sábado, janeiro 26, 2008
Tenho aqui juntinho a mim, acabado de chegar, o livro ACADÉMICA – A HISTÓRIA DO FUTEBOL que mandei vir da Almedina, em Coimbra. Vêm lá o meu Pai, o Dr. Armando Sampaio, o Dr. Amorim Afonso. Vem lá, em bom papel e com texto bem escrito, a história da Académica que é, também, uma História de Portugal. Peguei no livro e folheei-o com curiosidade e saudade. Acho que herdei as recordações do meu Pai, que ficaram minhas muitas das mil histórias que ele contava, sempre entusiasmado e feliz quando o assunto era Coimbra e a Académica. Não sei se, cientifica e legalmente, se podem herdar memórias, mas emocionalmente pode-se de certeza, porque as emoções são livres, e eu conheço Coimbra pela herança mágica que o meu Pai me deixou. No livro vêm fotografias, nomes que eu cresci conhecendo, factos que sei com mais rigor do que muitas das datas da História nacional que aprendi na escola. Mas, mais do que a ternura que eu sinto por Coimbra, mais do que a certeza de que o meu Pai haveria de ter gostado muito de folhear este livro fantástico, estas páginas fazem-me pensar no valor da amizade, na verdade das relações e na fé real em sonhos e projectos. A Académica, fundada por volta de 1837!, assentava na amizade verdadeira entre os alunos, os jogadores, os dirigentes e, em simultâneo, a relação estreita com a Universidade e a cidade de Coimbra. A Académica chegou a ganhar a Taça! Mas, muito mais do que isso, a Académica teceu vidas e criou laços eternos entre as pessoas. De que outra forma se poderia explicar o meu fascínio por uma cidade onde nunca vivi?! Foi o meu Pai, que sempre dizia ser Coimbra a sua segunda terra, que me ensinou a respeitar as suas velhas amizades, que, desde miúda, me levava às Reuniões de Curso onde eu sentia que a amizade era autêntica!
Lembro-me de, há uns anos, talvez já dezassete ou dezoito, ter ido a uma Reunião de Curso e ter levado as minhas filhas. A missa, sempre obrigatória, foi rezada pelo Sr. D. Eurico e, durante o almoço, um dos médicos, figura singular, num caloroso discurso, dizia –“ Vem Eurico! Despe as tuas vestes! Vem! Põe a capa que este Curso te oferece, despe as tuas vestes (…)”. A minha filha, então com quatro ou cinco anos, não mais esqueceu este discurso e, ainda hoje, por vezes lembramos a necessidade das pessoas despirem as suas vestes para aceitarem a capa da verdadeira amizade…
Olho o livro branco e preto e são mil imagens que desfilam diante de mim. Porque será que o espírito coimbrão, o espírito da velha academia, se perdeu, e, hoje, não é mais fácil encontrar a verdadeira amizade que ajudava a fazer Homens Bons, que moldava personalidades e formava caracteres? Folheio o livro e vejo gente nova a lutar por ideais. Onde estão os lutadores de hoje? Porque é que a verdadeira amizade se tornou rara, desconfiada, receosa de cumplicidades efectivas? Surgem-me imagens da minha escola, dos meus alunos, vejo-os a discutirem décimas na classificação dos testes, vejo-os a desconfiarem uns dos outros, vejo-os sem tempo para tudo aquilo que não signifique, de forma evidente e rápida, benefício próprio. Vejo-me a mim a desconfiar de quem me rodeia, a calar o que penso, a sorrir quando a revolta é demais, a dizer que sim quando discordo completamente, a desistir de projectos comuns e a pensar que devo preservar-me! Que horror! Preservar-me dos outros! Mas que mundo é este? Mas o que é que a realidade está a fazer com os afectos, com as partilhas, com os tecidos de emoções?
Não quero ser saudosista! Aliás, eu não queria nada voltar atrás! Mas quero, ou queria…, ser capaz de ter forças para confiar nos outros, para sorrir com verdade e para acreditar que ainda é possível existirem projectos comuns! Queria, muito!, ser capaz de incutir nos meus alunos o espírito que levava os jovens estudantes universitários de Coimbra a jogar futebol de graça, pela sua camisola apenas, para estarem juntos e ganharem por algo que era de todos! Hoje, o que encontro são jovens adeptos de grandes clubes, vencedores!, que discutem resultados sem sentirem a união por uma causa.
O livro chama-se ACADÉMICA – A HISTÓRIA DO FUTEBOL. Mas podia ser: Académica – A história da amizade!
Lembro-me de, há uns anos, talvez já dezassete ou dezoito, ter ido a uma Reunião de Curso e ter levado as minhas filhas. A missa, sempre obrigatória, foi rezada pelo Sr. D. Eurico e, durante o almoço, um dos médicos, figura singular, num caloroso discurso, dizia –“ Vem Eurico! Despe as tuas vestes! Vem! Põe a capa que este Curso te oferece, despe as tuas vestes (…)”. A minha filha, então com quatro ou cinco anos, não mais esqueceu este discurso e, ainda hoje, por vezes lembramos a necessidade das pessoas despirem as suas vestes para aceitarem a capa da verdadeira amizade…
Olho o livro branco e preto e são mil imagens que desfilam diante de mim. Porque será que o espírito coimbrão, o espírito da velha academia, se perdeu, e, hoje, não é mais fácil encontrar a verdadeira amizade que ajudava a fazer Homens Bons, que moldava personalidades e formava caracteres? Folheio o livro e vejo gente nova a lutar por ideais. Onde estão os lutadores de hoje? Porque é que a verdadeira amizade se tornou rara, desconfiada, receosa de cumplicidades efectivas? Surgem-me imagens da minha escola, dos meus alunos, vejo-os a discutirem décimas na classificação dos testes, vejo-os a desconfiarem uns dos outros, vejo-os sem tempo para tudo aquilo que não signifique, de forma evidente e rápida, benefício próprio. Vejo-me a mim a desconfiar de quem me rodeia, a calar o que penso, a sorrir quando a revolta é demais, a dizer que sim quando discordo completamente, a desistir de projectos comuns e a pensar que devo preservar-me! Que horror! Preservar-me dos outros! Mas que mundo é este? Mas o que é que a realidade está a fazer com os afectos, com as partilhas, com os tecidos de emoções?
Não quero ser saudosista! Aliás, eu não queria nada voltar atrás! Mas quero, ou queria…, ser capaz de ter forças para confiar nos outros, para sorrir com verdade e para acreditar que ainda é possível existirem projectos comuns! Queria, muito!, ser capaz de incutir nos meus alunos o espírito que levava os jovens estudantes universitários de Coimbra a jogar futebol de graça, pela sua camisola apenas, para estarem juntos e ganharem por algo que era de todos! Hoje, o que encontro são jovens adeptos de grandes clubes, vencedores!, que discutem resultados sem sentirem a união por uma causa.
O livro chama-se ACADÉMICA – A HISTÓRIA DO FUTEBOL. Mas podia ser: Académica – A história da amizade!
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