidade ou atenção com data assinalada no calendário. Mas aceitara. Porque lhe apetecia a companhia, a diversão, porque ecoava insistentemente no seu coração, ou na cabeça?, uma melodia qualquer que repetia :"I wish you were here".
Foram os dois no carro que marcava, ele garantia!, "4º graus na rua e 22º cá dentro". A temperatura dela era outra.
O champanhe regou a conversa, oleou a alma, anestesiou os sentires, fez correr o desejo. Do arranjo da mesa ele arrancou uma flor, gerbera amarela, e disse "É para ti!". Ela não lhe contou que sentira um cheiro intenso a canela, a magia, a exotismo, a encantamento de um outro momento em que ele não estivera... Aceitou a flor, brincou com ela como lhe apetecia brincar com a vida.
Eram dois amigos. Muito amigos. À noite abraçaram-se, sentiram-se, indiferentes às recordações de grandes amores que insistam em espreitá-los.
Era o Dia da Mulher que, para ela, fez sentido na Noite da Mulher. Com uma gerbera, apenas.

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