<$BlogRSDUrl$>

terça-feira, agosto 14, 2007

Deixo-me levar, fecho os olhos e sinto as ondas que me empurram. Por forças marinhas, quero crer que com a ajuda das sereias, sou levada para a praia. A minha praia. Aqui não há outros, nem guarda-sóis, tampouco toldos para alugar ou miúdos bronzeados de apito ao pescoço e olhares nos rabos nus. Aliás, aqui não há rabos. Nem nus, nem vestidos.
Nesta praia há espaço, cheiro intenso a maresia, vento calmo e fresco que me afaga o corpo. Olho as marcas do sal no fato de banho preto, na pele bronzeada, e comparo-as com as marcas sentidas na alma. Hummm... muito inofensivas. O sal vai sair no duche da noite, as outras manchas vão ficar, esbatidas sob o abraço que desejo, intensas face à ausência real. Com calma, caminho à beira-mar, - não vás ao mar Tóino, que o mar ‘tá bravo Tóino -, as memórias de outras praias fazendo-me companhia. Então, era miúda e a minha mãe ensinava-nos as cantigas antigas – o mar enrola na areia, ninguém sabe o que ele diz – e eu a saber que ele diz presente. Que existe. E que é masculino e beija, docemente, a areia fina, ela feminina.
Na minha praia é assim. O sonho é real, a água calma, os outros não estão e a caipirinha surge, fresca, quase-quase na chegada do ponto verde!

Comments: Enviar um comentário

This page is powered by Blogger. Isn't yours?

immediately after the BlogItemCommentsEnabled code within the tags. links to this post