terça-feira, abril 29, 2008
Dois dias para, ainda que com mágoa e dor, deixar que os meus alunos aprendessem a ineficácia da democracia em vigor. Dois dias a brincar aos deputados, a discutir, a opinar, para concluirem que só as maiorias contam, que não se constroem projectos, apenas se contam cabeças/votos. Foi assim no Parlamento dos Jovens. Dois dias a fazer doer o ser cidadão, dois dias cansativos a mostrar que, às vezes, a vida não faz sentido mesmo.
O Miguel e a Cátia, firmes, apresentaram o seu texto. Sem hesitações, sem engasgamentos, com a firmeza de quem preparou o tema e diz o que pensa, perderam. Ganhou a nulidade, o discurso politicamente correcto, previsível, eco da sociedade adulta que alimenta esta hipocrisia! Dois dias de cansaço e desilusão.
E amanhã a rotina impõe-se, as aulas voltam, a campainha toca e as agressões continuam. É assim que se aprende o sabor da Liberdade? Não acredito...
Por isso, com raiva dorida, faço-lhes a homenagem possível. Publico, aqui, o seu texto:
“Oh vã glória de mandar a quem chamastes Fama!”
Luís de Camões, in Os Lusíadas
EUROSCOLA
2007/08
UNIÃO EUROPEIA: PARTICIPAÇÃO, DESAFIOS e OPORTUNIDADES
A escolha do tema que, no presente ano lectivo, serve de mote ao desafio EUROSCOLA, não podia fazer mais sentido! Comecemos, numa tentativa de método e rigor, por o apresentar nos seus diferentes constituintes: União Europeia. Existe, para Portugal, há mais de 20 anos. Surgiu como sonho de ser igual aos iguais, num país ainda pouco habituado ao sabor da Liberdade. Portugal aderiu com entusiasmo, sem referendo, sem sequer se colocar a hipótese de não ser esta uma opção de sucesso. Hoje, o que se passa? Será que os portugueses sabem de facto, de forma activa e participada, o que é que significa a União Europeia? Não o cremos. Nunca foi feita uma pedagogia da Europa! Portugal descurou a formação de cidadãos europeus e, infelizmente, reduziu à forma de concursos e projectos, de participação voluntária, uma das principais áreas de formação dos cidadãos do novo milénio… Desafios. É uma palavra fascinante, tece-se de mistérios e aventura. Mas, para Portugal, significou um mundo a explorar. Os desafios que a UE nos coloca: - qualidade, competência, competitividade, rigor, sabedoria, participação, cidadania, não foi aceite pela maioria dos portugueses. Quantos, no interior de Portugal, naquelas cidades e vilas que não enchem comícios políticos, têm noção dos verdadeiros desafios que a adesão à UE nos lança? Terrivelmente poucos… Oportunidades. Que se esgotam no tempo se não forem aproveitadas… A UE tem um vasto leque de oportunidades no que respeita ao emprego, à inovação científica, às aprendizagens culturais e profissionais que, lamentavelmente, não têm sido aproveitadas, na sua maioria, pelos portugueses… Cremos, olhando o mundo que integramos, que Portugal tem, ainda, um longo e árduo percurso a cumprir na conquista do seu lugar de destaque numa Europa que se pretende seja de iguais e não de abissais diferenças.
Assim, sem dúvida é às novas gerações, aos jovens, que cumpre realizar o sonho Europeu, o sonho que, um dia, Jacques Delors iniciou. Cabe às novas gerações conhecerem a realidade europeia, responderem aos desafios lançados e aproveitarem as oportunidades existentes. Como? Não, decerto, imitando ou seguindo os passos da geração que, com canetas de ouro, assinou a entrada na UE! Não, decerto, imitando o hábito de olhar a Europa como um destino de férias ou umas feira de vaidades! Não! O que se exige às novas gerações, o que nós temos de ser capazes de fazer, é ganhar o respeito dos outros estados-membros pelas nossas atitudes e contributos. É tempo, pois, de despertarmos para um quotidiano diferente, onde a globalização é uma realidade, o terrorismo uma real ameaça e a justiça uma quimera. Não podemos mais fazer zapping quando o assunto é Europa, não podemos mais pensar que a política é com os políticos…Hoje, e deveria já ter sido ontem!, temos de ter a coragem de assumir a necessidade de investirmos, com seriedade e rigor, na formação para a cidadania europeia, na formação de cidadãos conhecedores, atentos, participativos. Numa palavra: - Competentes! Cremos que o maior desafio da Europa de hoje se prende, exactamente, com a capacidade que temos de ter para identificar, aproveitar e rentabilizar as oportunidades que, pertencer a uma tão grande e tão diferente família significa. Não podemos nós, portugueses, continuar a dar pouca atenção à União Europeia! Temos de fazer da UE uma presença constante no nosso quotidiano. Para isso, e porque são medidas práticas que urge tomar, defendemos o investimento sério, responsável e consciente, na educação: - Temos de melhorar a nossa competência na língua inglesa, urge desenvolver competências cívicas, é imprescindível que as novas gerações conheçam, e compreendam!, o novo mundo que lhes vai ser legado! A era dos subsídios, o tempo dos projectos em torno da fauna e da flora, acabou! Agora, é preciso termos capacidade para olhar para além do hoje, pois só assim poderemos construir um amanhã de sucesso!
