domingo, julho 27, 2008

Acabou-se a caipirinha ao fim da tarde. O copo ficou lá, vazio, os tremoços e a música brasileira também. Ficou lá um pouco de mim, o lado mais livre, mais solto, mais de ficção talvez. Ela - eu, em férias, acredita nos possíveis, constrói faz-de-conta e sorri mesmo antes da caipirinha... Lá, na Rocha, não se compram jornais, ignora-se a rotina e só o gralhar estridente das gaivotas enche as manhãs-madrugada. Será que as gaivotas gralham? ou grasnam? ou conversam, e por isso gritam, furiosas por tanta gente lhes ocupar o espaço? Na minha praia há imensas gaivotas. De manhã voam loucas, tontas do sol, excitadas com o cheiro das mil bicas tomadas de pé, cestos às costas, ocupação anunciada do areal. De tarde, quase noite, reassumem a posse da praia e são milhares, empoleiradas nos toldos, passeando na areia, desafiando as ondas que os humanos libertaram. A contrastar com as gaivotas malucas, há os humanos ridículos. Prefiro as gaivotas.