domingo, novembro 04, 2007
Alberto Caeiro. E Pessoa ele mesmo. A Leonor, ensonada depois de uma noitada de sábado, o teste perto, o desejo de saber sem ter de aprender. E eu a comover-me, a dificilmente conter a minha dor de pensar, a discordar da evidência, ela mesma tantas vezes aparente... Pensar é estar doente dos olhos. E ver é, muitas vezes, usar as vendas dos burros quando tiram água do poço, dando à nora. À nora andamos nós, humanidade. À nora ando eu, rodando sem êxito, sem conseguir sequer fazer correr um elixir qualquer. Pois é, Leonor, era o Mestre. Porque resolveu a dor de pensar. Ou apenas porque a Pessoa apeteceu. Para nos confundir talvez. Para provar que o sentido que as coisas têm é não terem sentido nenhum.
Ela está cansada. Teve sentido a noitada? E eu desejo que sim. Que a Leonor, a Filipa, a Joana, A Carolina, o Bernardo, o António, todos consigam encontrar sentido na forma como, com garra -desejo sempre -, vão fazendo a vida cumprir-se.
Saíu a Leonor. Meteu o Pessoa na mochila, o Caeiro ao lado, enfiou os dois na mota e partiu. Fiquei eu. Só e desejando que Álvaro de Campos apareça por aí.
Já estão frias, as noites.
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