quarta-feira, maio 10, 2006
Cesário Verde falava de Lisboa. O cheiro do peixe, as vozes das varinas, os saltos dos carpinteiros nos andaimes, o sol quase a deitar-se, as Avé-Marias tocando, entravam na minha sala de aula para pintar quadros de essências. Mas só eu dava por isso! À minha volta, cabeças de 16 e 17 anos, gente crescida? gente com sonhos?, ria sem sentir nada, gargalhava a própria idiotice, guinchava a banalidade da ignorância.
Então saí. Virei costas à insuportável estupidez, fechei a porta à vulgaridade e vim embora. Foi a primeira vez. A primeira vez, em 25 anos da vida de professora!, que fechei a porta da sala trancando a alma a sete chaves.
E agora? Agora... Como gerir a magoada desilusão, a profissional tristeza, a social frustração?
Tenho a alma amarga. Tenho a garganta a doer e os olhos em brasa.
Um dia, alguém inventou a expressão deitar pérolas a porcos. Hoje, eu sinto que se acabaram as pérolas. Ficaram, apenas, os porcos...
Então saí. Virei costas à insuportável estupidez, fechei a porta à vulgaridade e vim embora. Foi a primeira vez. A primeira vez, em 25 anos da vida de professora!, que fechei a porta da sala trancando a alma a sete chaves.
E agora? Agora... Como gerir a magoada desilusão, a profissional tristeza, a social frustração?
Tenho a alma amarga. Tenho a garganta a doer e os olhos em brasa.
Um dia, alguém inventou a expressão deitar pérolas a porcos. Hoje, eu sinto que se acabaram as pérolas. Ficaram, apenas, os porcos...
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