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quarta-feira, agosto 30, 2006

Os mais pequenos dividem-se entre a ansiedade e o receio. Em casa ouvem falar de mudanças, de realidades que desconhecem, de vidas diferentes. É a Escola! Vão começar a aprender, vão – a acreditar no adultos -, ter de trabalhar muito, de se portarem bem, de trazer trabalho para casa e de obedecer aos professores. Quando há irmãos mais velhos, a ansiedade faz-se medo. Vão sofrer, os professores são pintados de feras e a escola surge como o ponto final, que desconhecem, na infância. Os mais sortudos, têm pais atentos que desdramatizam, falam de histórias a aprender, de números de contar, de centímetros a crescer e de sonhos a ganhar. Os miúdos vão às compras. São os livros – atenção, não se podem riscar! -, as canetas, os lápis, as afiadeiras, as borrachas coloridas e cheirosas, o estojo do Noddy ou da Barbie, a mochila com rodinhas porque o conhecimento pesa demais para as costas de seis e sete anos. Em casa, o balde e a pá da praia estão arrumados e é preciso começar a acalmar os ânimos, a preparar a cabeça para o muito que há para aprender.
Com os mais velhos, as coisas correm de outra forma mas, confessada ou mal disfarçada, a ansiedade faz-se presente. Para muitos que concluíram o terceiro ciclo é tempo de grandes mudanças: - nova escola, espaço diferente, outros professores e o secundário a surgir vestido de uma seriedade que não compreendem. Tudo vai ser diferente, ouvem. O secundário é só para quem quer. Agora, ninguém vai andar a fazer-te estudar. Curiosamente, são os bons alunos quem mais se amedronta com as parangonas pedagógicas. Para os outros, tanto faz… Para quem não estuda, para aqueles que a Escola nunca conseguiu cativar, para os outros que a rejeitam, o ano não interessa, o vazio é o mesmo de sempre. Mas os que têm sonhos, e são muitos!, vivem com apreensão o fim de Agosto, o princípio de Setembro. Vão às livrarias, carregam os livros e ouvem a reclamação familiar sobre o custo dos mesmos. Os manuais escolares são um rombo nos magros orçamentos das famílias portuguesas e, frequentemente, atira-se para cima dos jovens estudantes a responsabilidade:”Pagamos uma data de dinheiro, fazemos muitos sacrifícios, vê lá se correspondes” Como se deles, exclusivamente, dependesse o sucesso da escolaridade…
Do outro lado do cenário está a Escola, o sistema. Muitas vezes, penso que cada vez mais, a Escola não responde às expectativas dos alunos e, o que é muito pior, não se compadece dos seus sonhos.
Na Escola portuguesa continua-se a privilegiar, quanto a mim erradamente, a aquisição de saberes teóricos, a repetição de saberes, em vez de, como me parece fazer muito mais sentido no mundo actual, se privilegiar o gosto pelo saber, os hábitos culturais, as técnicas de pesquisa, as técnicas de realização de projectos. A Escola portuguesa do século XXI continua a sentar os meninos em fila, a pedir-lhes que reproduzam saberes, a avaliá-los essencialmente pelo produto e não pelo processo. A Escola de hoje, no meu país tão dolorosamente amado, não está a ajudar os portugueses a aproximarem-se do desenvolvimento dos outros parceiros europeus mas está, sob máscaras de inovação mal amanhada, a reproduzir modelos completamente fora de moda! Para a Escola lusa do séc. XXI inovação e modernidade parece ser apenas sinónimo de utilização de computadores e Internet… É excessiva e dolorosamente pouco!!
Os jovens que, muito em breve, vão voltar às salas de aula, vão, na sua maioria, ser treinados para manterem o modelo social que os seus próprios treinadores criticam e que eles rejeitam.
E podia ser diferente?
Claro que podia!
E não era difícil, não era sequer mais caro. Bastava, creio, lembrarmo-nos que as fadas também vão à escola e que não há maior roubo do que o dos sonhos por viver…

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