segunda-feira, setembro 17, 2007
Quantos serão os outros de cada outro com que me cruzo? Se eu sou muitas, com diferentes posturas que moldo à expressão conveniente, quantos serão os outros de cada outro que julgo conhecer? Será que alguma vez saberei caracterizar a identidade de cada um daqueles que identifico pelo nome? Teremos de viver condenados a satisfazer-nos com a produção que cada outro (feito eu então) nos quer impingir? Sendo assim, as desilusões com o outro são muito menos dolorosas porque, enfim, há sempre a hipótese de ter sido a nossa percepção que se enganou... Daquele estafermo que nos irrita estar, apenas, a desempenhar um mau papel, a produzir uma má imagem!
Será que eu, que tanto me desiludo com outros, deixo alguém conhecer o meu eu mais íntimo? Aquele com quem desfio memórias, ouso dizer palavrões (sei poucos), partilho inconfessáveis? julgo que não... E sinto-me culpada por isso. Triste também. Apetecia-me poder ser eu-inteira-verdadeira-una, com um tu-uno-verdadeiro também. Sonhos impossíveis? Sou expert nisso. Creio até poder ser titular nessa escola de existências...
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