domingo, outubro 29, 2006
Fui à Jacinta. O espaço é novo, moderno, confortável. À minha volta, olhares de Portalegre, rostos conhecidos, amigos alguns. Instalei-me na segunda fila e fechei os olhos. Ao ritmo do jazz, na companhia da voz forte da Jacinta, ouvindo o piano e a bateria ao longe, sentindo perto o trompete, viajei. Andei por Nova Iorque. Nevava. Os meus pés, as botas de sola grossa, deixavam marcas fundas no chão e os esquilos surpreendiam-se à minha passagem. Era eu-não-sendo. O fantasma construído por farrapos de sonho, a mulher só que caminhava sempre. Havia fumo, poluição, mas a neve surgia incrivelmente branca e fofa. Eu andava ainda, cheirando o frio intenso untado com fumos oleosos de mil carros apressados. Não tinha pressa, eu.
Comigo, Álvaro de Campos, passadas largas que com dificuldade acompanhava. Nova Iorque não é o centro do mundo, garantia. E eu sorria. Porque eu sabia que o centro do mundo não está em lado nenhum, precisamente por estar em todo o lado.
Sentámo-nos e ele ofereceu-me o cachimbo e o ópio. Para quê? Se a vida me inebria o suficiente? Recusei. Pedi-lhe que ouvisse a Jacinta, que se deixasse levar comigo, mas garantiu-me, estranhamente pragmático, que Nova Iorque não é Nova Orleães. Encostei-me melhor a ele, sentia frio. O sobretudo cinzento do homem era gelado, o frio não cedeu. Continuei por isso caminhando, deixando-o a protestar. Não, a Jacinta não me permitia ser cúmplice de protestos , ainda que os mesmos fossem cruelmente justos.
As palmas devolveram-me o Centro de Artes do Espectáculo de Portalegre. Lá estava ela, despenteada, brilhante, agradecendo. Saí na turba. Paguei o parque, subi a serra e recusei a boléia que Álvaro de Campos me pediu.
Enfiei-me na cama sozinha. Quente. A noite prenha de um dia de calor ficou lá fora. Liguei o ar condicionado bendizendo as modernas comodidades e adormeci confortada.
Comigo, Álvaro de Campos, passadas largas que com dificuldade acompanhava. Nova Iorque não é o centro do mundo, garantia. E eu sorria. Porque eu sabia que o centro do mundo não está em lado nenhum, precisamente por estar em todo o lado.
Sentámo-nos e ele ofereceu-me o cachimbo e o ópio. Para quê? Se a vida me inebria o suficiente? Recusei. Pedi-lhe que ouvisse a Jacinta, que se deixasse levar comigo, mas garantiu-me, estranhamente pragmático, que Nova Iorque não é Nova Orleães. Encostei-me melhor a ele, sentia frio. O sobretudo cinzento do homem era gelado, o frio não cedeu. Continuei por isso caminhando, deixando-o a protestar. Não, a Jacinta não me permitia ser cúmplice de protestos , ainda que os mesmos fossem cruelmente justos.
As palmas devolveram-me o Centro de Artes do Espectáculo de Portalegre. Lá estava ela, despenteada, brilhante, agradecendo. Saí na turba. Paguei o parque, subi a serra e recusei a boléia que Álvaro de Campos me pediu.
Enfiei-me na cama sozinha. Quente. A noite prenha de um dia de calor ficou lá fora. Liguei o ar condicionado bendizendo as modernas comodidades e adormeci confortada.
Comments:
É... e deixou-me na praça pendurada, algo que nem combinámos a beber do chamapanhe sozinha, enquando subia a Serra.
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