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terça-feira, maio 06, 2008

Naquele piquenique de burguesas houve uma coisa simplesmente bela. Cesário a fazer-se presente. A minha vontade de sonhar, de falar aos miúdos das construções reais das ficções que fazem existência, esbarrando com a norma, o obrigatório, o correcto. "Uma coisa simplesmente bela", e o advérbio a funcionar como totalidade, a transformar em todo o pormenor, a coisa. E eu a pensar que cada dia há menos simplesmente, menos coisas belas também... Os miúdos rindo do supremo encanto das papoulas, do teu seio como duas rolas, o ramalhete rubro de papoulas. Como faz sentido! Como é fantástico, perante a intensidade de um pôr-do-sol, de um quadro perfeito, captar o pormenor que dá sentido à existência. Simplesmente. Os alunos brincando, longe da profundidade da simplicidade aparente, eu querendo que cresçam, com jeitinho, sem desilusão, sem empurrões à força. Eu que hoje recebi uma carta da Andrea. A minha aluna Andrea que, há três anos, foi para a Austrália. Eu a ter saudades da Andrea, de muitas outras Andreas que, como eu, sentiam que aquele ramalhete rubro de papoulas era, de facto, o supremo encanto da merenda...

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