domingo, outubro 07, 2007
Tenho todo o tempo do mundo para. Para não saber o que fazer com ele! Para o preencher de recordações a doer, de sentires exacerbados, de cumplicidades por construir, de desilusões e receios. Agora, o tempo faz-se dolorosamente comprido nos fins-de-semana e eu sinto que, com tanto tempo para gastar, a consciência fica nua demais, a razão exageradamente lúcida e os sentires num molho de difícil desenlear.
Tenho o tempo todo deste domingo comprido. Domingo de sol ainda, de resto de fim-de-semana exagerado, de fim de tarde apetitoso. Olho a rua, afago a cabeça do Buda e vejo passarem imagens de outros tempos. Como aquela imagem, fantástica!, da viagem à Suiça com o meu Pai a comandar a família, a deixar ver os monumentos… por fora! Ele dizia sempre que os países, as cidades, se conhecem na vida que as pessoas vivem. Nos restaurantes, nas ruas, no trânsito, no tipo de habitações. Não gostava de levar horas nos Museus, ria-se das nossas pretensões intelectuais e garantia que não nos arrependeríamos de o seguir. Eu nunca me arrependi de facto. Ainda agora, com o tempo todo para fazer o que quiser, mais me encanta dar um passeio de automóvel, subir a Marvão, espreitar a barragem, respirar o mar, do que fechar-me num cinema ou Museu. Tenho tantas recordações boas! Más também, claro. Muito dolorosas as partidas, as faltas. As noites compridas, imensamente compridas, sentindo doer a ausência do corpo ao lado, a cama grande demais, o armário cheio de roupa de mulher. Tenho saudades de roupa de homem no meu armário. Ele, que partiu ficando sempre presente no sorriso das filhas, nas refilices também, faz-me muita falta. Porque o tempo todo do mundo é para ser gasto a dois, penso eu! Porque, quando os filhos partem, o tempo deve reinventar-se na cumplicidade terna dos dois. Deve ser então que a expressão “tu e eu somos nós” faz sentido. Para mim, não fará mais sentido. Como não faz agora sentido contar ao Buda dos medos de doenças possíveis, falar-lhe da imensidão da cama, da ausência dolorosa do after shave dele na casa de banho.
Agora, com todo o tempo do mundo, o mundo todo não me enche o tempo.
Tenho o tempo todo deste domingo comprido. Domingo de sol ainda, de resto de fim-de-semana exagerado, de fim de tarde apetitoso. Olho a rua, afago a cabeça do Buda e vejo passarem imagens de outros tempos. Como aquela imagem, fantástica!, da viagem à Suiça com o meu Pai a comandar a família, a deixar ver os monumentos… por fora! Ele dizia sempre que os países, as cidades, se conhecem na vida que as pessoas vivem. Nos restaurantes, nas ruas, no trânsito, no tipo de habitações. Não gostava de levar horas nos Museus, ria-se das nossas pretensões intelectuais e garantia que não nos arrependeríamos de o seguir. Eu nunca me arrependi de facto. Ainda agora, com o tempo todo para fazer o que quiser, mais me encanta dar um passeio de automóvel, subir a Marvão, espreitar a barragem, respirar o mar, do que fechar-me num cinema ou Museu. Tenho tantas recordações boas! Más também, claro. Muito dolorosas as partidas, as faltas. As noites compridas, imensamente compridas, sentindo doer a ausência do corpo ao lado, a cama grande demais, o armário cheio de roupa de mulher. Tenho saudades de roupa de homem no meu armário. Ele, que partiu ficando sempre presente no sorriso das filhas, nas refilices também, faz-me muita falta. Porque o tempo todo do mundo é para ser gasto a dois, penso eu! Porque, quando os filhos partem, o tempo deve reinventar-se na cumplicidade terna dos dois. Deve ser então que a expressão “tu e eu somos nós” faz sentido. Para mim, não fará mais sentido. Como não faz agora sentido contar ao Buda dos medos de doenças possíveis, falar-lhe da imensidão da cama, da ausência dolorosa do after shave dele na casa de banho.
Agora, com todo o tempo do mundo, o mundo todo não me enche o tempo.
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