segunda-feira, novembro 05, 2007
Igreja de S. Tiago. Um espaço lúgubre, desolado, abandonado até. Levam para lá os caixões, abrem-nos à curiosidade mórbida, não salvaguardam o direito à privacidade, como se por ter morrido o corpo fosse de todos, e fazem velórios. Fui lá outra vez. Em poucos dias, fui lá despedir-me da Srª. Dª. Maria Isabel Pestana, Senhora linda, espanhola, há cinquenta anos em Portalegre sem conseguir falar português, sempre sorrindo, brincando, falando pelo microfone que encostava ao buraco da traqueostemia que lhe roubara a voz. Hoje, voltei. Para dizer adeus ao Primo Augusto, ao marido da Prima Pia, a prima preferida do meu Pai querido.
Em Portalegre, acho que nos outros sítios também, não se dá dignidade à morte. Torna-se pública, espectáculo deplorável. Por isso eu quero ser cremada. Esqueçam-me. Mas não me sujeitem à exposição da maior miséria da humanidade: a Morte!
Comments:
Enviar um comentário