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segunda-feira, novembro 19, 2007

Chove muito. Na minha vidraça a chuva escorre, carreirinhos organizados, terminando num riacho magrinho na calha da janela. Estou no quente, sossegada, quase em paz, tenho o oceano pacífico a tocar baixinho, e penso como seria bom se a vida, a de verdade, acontecesse assim, ordenada, fluente, como os carreirinhos de chuva na minha vidraça.
Se assim fosse, não haveria solidão, receios ou inseguranças. As gotas sabem que devem correr para baixo e nunca vi nenhuma desatar a correr pela vidraça acima!
Eu também gostava de ter a certeza do que devo fazer, dizer, pensar, sentir. Se eu fosse uma gota de chuva, escorreria agora direitinha para a minha cama de bambu e não levaria comigo os desejos inconfessáveis, as saudades dos tempos em que a minha cama me recebia já quente e os temores que fazem ficar acordada, horas e horas, sentindo o estômago doer e a alma gemer baixinho.

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