quarta-feira, fevereiro 20, 2008
Está um dia pesado, intenso, esmagador. Eu estou exausta, desanimada, revoltada já não... Porque o cansaço me venceu, a desesperança se instalou, o desinteresse me faz encolher os ombros cansados. Isto tudo porque, contra qualquer razão inteligente, a avaliação dos professores vai decorrer de acordo com o decidido pelo governo. Vai mesmo. Vamos ser avaliados pelo colega do lado, a quem, muitas vezes, não reconhecemos competência ou sequer qualidade (não é exactamente a mesma coisa). As escolas, as mais papistas, inventam grelhas, fórmulas, documentos; outras, recusam alinhar na humilhação oficial dos docentes. Alguns dos potenciais avaliadores incham de orgulho, anunciam, num humor excessivamente real, que "vão grelhar os colegas".
Estamos fritos, apetece dizer.
Eu, professora, queria só que, no meio disto tudo, se lembrassem de me deixar dar aulas. É que é só mesmo o que sei fazer... Queria que me permitissem continuar a discutir com o Miguel o que dá um texto sob o título "O teu olhar me cansa"; ou ajudar a Patrícia a compreender que para além do conhecido há mil leituras a descobrir n'Os Maias; ou desarrumar um pouco a ordem formal do João; ou enfrentar o olhar atrasado do Manel para lhe dizer que, de facto, os horários até são para cumprir; ou ler o silêncio do olhar interessado e curioso da Mafalda; ou; ou.
Queria que me deixassem fomentar comportamentos activos, cívicos, críticos também. Queria que a alegria que experimento quando os meus alunos expõem ideias, discutem políticas e intervêm em público com qualidade, fosse partilhada na escola. Queria, ainda..., sentir a escola feliz porque a Catarina, da São Lourenço, será a Presidente da Mesa do Jogo Os Jovens e o Parlamento.
Queria, no fundo, que deixassem a Escola ser Escola. Que a não minassem por dentro, que lhe não tirassem o que de mais fantástico tem: - As relações humanas!
Porque nada disto parece ser possível, eu já só desejava ser o meu Buda para que apenas me pontapeassem os estranhos que me não conhecem...
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