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sábado, abril 23, 2005

Ela ficou sozinha. Não lhe apetecia ligar o computador, a televisão tampouco. Queria o silêncio mesmo, vazio, apenas com a luzinha da sala acesa, com o tamborilar da chuva tardia na janela. Enroscou-se no sofá, cobriu-se com a manta de quadrados azuis e fechou os olhos. Como queria fechar a vida, impedir o tempo de passar. Incómodas, as preocupações, as ansiedades, insistiam em desfilar no écran escuro do seu pensar. Agora ela desejava um comando para fazer zapping nos sentires. Ou, simplesmente, para os desligar. Abriu os olhos. Mas eles, os sentires-emoções-ansiedades, continuavam ali, presentes. Abusivamente presentes...
Sem comando eficaz, ajeitou a manta de quadrados. Era a vida a fazer-se sentir. Mas seria preciso fazê-lo vestida de um cinzentismo tão escuro? Porque não lhe aparecia vermelha de paixão, verde de esperança, amarela de luz, branca de paz, castanha de chocolate, azul de desejo? Levantou-se. Chovia ainda e nem sequer lá fora havia arco íris.

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