terça-feira, junho 10, 2008
Não é justo, professora! Então o meu esforço, os meus progressos, o meu empenhamento, não são valorizados? Só contam os testes?! Não é justo!! - E não é mesmo. Concordo com o protesto sentido do meu aluno de olhar intenso, discurso frágil e segurança em construção. Não é justo, de facto! Não é justo que seja atribuido aos testes o peso de 55% ou até de 80%! Não é justo que se olhem SÓ os resultados, ignorando os processos! Não é justa a escola de hoje! E de nada adianta o meu sentimento de revolta, a minha indignação por ter consciência de que educar não é só medir. De nada serve eu garantir que, embora ninguém meça as minhas lágrimas elas existem de facto. De nada serve implorar que se lembrem as pessoas que moram nos alunos! Nada serve de nada! porque a minha opinião esbarra com a norma defendida pela maioria; porque a ideia que eu tenho do papel da escola, da sua essência, nada tem a ver com as regras que imperam...
É injusto sim, querido aluno! e oiço-me a agredir sonhos, a destruir vontades, quando afirmo que a vida também é injusta. Que temos de aprender a viver com a injustiça. Eu, que não acredito no que digo, sofro, apetece-me incentivar a revolta, fazer a minha gente jovem crescer questionando e contestando! mas... tenho medo. E é horrível ter medo.
É assim o Portugal de hoje. O dia da raça, de Camões, das Comunidades. Vivo-o na revolta surda e magoada; no medo doloroso que me faz calar!!
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