quarta-feira, março 19, 2008
Acabou mais um doloroso período lectivo. Aliás, este ano tem sido sofrido mesmo, frustrante, ofensivo e humilhante. Mas chegou ao fim mais um período, houve reuniões, avaliaram-se os alunos e desejou-se uma boa Páscoa a toda a gente.
Vejo cada dia chegar cansado, oco, viciado numa rotina a cumprir que detesto e não quero. Queria mesmo ser capaz de viver a Páscoa por dentro. Queria ter forças para ajudar os meus alunos a crescer, para lhes alimentar o sonho, para os ajudar a crescer com força para construírem um mundo completamente diferente! Este segundo período fez-se de tanta agitação, de desentendimentos, de agressões, que me deixou a sangrar e faz ainda doer fundo. Magoa-me a Escola assim…
Há um poeta fantástico, um dos meus poetas-cúmplices, Alberto Caeiro, que diz que pensar é estar doente dos olhos, que vê cada dia como se fosse a primeira vez, que privilegia os sentidos e fala de coisas fáceis de ser feliz. Ele deve ter sido feliz. Porque foi sem ser existindo! Mas eu existo mesmo e não consigo lavar a alma, olhar cada dia como novo e único e desfrutar do que os sentidos me oferecem sem pensar. Por isso, com certeza por culpa minha, a Páscoa não me transforma, não me limpa o acreditar e não me deixa capaz de construir a mudança. Cheguei ao fim do segundo período profissionalmente infeliz. Por causa da maldita avaliação de desempenho, do estatuto do aluno, da ministra e sua equipa, de alguns colegas também. Ouvi gente, não pessoas!, afirmarem que os professores não fazem nada e nem tive paciência para responder… Porque aprendi, finalmente!, que perante a estupidez todas as razões são ineficazes, e eu descobri, eu conheço, muita gente estúpida. Há gente estúpida demais, e há excesso de estúpidos também...
Por isso, vou partir.
Com entusiasmo verdadeiro, vou virar costas ao Portugal que um dia amei e procurar a neve!
Vejo cada dia chegar cansado, oco, viciado numa rotina a cumprir que detesto e não quero. Queria mesmo ser capaz de viver a Páscoa por dentro. Queria ter forças para ajudar os meus alunos a crescer, para lhes alimentar o sonho, para os ajudar a crescer com força para construírem um mundo completamente diferente! Este segundo período fez-se de tanta agitação, de desentendimentos, de agressões, que me deixou a sangrar e faz ainda doer fundo. Magoa-me a Escola assim…
Há um poeta fantástico, um dos meus poetas-cúmplices, Alberto Caeiro, que diz que pensar é estar doente dos olhos, que vê cada dia como se fosse a primeira vez, que privilegia os sentidos e fala de coisas fáceis de ser feliz. Ele deve ter sido feliz. Porque foi sem ser existindo! Mas eu existo mesmo e não consigo lavar a alma, olhar cada dia como novo e único e desfrutar do que os sentidos me oferecem sem pensar. Por isso, com certeza por culpa minha, a Páscoa não me transforma, não me limpa o acreditar e não me deixa capaz de construir a mudança. Cheguei ao fim do segundo período profissionalmente infeliz. Por causa da maldita avaliação de desempenho, do estatuto do aluno, da ministra e sua equipa, de alguns colegas também. Ouvi gente, não pessoas!, afirmarem que os professores não fazem nada e nem tive paciência para responder… Porque aprendi, finalmente!, que perante a estupidez todas as razões são ineficazes, e eu descobri, eu conheço, muita gente estúpida. Há gente estúpida demais, e há excesso de estúpidos também...
Por isso, vou partir.
Com entusiasmo verdadeiro, vou virar costas ao Portugal que um dia amei e procurar a neve!
Há um fascínio especial na neve! As cores, o frio, a liberdade fantástica de descer uma montanha em velocidade vertiginosa, tornam o riso fácil, a vontade de acreditar intensa e a fé na humanidade quase possível. Durante uma semana inteirinha, vou esquecer que existe algures um país onde há uma Maria de Lurdes que me agride, uma equipa que me desrespeita e um quotidiano que me humilha! Durante oito dias inteirinhos, vou seguir Caeiro e olhar a neve branca e fria sem outra preocupação que não a de proteger-me do frio e voar nas encostas. Durante oito dias completos, a minha solidão não vai doer, as noites não vão ser compridas demais e as cumplicidades vão ser efectivas! Esta é a minha semana mágica! Deixo cá a Páscoa que me faz chorar, as saudades intensas que me fazem insónias, a solidão gelada que resiste ao casacão, a descrença no mundo que o meu país mata cada dia um bocadinho mais…
Depois, oito dias inteirinhos depois, se calhar volto. Mas diferente! Mais velha, mais livre e decerto muito mais purificada…
Depois, oito dias inteirinhos depois, se calhar volto. Mas diferente! Mais velha, mais livre e decerto muito mais purificada…
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