Hoje, não há mais espaço para, apenas, se festejar a glória de se ser Europeu. Deixemos, como Camões há quase cinco séculos pedia, o gosto pelo poder e pela glória, esqueçamos as vaidades que, ainda que vestidas de belas palavras, fazem os homens mesquinhos! O tempo é de acção, participação e conquista de um mundo onde as muitas diferenças deverão constituir a grande força propulsora do sucesso do futuro!
Luís de Camões, in Os Lusíadas
EUROSCOLA
2007/08
UNIÃO EUROPEIA: PARTICIPAÇÃO, DESAFIOS e OPORTUNIDADES
A escolha do tema que, no presente ano lectivo, serve de mote ao desafio EUROSCOLA, não podia fazer mais sentido! Comecemos, numa tentativa de método e rigor, por o apresentar nos seus diferentes constituintes: União Europeia. Existe, para Portugal, há mais de 20 anos. Surgiu como sonho de ser igual aos iguais, num país ainda pouco habituado ao sabor da Liberdade. Portugal aderiu com entusiasmo, sem referendo, sem sequer se colocar a hipótese de não ser esta uma opção de sucesso. Hoje, o que se passa? Será que os portugueses sabem de facto, de forma activa e participada, o que é que significa a União Europeia? Não o cremos. Nunca foi feita uma pedagogia da Europa! Portugal descurou a formação de cidadãos europeus e, infelizmente, reduziu à forma de concursos e projectos, de participação voluntária, uma das principais áreas de formação dos cidadãos do novo milénio… Desafios. É uma palavra fascinante, tece-se de mistérios e aventura. Mas, para Portugal, significou um mundo a explorar. Os desafios que a UE nos coloca: - qualidade, competência, competitividade, rigor, sabedoria, participação, cidadania, não foi aceite pela maioria dos portugueses. Quantos, no interior de Portugal, naquelas cidades e vilas que não enchem comícios políticos, têm noção dos verdadeiros desafios que a adesão à UE nos lança? Terrivelmente poucos… Oportunidades. Que se esgotam no tempo se não forem aproveitadas… A UE tem um vasto leque de oportunidades no que respeita ao emprego, à inovação científica, às aprendizagens culturais e profissionais que, lamentavelmente, não têm sido aproveitadas, na sua maioria, pelos portugueses… Cremos, olhando o mundo que integramos, que Portugal tem, ainda, um longo e árduo percurso a cumprir na conquista do seu lugar de destaque numa Europa que se pretende seja de iguais e não de abissais diferenças.
Assim, sem dúvida é às novas gerações, aos jovens, que cumpre realizar o sonho Europeu, o sonho que, um dia, Jacques Delors iniciou. Cabe às novas gerações conhecerem a realidade europeia, responderem aos desafios lançados e aproveitarem as oportunidades existentes. Como? Não, decerto, imitando ou seguindo os passos da geração que, com canetas de ouro, assinou a entrada na UE! Não, decerto, imitando o hábito de olhar a Europa como um destino de férias ou umas feira de vaidades! Não! O que se exige às novas gerações, o que nós temos de ser capazes de fazer, é ganhar o respeito dos outros estados-membros pelas nossas atitudes e contributos. É tempo, pois, de despertarmos para um quotidiano diferente, onde a globalização é uma realidade, o terrorismo uma real ameaça e a justiça uma quimera. Não podemos mais fazer zapping quando o assunto é Europa, não podemos mais pensar que a política é com os políticos…Hoje, e deveria já ter sido ontem!, temos de ter a coragem de assumir a necessidade de investirmos, com seriedade e rigor, na formação para a cidadania europeia, na formação de cidadãos conhecedores, atentos, participativos. Numa palavra: - Competentes! Cremos que o maior desafio da Europa de hoje se prende, exactamente, com a capacidade que temos de ter para identificar, aproveitar e rentabilizar as oportunidades que, pertencer a uma tão grande e tão diferente família significa. Não podemos nós, portugueses, continuar a dar pouca atenção à União Europeia! Temos de fazer da UE uma presença constante no nosso quotidiano. Para isso, e porque são medidas práticas que urge tomar, defendemos o investimento sério, responsável e consciente, na educação: - Temos de melhorar a nossa competência na língua inglesa, urge desenvolver competências cívicas, é imprescindível que as novas gerações conheçam, e compreendam!, o novo mundo que lhes vai ser legado! A era dos subsídios, o tempo dos projectos em torno da fauna e da flora, acabou! Agora, é preciso termos capacidade para olhar para além do hoje, pois só assim poderemos construir um amanhã de sucesso!
Hoje, não há mais espaço para, apenas, se festejar a glória de se ser Europeu. Deixemos, como Camões há quase cinco séculos pedia, o gosto pelo poder e pela glória, esqueçamos as vaidades que, ainda que vestidas de belas palavras, fazem os homens mesquinhos! O tempo é de acção, participação e conquista de um mundo onde as muitas diferenças deverão constituir a grande força propulsora do sucesso do futuro!
Comments:
Enviar um comentário