sábado, fevereiro 23, 2008
Hoje não há subterfúgios, não há personagens, não peço a ninguém que leia o que não escrevo ou que tente descodificar as entrelinhas do meu texto. Hoje, eu sou eu exposta. Eu, Luísa Moreira, mãe, mulher, portalegrense, leitora apaixonada, professora desiludida. Eu, que faço, para a semana, dia 29 de Fevereiro, uma montanha de anos. 48! Tenho já idade suficiente, talvez, para assumir o que penso e dizer o que sinto. Assumo, por isso, que teclo furiosamente o meu texto porque estou danada com a minha vida. Estou desesperada, ofendida, magoada, humilhada na minha condição de professora. Eu, a Luísa Moreira professora, não acredito no sistema de avaliação de desempenho que o governo do meu país me quer impor. E eu quero ser avaliada! Eu proponho que me deixem elaborar o meu portfólio de desempenho, que lhe atribuam um peso de 50%, que deixem os meus alunos avaliar o meu desempenho diário, e que a essa avaliação atribuam um peso de 40% e que os 10% restantes sejam da responsabilidade do órgão de gestão da minha escola que sabe dos pormenores administrativos e burocráticos do meu desempenho. Proponho discutir todos estes elementos com uma equipa de avaliação externa. Não tenho medo da avaliação! Tenho medo da humilhação e da injustiça do que me é imposto e que considero aberrante! Eu gosto do que faço na escola! Gosto (ou deveria dizer gostava?) de ler textos diversos, de discutir ideias, de poder apresentar aos meus alunos novas realidades para tecer saberes, de analisar textos, de esgrimir argumentos, de escrever sobre mil temas. Gosto da proximidade com os miúdos, de me rir com eles, de ralhar quando é preciso, de sentir que confiam em mim. Gosto (gostava?) de ser a professora Luísa. E de os ouvir chamarem-me na rua, e aceitar as propostas deles para novas e diferentes actividades. Por gostar de tudo isto, estou (estava?) sempre disponível para entrar em novos desafios, dinamizar projectos. Quantas vezes me levantei às cinco e às seis da manhã para, com eles, ir descobrir novas realidades, fazer percursos literários, descobrir até a Europa da União onde, acho eu, tem de haver um lugar de destaque para eles?! Mas hoje estou desanimada e infeliz. Porque vou fazer anos e, em vez de me apetecer comemorar mais um dia de conquistas, ainda por cima com o privilégio de ser mesmo o dia certo – 29 de Fevereiro -, apetece-me fugir, emigrar, encontrar um canto no mundo onde não seja crime ser professor, onde nas escolas se preserve o direito ao sonho.
Eu, Luísa Moreira, também sou mãe. Às vezes, acontece os professores serem pessoas…, e tenho uma filha na Faculdade. E a Luísa-mãe olha com desconfiança o futuro da filha. Porque no meu país há licenciados a lavar escadas, a conduzir táxis e a engrossar as listas dos desempregados. Eu, eu que tanto gosto do meu país, que sou portalegrense de alma e coração, ando à procura de oportunidades que permitam à minha filha ir embora do país, emigrar, encontrar um lugar onde lhe seja possível trabalhar e ser feliz. Eu hoje estou assim. Não me apetece fazer de conta, escrever correcto, ou criar ficções que escamoteiem a realidade. Eu, a Luísa mulher, a tal que para a semana faz anos e até nasceu num ano simbólico – 1960 – sinto a alma encolhida e os sentires embaraçados. Eu, eu mesma, hoje não peço a ninguém que tente compreender ou sequer se esforce para concordar comigo. Hoje, eu estou bem sozinha na minha amarga condição humana e, por isso, não peço a ninguém que se incomode a criticar-me ou a inventar motivos para a minha amargura. Eu mesma os apresento: - Estou farta do governo PS que me humilha e destrói! Não há, hoje, vontade de dourar as coisas e nem sequer presto atenção ao meu cão que, ouvindo o teclar rápido, ladra de vez em quando a pedir-me calma. Estou farta da calma, da correcção, do faz de conta que sim e que também. Hoje, confesso que tenho medo. Medo dos governantes em quem não votei, medo de represálias pelo que digo, medo de um dia passar também a excedentária…
Hoje, só mesmo porque vou fazer anos, confesso o meu desejo de desaparecer deste Portugal mentiroso e medíocre que me sufoca!
Dia 29, espero…, irei jantar a Marvão. É o meu último reduto. Lá, no lugar onde quero que, um dia, as minhas filhas lancem as minhas cinzas (será que depois só nascerão ervas daninhas??) vou bradar a minha fúria desesperada aos ventos e às águias!!
Eu, Luísa Moreira, também sou mãe. Às vezes, acontece os professores serem pessoas…, e tenho uma filha na Faculdade. E a Luísa-mãe olha com desconfiança o futuro da filha. Porque no meu país há licenciados a lavar escadas, a conduzir táxis e a engrossar as listas dos desempregados. Eu, eu que tanto gosto do meu país, que sou portalegrense de alma e coração, ando à procura de oportunidades que permitam à minha filha ir embora do país, emigrar, encontrar um lugar onde lhe seja possível trabalhar e ser feliz. Eu hoje estou assim. Não me apetece fazer de conta, escrever correcto, ou criar ficções que escamoteiem a realidade. Eu, a Luísa mulher, a tal que para a semana faz anos e até nasceu num ano simbólico – 1960 – sinto a alma encolhida e os sentires embaraçados. Eu, eu mesma, hoje não peço a ninguém que tente compreender ou sequer se esforce para concordar comigo. Hoje, eu estou bem sozinha na minha amarga condição humana e, por isso, não peço a ninguém que se incomode a criticar-me ou a inventar motivos para a minha amargura. Eu mesma os apresento: - Estou farta do governo PS que me humilha e destrói! Não há, hoje, vontade de dourar as coisas e nem sequer presto atenção ao meu cão que, ouvindo o teclar rápido, ladra de vez em quando a pedir-me calma. Estou farta da calma, da correcção, do faz de conta que sim e que também. Hoje, confesso que tenho medo. Medo dos governantes em quem não votei, medo de represálias pelo que digo, medo de um dia passar também a excedentária…
Hoje, só mesmo porque vou fazer anos, confesso o meu desejo de desaparecer deste Portugal mentiroso e medíocre que me sufoca!
Dia 29, espero…, irei jantar a Marvão. É o meu último reduto. Lá, no lugar onde quero que, um dia, as minhas filhas lancem as minhas cinzas (será que depois só nascerão ervas daninhas??) vou bradar a minha fúria desesperada aos ventos e às águias!!
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