quarta-feira, setembro 26, 2007
Recentemente, em Itália, uma artista anoréctica despiu-se numa campanha de moda. Aparentemente, parece ser um paradoxo mas, por detrás das aparências, há uma intenção válida: - Alertar os jovens, e alguns adultos também, para o perigo que representam as dietas exageradas e a magreza extrema. Acho uma hipocrisia falar-se de anorexia como sendo um problema dos jovens, sem assumirmos que nós, adultos, abrimos caminho para ele. Somos nós que educamos, que transmitimos referências e valores, que, pelo menos teoricamente, ajudamos a construir a sociedade que integramos. E somos nós, todos, que valorizamos excessivamente a imagem, que defendemos, ainda que por vezes inconscientemente, a importância do parecer sobre o ser! A anorexia é, claro, uma doença. Mas é, também, um reflexo social e um produto da educação de hoje em dia! Claro que eu sei, e sei porque sinto na pele, que os tempos estão difíceis, que andamos sempre a correr, que o tempo não chega, que também precisamos de ter os nossos momentos de lazer e sossego. Mas isso não pode ser motivo, ou não deve, para descurarmos o que, para mim, deve ser a base de uma sociedade humanizada: - o convívio entre os amigos, entre as diferentes gerações, entre pais e filhos!
Aquela rapariga horrível, escanzelada, com os ossos a furarem-lhe a pele, impressionou-me. Podia ser a minha filha, pensei. Podia ser uma aluna minha! E não tenho conseguido dormir desde que vi o cartaz. Apetecia-me, sinceramente, ser capaz de poder fazer alguma coisa para ajudar a parar com uma doença tão estupidamente cruel como esta. Apetecia-me poder dizer a todas as miúdas, porque são elas as principais vítimas, que não é preciso ser-se esquelética para se ser feliz, que não é preciso caber no número 32 para se ser gira! Queria ser capaz de lhes dizer que aquele sorriso franco que faz brilhar o olhar, que aquela gargalhada estridente que faz virar cabeças num café apinhado, que aquele passo firme que faz parar o trânsito, que aquela vontade de ajudar o mundo a melhorar com energia de verdade, são muito mais importantes do que a figura tábua rasa que o espelho, por vezes, recusa devolver… Mas penso em tudo isto e esbarro com a minha incongruência! Se também eu tento ser menos gorda, também eu me irrito quando o espelho denuncia larguras excessivas…
Sinto a alma apertada, as garras da angústia a sufocar-me quando me vejo forçada a confessar que não sei como fazer para, efectivamente, mudar a sociedade e o culto doentio da imagem. A minha proposta, deformação profissional talvez, vai para a educação. Era preciso que a Escola educasse para outra realidade. Mas era também preciso que os grandes criadores de moda mudassem de paradigmas e que os Media compreendessem que, para além do sensacionalismo da doença, há seres humanos a sofrer. E muito!
Aquela rapariga horrível, escanzelada, com os ossos a furarem-lhe a pele, impressionou-me. Podia ser a minha filha, pensei. Podia ser uma aluna minha! E não tenho conseguido dormir desde que vi o cartaz. Apetecia-me, sinceramente, ser capaz de poder fazer alguma coisa para ajudar a parar com uma doença tão estupidamente cruel como esta. Apetecia-me poder dizer a todas as miúdas, porque são elas as principais vítimas, que não é preciso ser-se esquelética para se ser feliz, que não é preciso caber no número 32 para se ser gira! Queria ser capaz de lhes dizer que aquele sorriso franco que faz brilhar o olhar, que aquela gargalhada estridente que faz virar cabeças num café apinhado, que aquele passo firme que faz parar o trânsito, que aquela vontade de ajudar o mundo a melhorar com energia de verdade, são muito mais importantes do que a figura tábua rasa que o espelho, por vezes, recusa devolver… Mas penso em tudo isto e esbarro com a minha incongruência! Se também eu tento ser menos gorda, também eu me irrito quando o espelho denuncia larguras excessivas…
Sinto a alma apertada, as garras da angústia a sufocar-me quando me vejo forçada a confessar que não sei como fazer para, efectivamente, mudar a sociedade e o culto doentio da imagem. A minha proposta, deformação profissional talvez, vai para a educação. Era preciso que a Escola educasse para outra realidade. Mas era também preciso que os grandes criadores de moda mudassem de paradigmas e que os Media compreendessem que, para além do sensacionalismo da doença, há seres humanos a sofrer. E muito!
Comments:
Enviar um comentário