quarta-feira, fevereiro 27, 2008
A Mafalda Veiga canta só para mim.
Entra-me na sala, na alma também, uma sensação feita de mil sensações. Indefinível. Ou, se calhar, não quero perder o meu tempo a tentar defini-la... Cheira a orvalho, a terra húmida, a chuva contida, a desejo de mulher, a abraço masculino também. É o meu Alentejo, tranquilo, essencial, a visitar-me.
São os sobreiros rugosos, a terra gretada, as vacas preguiçosas, os verdes ousados, as cegonhas vaidosas, a chegarem com o á-vontade que a conterraneidade lhes dá e a instalarem-se por aqui, invadindo-me, assaltando a minha ansiedade e vestindo-a de paz. Esqueço o trabalho, as fichas, os relatórios, as grelhas, os textos, as desilusões, e venho gozar a companhia da solidão alentejana.
O sonho, a minha incorrigível vontade de fugir do real que me sufoca e tortura, toma conta de mim. Traz-me mil paisagens, momentos de um passado que nunca existiu, existências num futuro que nunca será! Eu sei, mas ignoro e acredito na ficção. Na minha ficção sonhada, sou feliz sempre. Lá, a Felicidade não é uma velhinha marreca que vende flores na praça; lá, a Felicidade não é uma palavra vaga e vã a encher postais pirosos; lá, a Felicidade não é uma quimera; lá, aqui e agora, a Felicidade é um acto de ser-saber-fazer. E eu sei! Faço-a magia de mil leituras de muitos livros que sei de cor; torno-a toques masculinos ousados e ternos; visto-a com as cumplicidades que tento tecer.
A culpa, é da Mafalda Veiga!
E do Alentejo húmido que adoro!!
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